“Alimentadores do Mecanismo da Corrupção”, por Celi Gonzales e Francisco Cesar Barros

Celi Gonzales / Francisco Cesar Barros

  1. Justiça Falha
  2. O artigo intitulado O Mecanismo da corrupção nacional, trouxe uma lista de alimentadores da corrupção. O primeiro deles, que discutiremos aqui, é sobre a Justiça No Brasil. Ela é falha e lenta, sobretudo para investigar e punir casos de corrupção, principalmente porque a maioria deles envolve políticos com foro privilegiado, grandes empresários, etc.

É possível enumerar centenas de casos onde houve investigação seguida de julgamento com condenação e os réus estão por aí, nem devolveram o dinheiro roubado e nem foram presos, e continuam dando um jeito com advogados caros para se manterem em liberdade. Também de inúmeros políticos condenados nas mais diversas instancias da justiça e não foram sequer presos, nem provisoriamente. Além dos crimes de colarinho branco que envolveram mortes e que continuam livres.

Assim continuamos a ser o país da impunidade onde roubar dinheiro público parece valer a pena, pois nem é preciso devolver o roubo. Mesmo que se fique algum tempo com problemas na justiça assim parece que o risco compensa. Dá para fazer a vida dos filhos e até dos netos além de garantir uma vida muito boa para si.

A questão das nossas leis é a seguinte: apesar do Brasil ter mais de 200 mil leis, o problema está na aplicação. A criação de novas leis é estimulada para mascarar a não aplicabilidade das existentes, sendo criadas, em média, 18 novas leis por dia no país. Além disto, vale analisar que a maioria dos Projetos de Lei (PL) é produzida sem se analisar se respeitam ou não os princípios constitucionais, gerando a necessidade de uma análise do Judiciário para declarar sua inconstitucionalidade. Resultado: mais de 100 milhões de processos em tramitação.

Ayres Britto destaca que a própria Constituição Federal já dá ênfase ao combate à corrupção. “A nossa Constituição seguramente é a mais aparelhada do mundo, normativamente, no combate à corrupção. É a mais preocupada com probidade administrativa”, afirma.

Outro fator, cultural também, é a cultura de que quanto mais PLs apresentados e mais Leis aprovadas por um vereador ou um deputado, mais produtivo ele é. Bruno Garschagen, ao fazer uma análise histórica de nossa formação cultural, demonstrou que o estatismo brasileiro “não é um acaso, e sim uma obra de séculos”. Os legisladores ofertam o que o eleitorado demanda.

A operação Lava Jato está tendo o mérito de ser mais rápida que o normal nas condenações, multas e bloqueio de bens, mas ainda é pouco para o tamanho da nossa corrupção e para os nossos desejos de “justiça”. Cada tribunal federal devia ter uma força tarefa pronta para entrar em ação assim que algum caso acontecesse. Também criar sistemas para investigar e apurar, pois sempre barramos na própria legislação que coloca nas mãos dos servidores corruptos o julgamento da validade das ações para se obter provas. Novas maneiras de bloquear o dinheiro roubado já que não basta só “follow the Money” se não é possível repatria-lo.

Não esquecendo que sempre é possível apelar para as instâncias superiores e ficar eternamente em ações protelatórias que só beneficiam os corruptos a continuar na boa vida. Quantos prefeitos e até governadores afastados por denúncias de corrupção que a justiça coloca de volta no cargo para que continuem colaborando com o mecanismo?

Existem milhares de casos de corrupção parados nos tribunais que ficarão lá até prescrever sem nenhum problema para os envolvidos que depois ainda irão dizer que o assunto já prescreveu, como se isso retirasse a culpa pelo seu ato e ele pode até se candidatar a algum cargo político.  Nossa sorte é que acreditamos em outra justiça… perfeita, implacável e no tempo certo: A Divina!


*Celi Aparecida Gonzales

-Palestrante nos temas: PNL, Excelencia no Atendimento, Inteligencia Espiritual Consultora de processos e programas de qualidade pela empresa APOIO SOLUÇÕES CORPORATIVAS Gerente de Compliance e Potencialização de Líderes na empresa New House Gestão Estratégica em Lançamentos Imobiliários Diretora e docente do Instituto New House. 24 anos de experiência na área de Consultoria de Negócios do Varejo. Co autora do livro FUNCIONÁRIO PRODUTIVIDADE ZERO.


**Francisco Cesar Barros

– Engenheiro Químico, Consultor, Escritor, Biógrafo empresarial e pessoal e Palestrante, Autor dos livros “Seja um Caçador de Tesouros” e “Funcionário Produtividade Zero”, Especialista em “Vendas e Atendimento ao Cliente” e Consultor nas áreas de: Vendas, Produtividade, Atendimento ao Cliente, Perdas e Desperdícios.

 

 

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