▒Jornal Cidade▒ “O 2º turno trará grande mudança nas eleições em Marília”, aponta ex-secretário Hélio Benetti

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ENTREVISTA DA SEMANA
“O 2º turno trará grande mudança nas eleições
em Marília”, aponta ex-secretário Hélio Benetti

Com ampla experiência na gestão pública – esteve à frente da Saúde, Assistência Social, Indústria e Comércio e Habitação – Helinho também destaca os desafios a partir de 2021

A sua primeira experiência na política foi com a defesa de classe. Ainda muito jovem, Hélio Benetti, que trabalhava como bancário, recebeu o convite para integrar a chapa que concorreria às eleições do Sindicato dos Bancários de Marília e Região, entidade com uma base territorial englobando cidades da região de Marília, Ourinhos e Garça. “Comecei a compreender a importância de trabalhar para o coletivo, vivenciando as questões coletivas na defesa da minha categoria. Me identifiquei com a luta coletiva”, ressaltou Helinho, como é mais conhecido. A partir daí iniciou uma trajetória de representatividade que incluiu atuação na Federação dos Bancários, englobando os Estados de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, na vida partidária – disputou eleições como candidato a vereador – e assumindo pastas estratégicas no Governo do Estado de São Paulo – respondeu pela regional da Habitação e, depois, pela regional da Assistência Social – e em administrações municipais de Marília, assumindo as seguintes secretarias: Indústria e Comércio, Assistência Social e Saúde. Helinho era o secretário quando Marília inaugurou a UPA (Unidade de Pronto-Atendimento) 24 horas da zona Norte e o PA (Pronto-Atendimento) da Zona Sul. Sobre sua experiência na vida pública, perspectivas para o próximo pleito e os desafios que os agentes públicos terão no mundo pós-pandemia versaram esta Entrevista da Semana. Helinho analisou também a previsão de Marília começar a ter segundo turno em 2024 – projeção feita pela reportagem do Jornal Cidade com base no crescimento do colégio eleitoral nos últimos anos. Para o ex-secretário municipal de Saúde, a chegada do segundo turno mudará o perfil dos políticos da cidade. Isso porque forçará a classe política a se abrir mais, agregando ideias para composições de novas políticas públicas, bem como forçará a ouvir mais as lideranças e a população. “Os servidores públicos municipais são pessoas que trabalham muito, muitas vezes injustiçados, mas são eles que levam o dia-a-dia dos serviços públicos para frente. São eles que estão na linha de frente em suas pastas, aonde o secretário tem a oportunidade de colocar em prática ideias, programas e projetos, mas a execução está nas mãos do funcionalismo”, observou. Atualmente Helinho desenvolve consultoria em gestão municipal e exerce a vida partidária, é atual presidente do diretório municipal do Democratas, o partido do vice-governador Rodrigo Garcia e do atual prefeito da cidade de Garça, João Carlos. Sua experiência também o habilitou a desenvolver projetos tanto na área da Assistência Social, quanto na área da Saúde, assessorando Municípios e instituições. A seguir leia a entrevista na íntegra do ex-secretário municipal de Saúde.

Jornal Cidade – Por que decidiu se dedicar à vida pública?

Hélio Benetti – Quando iniciei, ainda jovem, na profissão de bancário, fui convidado a participar da diretoria do Sindicato dos Bancários de Marília e Região. Naquela oportunidade, como disse, ainda bem jovem, pude identificar a importância de trabalhar as questões coletivas. A partir da minha participação no Sindicato dos Bancários de Marília e Região, acabei integrando a Federação dos Bancários dos Estados de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, quando identifiquei que, através da vida pública, você pode ser o agente de transformação e, com políticas públicas voltadas para a grande maioria da população, você pode melhorar as vidas das pessoas. E, este desafio, de construir políticas exequíveis que vão ao encontro das pessoas, resolvi adentrar à vida pública e trilhar este caminho.

Jornal Cidade – O que mais aprendeu quando exerceu cargos públicos?

