Acordo entre Coreia Popular e EUA é promissor para a paz

É com esperança, ainda que cautelosa, que o mundo recebe a notícia do acordo assinado nesta terça-feira (12) entre os presidentes Kim Jong-un e Donald Trump, colocando a Coreia e os EUA mais próximos de uma solução diplomática para a instabilidade na região, para dissipar uma ameaça constante de guerra e encerrar a dolorosa divisão nacional coreana

Por Socorro Gomes*

 

 

Após quase sete décadas de ultrajante política ofensiva dos Estados Unidos e seus aliados contra a Coreia Popular, as forças da paz devem acompanhar com reforçado compromisso o avanço da diplomacia. Uma sucessão de eventos alentadores culminou neste ponto, com destaque para as duas reuniões amistosas já realizadas entre os líderes coreanos. Na última delas, em 27 de abril, os presidentes Kim Jong-un e Moon Jae-in reafirmaram o compromisso histórico de uma eventual reunificação nacional pacífica e soberana, cimentando uma reaproximação a começar pelo ambiente do encontro. Aliás, em 15 de junho completa 18 anos a promissora Declaração de Panmunjom pela Paz, a Prosperidade e a Reunificação da Península Coreana, compromisso que se fortalece.

É corajosa e assertiva a disposição da liderança coreana e a postura do presidente Kim. Afinal, tem sido contundente a denúncia, por parte da Coreia Popular e das forças da paz de todo o mundo, sobre os impactos da ingerência imperialista na Península da Coreia, a começar pela devastadora guerra de 1950-1953. Naquele episódio desolador, os EUA empreenderam horrenda campanha de bombardeios que destruíram mais de 75% da capital Pyongyang. Estima-se que, durante a guerra, três milhões de norte-coreanos foram mortos. Não bastasse, nas décadas que se seguiram, uma política de demonização e sanções criminosas assentou as bases para o isolamento imposto à Coreia Popular pelo imperialismo estadunidense e seus aliados, com impactos ofensivos sobre a população. Mesmo assim, Kim Jong-un tomou o ousado e necessário passo diplomático.

Por isso, na reunião com Trump, Kim colocou sobre a mesa as demandas que seu país tem reiterado: o fim dos exercícios de guerra conduzidos anualmente entre EUA e a Coreia do Sul — que Trump finalmente reconheceu como “provocativos e inapropriados” em coletiva de imprensa em Singapura — e das sanções frequentemente reforçadas contra a República Popular Democrática da Coreia (RPDC).

É proposta igualmente reiterada pelos sucessivos líderes norte-coreanos a assinatura de um tratado de paz para que se encerre oficialmente a Guerra na Coreia, através da qual os EUA assentaram as bases para a sua presença ofensiva na península. Tal presença permanente chega hoje a um contingente de 28 mil tropas. Segundo Trump, em declarações à imprensa, os EUA devem reduzir ou retirar suas tropas da Coreia do Sul, acabar com os exercícios de guerra e suspender gradualmente as sanções com a Coreia Popular, em troca da desnuclearização — um compromisso já atestado pela RPDC inclusive com a destruição do local de testes em maio, por exemplo.

O acordo assinado é uma retumbante vitória para toda a nação coreana, desejosa que é da reaproximação e, eventualmente, de uma reunificação pacífica e soberana. No contexto do aniversário da Declaração de Panmunjom, assinada em 15 de junho de 2000 entre a RPDC e a República da Coreia, é preciso reforçar a esperança e a exigência por uma paz soberana, correspondente aos anseios do povo coreano, que já sofre da divisão e da ingerência imperialista na península há mais de 60 anos. Além disso, como vem alertando o Conselho Mundial da Paz, uma ameaça de guerra generalizada deve se dissipar graças ao compromisso reforçado de todos, inclusive das forças da paz em todo o mundo.

O fim da ingerência externa e das ameaças estadunidenses de agressão é condição para o progresso das negociações, que, como confirmou a liderança coreana, serão acompanhadas da ansiada desnuclearização da península e da reaproximação nacional, em prol da paz e da prosperidade partilhada, compromissos e objetivos estratégicos de todas as forças consequentes.

*Socorro Gomes é a presidenta do Conselho Mundial da Paz

Fonte: Cebrapaz

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