ANSIEDADE

ANSIEDADE

Aline Marcela de Moraes

A ansiedade faz parte do ser humano e é considerada saudável até certo ponto. Ela passa a ser patológica quando a intensidade dos sintomas torna-se exagerada interferindo na qualidade de vida do sujeito. Pode ser aguda ou crônica, focal ou difusa, pode ser transitória ou um traço permanente da personalidade.

A ansiedade traz consigo muitos sintomas, sendo eles somáticos os que se manifestam no corpo aos sintomas psíquicos. Segundo CID 10 os sintomas somáticos são: sudorese, taquicardia, náuseas, tontura, tensão muscular, desconforto epigástrico, dispneia, tremores, dor no peito, sensibilidade maior do próprio corpo, perturbação do sono entre outros. Os sintomas psíquicos são: pensamento de impotência, de limitação, de negativismo, falta de concentração, sensação de vazio na cabeça, famoso “branco”, inquietude, entre outros.

O conjunto desses sintomas passa a interferir na qualidade de vida dos sujeitos. O sono é um dos primeiros a ser afetado seguido da alimentação, e repercutem nas questões emocionais, relações sociais, amorosa e no desempenho das atividades e afazeres diários.

A medicina vê o sofrimento psíquico com desdém. Quando alguém procura ajuda médica, seja no pronto-socorro, em consultório de cardiologia, neurologia ou gastroenterologistas e nada é encontrado em seus exames clínicos e laboratoriais e de imagens ouvem que “não tem nada”. Frente a esses dizeres algumas pessoas desejam “ter alguma doença” para não pensarem que o que sentem seja “frescura” (SIMONETTI, 2011).

Para Simonetti (2011), o fato de que o sofrimento psíquico excessivo não pode ser diagnosticado através de exames, o sujeito fica muitas vezes desacreditado. A clínica médica que visa à objetividade busca de certa maneira dissipar a subjetividade. É comum na clínica sujeitos relatarem: “o médico disse que eu não tenho nada, mas que era melhor eu procurar um psicólogo”. Subtendendo nessa lógica que o psicólogo, o psicanalista e o psiquiatra são especialistas “em nada”.

Segundo Freud a ansiedade tem relação com a expectativa: é a ansiedade por algo. Não se sabe do que, falta o objeto. Usa a palavra ‘medo’ de preferencia se tiver um objeto reconhecido. A ansiedade é uma resposta do ego frente a uma possível situação traumática. Para evitar ou remover o ego dessa situação de perigo, a ansiedade, quando excessiva, pode provocar sintomas e, longe de ajudar o sujeito frente a essa situação de perigo, muitas vezes tem efeito contrário, impedindo o sujeito de tomar atitude. Freud (1976, p.461) disse: “a ansiedade parece confundir o sistema referente ao intelecto e, se ela for muito grande, revela-se inadequada no mais alto grau, paralisando toda a ação”.

Para Freud lidamos com três tipos de ansiedade: Ansiedade realística, ansiedade moral e ansiedade neurótica. A ansiedade realística consiste em ansiedade por um perigo conhecido, real. Dessa forma a ansiedade realística tem “uma função natural, racional e útil, sendo a expressão dos instintos de conservação” (MAY, 1980, p.138). A Ansiedade Moral está ligada ao medo de ser punida pelo superego (Quando vivencia certa situação e em seguida sente culpa). Já a ansiedade neurótica é a ansiedade por um perigo desconhecido. É estar com medo e não saber o por quê.

Segundo Freud em Inibições, Sintomas e Ansiedade (1925/1926), “se a ansiedade por um lado é uma expectativa de um trauma, de outro é uma repetição do mesmo de forma amena, mas de origens diferentes. A ligação com a expectativa corresponde à situação de perigo, enquanto que a falta de objeto corresponde à situação traumática de desamparo”.

De acordo com o referido autor, “um cenário de perigo é uma situação reconhecida, memorável e esperada de desamparo. A ansiedade é a reação original ao desamparo no trauma, sendo reproduzida depois da situação de perigo como um sinal em busca de ajuda. O ego, que experimentou o trauma passivamente, agora o repete ativamente, em versão enfraquecida, na esperança de ser ele próprio capaz de dirigir seu curso” (FREUD, 1925/1926).

A contemporaneidade é caracterizada pelo individualismo, pela violência, pela concorrência, pelos excessos, entre outros. Os sujeitos buscam ultrapassar seus próprios limites em busca de um ideal de felicidade. Porém, muitos não dão conta disso tudo, e são acometidos pelo sofrimento psíquico da ordem do excesso.

Dar sentido a esse sofrimento a essa ansiedade nos leva a outro lugar de nós mesmos. Lançar um olhar sobre nós mesmos nos proporciona perceber novas coisas, e pode nos levar a transformação… e para onde essa transformação vai nos levar? Bom, isso só o tempo e nossas novas relações nos dirão.

Aline Marcela de Moraes, Psicóloga, Técnica em Segurança do Trabalho, Técnica em Administração de Empresa. Psicóloga Clínica em consultório particular desde 2016.

 

 

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