Hélio Benetti – Tive o privilégio de exercer alguns cargos públicos aqui no Município de Marília, como o de secretário municipal da Indústria e Comércio, de Assistência Social e secretário municipal de Saúde. Também exerci o cargo de diretor regional da Diretoria de Assistência Social do Estado de São Paulo, tive a oportunidade de passar pela regional da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) e presidi o colegiado estadual da Frente Paulista dos Gestores em Assistência Social. Os servidores públicos municipais são pessoas que trabalham muito, muitas vezes injustiçados, mas são eles que levam o dia-a-dia dos serviços públicos para frente. São eles que estão na linha de frente em suas pastas, aonde o secretário tem a oportunidade de colocar em prática ideias, programas e projetos, mas a execução está nas mãos do funcionalismo. E aí você precisa saber motivar a equipe, ter uma escuta atenta, ouvir os seus pares, ouvir os anseios que eles têm, buscar a valorização, motivar, a equipe, para extrair o melhor de cada um em prol do bem comum. Então, o que também aprendemos, é que nenhuma política pública termina em si mesmo. Você precisa da cooperação de todos nesta construção perene. Então, precisa da intersetorialidade para que todos trabalhem motivados para o alcance de um objetivo. A Saúde precisa da Assistência Social, precisa da Educação, precisa dos Serviços Urbanos, para que todos juntos possam chegar à edificação de qualquer projeto. Aprendi também que, claro que a obra física é importante, o asfalto, o prédio, mas a maior e a principal obra é aquela que você faz com o ser humano e para o ser humano. Porque somente assim você poderá fazer com que a pessoa saía de uma situação de vulnerabilidade social e se torne protagonista de suas vidas. Creio que esta é a minha maior lição e o meu maior aprendizado.

Jornal Cidade – Como analisa o comportamento das autoridades diante da pandemia?

Hélio Benetti – Algumas autoridades – e você pode até discordar – mas estão sendo coerentes, e aí cito o governador João Dória e o vice-governador Rodrigo Garcia, que desde o início fizeram uma escolha e uma opção pela vida, ouvindo a classe médica, ouvindo a ciência e os infectologistas. E aí, mesmo que as pessoas discordem, você não pode dizer que eles foram incoerentes. Por outro lado, vejo o governo federal que tem desacreditado da ciência, dizendo que é uma ‘gripezinha’, evitando o uso de máscaras – inclusive a Justiça está obrigando ao presidente Jair Bolsonaro que utilize a máscara em público – vi alguns prefeitos, nesta pandemia, serem protagonistas mesmos, comandantes, seguirem adiante e adotando uma série de ações, inclusive ações intersetoriais na saúde, na educação, com entregas de kits, entregas de cestas básicas aos mais vulneráveis, transformando a alimentação escolar em alimento para as crianças e suas famílias, doando máscaras, lavando as ruas e adotando barreiras sanitárias. Mas vimos alguns, infelizmente, totalmente perdidos: uma hora dizem uma coisa, outra hora dizem outra. Alguns que não desceram do palanque e ficam jogando com a torcida, o que é muito ruim, porque no meio deste embate, tem as pessoas. Penso que há muitas autoridades, apesar do desgaste que sofrem, lutando pelas vidas. Rendo aqui as minhas homenagens para as autoridades que têm trilhado o caminho pela vida: na preservação da vida diante do combate à covid-19. Então, aqui na região posso citar o Papinha (prefeito de Oscar Bressane), a Abigail (de Alvinlândia), Renata Devito (de Vera Cruz), o João Carlos (em Garça), a Tina (em Pompeia), o Dado (em Oriente), a Tuti (em Queiroz), a Ana (de Arco-íris) e o Newton (de Quintana), dentre outros prefeitos e prefeitas protagonistas e coerentes na intransigente luta na proteção pela vida.

Jornal Cidade – O senhor exerceu as funções de secretário da Saúde, Assistência Social e da Indústria e Comércio. Com qual destas atividades mais se identificou?

Hélio Benetti – Entre as atividades citadas – Assistência Social, Saúde e Indústria – acrescentaria a Habitação, pois exerci função pública na CDHU, diria que todas me identifiquei. Isso porque todas, em cada momento, exercemos um papel relevante. Na Assistência Social tivemos uma projeção maior, por ter sido diretor da Drades, uma diretoria regional responsável por 38 municípios da nossa região e por ter presidido a Frente Paulista dos Gestores da Assistência Social. Por outro lado, quando fui secretário da Indústria e Comércio, me identifiquei com vários trabalhos e poderia citar o Banco do Povo, pois focamos no microcrédito aos empreendedores, sendo uma das primeiras agências do Estado de São Paulo, a implantação do distrito industrial de Nóbrega e doações de áreas para indústrias e empresas, que ampliaram produções e empregos, entre elas a Yoki, a Maripav, a Coca-Cola. Na Saúde, a inauguração da UPA, a inauguração do PA Sul, no padrão de atendimento da Unimar em ambas unidades. Na Assistência Social, grandes projetos e grandes programas, como o Conheça a Praia, para crianças carentes, o Conheça o Teatro, para incluir outro circuito na vida das famílias carentes, as unidades do Pequeno Cidadão, três Centros-Dia dos Idosos, inclusive premiados pelo Estado. O Bom Prato, um dos principais programas de segurança alimentar do Estado, foi inaugurado por nós no período em que estivemos à frente da Assistência. Fizemos grandes trabalhos, capacitamos a equipe e nos tornamos referência no amparo e atendimento às populações vulneráveis.

Jornal Cidade – Qual é a importância de se dedicar à vida partidária?

