Artigo: “A cidade que queremos”, por Gustavo Perez Pereira Andrade

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 Gustavo Perez Pereira Andrade

Nestes últimos dias de campanha eleitoral, os candidatos ao Paço Municipal têm levantado duas questões: a falta d´água e as péssimas condições do transporte público, dois problemas que infelizmente não são a exceção das cidades médias e grandes do país, mas a regra.

São problemas diferentes, mas que denotam a ausência de políticas públicas de planejamento em todo o país, pois toda vez que uma gestão assume a prefeitura, esta não dá continuidade às políticas do seu antecessor. Não existe no país uma política de estado para solucionar questões como água e transporte público.

A cidade que queremos depende do planejamento a longo prazo, a infraestrutura da nossa cidade ao final dos anos 1980 e início de 1990 não foi pensada para atender seus 250 mil habitantes.

Não se construiu uma barragem para atender a demanda de água; outro problema é o terminal urbano que, com o tempo, ficou pequeno e sua ampliação e a construção de um prédio anexo ou superior para abrigar as lojas do atual camelódromo permitiriam a cidade abrigar um shopping popular solucionando parte do problema da mobilidade urbana da cidade.

Nossa cidade não tem um único quilômetro de corredor de ônibus, não se sabe nem o que é isso em Marília, e muitos acham que corredores de ônibus são faixas pintadas nas avenidas principais onde só os ônibus podem passar, corredores de ônibus pressupõem muito mais do que espaços apenas locomoção destes veículos.

Corredores de ônibus de Belo Horizonte são espaços dotados de infraestrutura com estações com ar condicionado e seguranças. O MOVE como são conhecidos pelos mineiros, é um sistema de transporte com ônibus sanfonados com largos corredores de ônibus, ainda que este projeto esteve atrelado a realização da copa do mundo naquela capital, serve aqui de exemplo para ilustrar, que corredor de ônibus, é um espaço todo fechado apenas para circulação destes veículos e dotado de estações e toda infraestrutura para os passageiros.

A cidade que queremos, pelo menos a que eu quero carece de criatividade que faltou na última década aos gestores que administraram Marília, estes administraram Marília com uma cultura interiorana no que tange aos transportes, ao aumento da demanda da água, atração de novas indústrias, a demanda por escolas, áreas de lazer etc.

Por fim nossos administradores não vislumbraram que nossa cidade caminha para ser um polo regional com muito mais adensamento populacional, sem ter visão que a cidade se projeta para no seu futuro ter seus 300 mil habitantes não podendo ficar com ideias pequenas, mas carecendo de ousadia para reformular o planejamento urbano que hoje apenas privilegia os carros em detrimento dos pedestres, ciclistas e do transporte coletivo.


Gustavo Perez Pereira Andrade, professor da Rede Estadual de Educação, Cientista Político graduado pela UNESP de Marília, ativista do Instituto UNCORA – (Unidos Contra o Racismo) e membro do PT.


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