A atualidade de Karl Marx em tempos de pandemia, por Alonso Bezerra de Carvalho

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Neste 05 de maio, comemora-se os 202 anos do nascimento de Karl Marx. O conjunto da sua obra constitui um dos marcos fundamentais não apenas para as ciências sociais, mas para a política, a cultura, a educação, etc., tanto do século 19, 20 e seguramente para o nosso século 21. As suas ideias se desdobram como referência para se pensar a questão do trabalho e do trabalhador, o papel e a importância do Estado e, especialmente, para uma crítica contundente do capitalismo. De ponta a ponta, oferece problemas, questões e pistas para pensar a sociologia, a história, a filosofia, a economia etc.

            Em um momento histórico como este que estamos vivendo, marcado por uma avalanche que tomou conta e preocupa toda a humanidade, retomar Marx é algo bastante atual. Refletir acerca das condições materiais de exploração do trabalho do homem, que o transforma em uma mercadoria reificada (coisificada), por isso mesmo alienada; o aviltamento da dignidade da vida humana que é facilmente trocada pelo fetiche da mercadoria; os fenômenos de concentração econômica das riquezas e a sua consequente desigualdade social discrepante que cresce de maneira exponencial a cada década que passa, são questões que, ao serem colocadas em evidência, pode proporcionar uma compreensão sólida dos nossos problemas.

            Marx considera o poder político do Estado como um comitê para administrar os negócios comuns de toda a classe burguesa, por meio do qual manteria seu domínio econômico a partir de um domínio político sobre outros grupos ou classes. Porém, de maneira esquisita e falaciosa a burguesia faz um discurso de que o Estado atrapalha a economia. Os neoliberais têm defendido um Estado Mínimo e um Mercado Máximo.

            Todavia, nesses tempos de pandemia, essa reflexão nos leva a constatar um novo olhar para o Estado. Aqueles valores, princípios, métodos, estratégias e promessas da burguesia, enfim, do deus mercado, não tem ajudado muito a resolver e nem a enfrentar um simples vírus. As condições materiais da existência humana estão dizendo que é a partir do coletivo, do social e, quiçá, do fortalecimento do Estado, que será possível garantir o remédio e os cuidados que podem nos salvar. Veja o papel do SUS, no caso do Brasil.

            Enfim, depois da pandemia, já é possível vislumbrar que o mundo não será mais o mesmo, em que as máscaras tendem a cair cada vez mais. Essa nova era, de um capitalismo mais despido, e quem seremos capazes de perceber que os problemas mundiais de saúde nada mais são que resultado de um sistema falido que tende a subjugar, por meio da exploração, a maior parcela da população mundial à gana de uma classe que coloca no âmbito privado tudo o que é produzido pela outra parcela. A propriedade privada, essência do capitalismo, não pode estar acima dos interesses coletivos e humanitários. Agora é a hora de avançar na luta e na denúncia do vampirismo capitalista que, ao privilegiar os interesses da classe burguesia, tem causado mais mortes para os excluídos, explorados da sociedade. A saúde é um direito de todos e para todos, mas quando a riqueza concentra-se nas mãos de pouquíssimas pessoas os problemas imediatamente surgem. O velho Marx está mais atual do que nunca!

Alonso Bezerra de Carvalho, professor da Unesp/Marília.

 E-mail: alonso.carvalho@unesp.br


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