Hélio Benetti – Nós vivemos num sistema em que você precisa estar filiado a um partido, justamente para poder ser candidato. Então, é preciso ter organização. Tenho a felicidade de presidir o Democratas em Marília, um partido que estamos organizando e também ser o coordenador regional do Democratas. Temos os nossos representantes, inclusive o vice-governador Rodrigo Garcia é do Democrata. Portanto, estar na vida partidária é auxiliar na estruturação das cidades e agregar pessoas comprometidas para não apenas se filiar, mas ter a oportunidade de se candidatar e, depois, termos bons representantes, que é o caso do deputado Geninho Zuliani, que conquistou grande votação e tem sido um destaque em nível nacional e representante da nossa região. Como disse, temos a felicidade de ter o vice-governador Rodrigo
Garcia como presidente estadual do nosso partido, que é um político que me identifico, é o meu modelo por ser um homem público de muita competência e sempre realizou grandes projetos por onde passou e que hoje está preparado para ser o que ele quiser: seja governador, presidente da República ou senador.

Jornal Cidade – O que achou da alteração do calendário eleitoral?

Hélio Benetti – Tivemos a votação no Senado prorrogando o pleito, mas ainda não houve a votação na Câmara. Acho importante sim, mas defendo que ela seja realizada neste ano, pois quatro anos atrás elegemos os representantes para mandatos de quatro anos. Prorrogação de mandato não se pode ocorrer sem alterar a Constituição, então penso que as eleições têm que ocorrer neste ano, se não em outubro, mas pelo menos nesta data que está sendo construída em consenso, em novembro.

Jornal Cidade – Qual será o maior desafio dos próximos governantes?
Hélio Benetti – Terão inúmeros desafios. Algumas cidades estão extremamente organizadas e terão oportunidade de reeleger seus governantes. Outras, seus atuais governantes foram reeleitos e haverá renovação. Mas existem cidades em que a população está descontente com seus governantes, e estes poderão ir às urnas buscando novos mandatos. O maior desafio dos governantes, enquanto Executivo, será ouvir suas cidades e perceber a verdadeira vocação e poder ajudar a desenvolver ainda mais. Que as nossas Câmaras, o Legislativo, possam cumprir o seu papel de legislar e fiscalizar o Executivo. E também ser representante de uma comunidade, de uma coletividade. Às vezes as pessoas se elegem e se esquecem que são representantes de uma coletividade, de um segmento da sociedade e aí ficam governando para si. O maior desafio é fazer com que o Poder Público, seja Executivo ou Legislativo, exerça os seus mandatos com responsabilidade, com os princípios constitucionais, que não transformem os seus mandatos em balcão de negócios e não façam a política do toma lá, dá cá. E que tenham uma prática coerente com o discurso, aonde possamos capacitar, empoderar e valorizar os nossos servidores públicos municipais, ouvir os segmentos da sociedade e traçar políticas públicas que vão ao encontro às necessidades, justamente para que as nossas regiões possam se desenvolver, as economias possam reagir principalmente pós-pandemia.

Jornal Cidade – Acredita em alguma surpresa no pleito deste ano?

Hélio Benetti – Não acredito em nenhuma surpresa, será um pleito que irá transcorrer dentro da normalidade, claro que as redes sociais terão cada vez mais um peso mais decisivo. Gostaríamos que as pessoas assumissem compromissos publicamente nos debates e que os partidos lançassem candidaturas fortes, assumindo compromissos com a população.

Jornal Cidade – Tudo indica que em 2024 Marília chegará a ter 2º turno. O que isso pode representar para a cidade?

Hélio Benetti – Trará uma grande mudança. Fará com que o eleitor ouça mais e que a classe política faça composições para o segundo turno. O segundo turno fará com que as pessoas se identifiquem com os compromissos que os dois candidatos ao segundo turno terão que assumir. Provocará mais o debate com a sociedade, então fará com que os candidatos não se escondam e não fujam dos debates, como ocorre em eleições de primeiro turno. Em eleição de um turno só acaba privilegiando quem tem mais poder econômico, ou quem tem uma máquina administrativa na mão. Mas, com segundo turno, isso muda, porque o tempo de rádio e de televisão passa a ser igual para os dois candidatos. Faz com os dois candidatos finalistas assumam mais compromissos, participem de mais reuniões, ouçam mais lideranças e busquem os partidos, inclusive aqueles candidatos que ficaram de fora do segundo turno. Ao buscar apoio, os candidatos finalistas têm que estar mais abertos para compor seu plano de governo. Importante ressaltar que, em política, a divergência tem que ficar no campo das ideias e jamais no campo pessoal, justamente para que a campanha possa transcorrer em clima de paz e não com truculência.

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Helio Benetti entrevistado pelo Jornal Cidade


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