ARTIGO: “Civilização ou barbárie?”, por Prof. Juvenal de Aguiar e Maria Elvira Nóbrega Zelante

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Civilização ou barbárie?

Professor Juvenal Aguiar

Prof. Juvenal de Aguiar e Maria Elvira Nóbrega Zelante

O Brasil atingiu um milhão de infectados pelo vírus Covid-19. Está em segundo lugar no mundo no número de mortes por esta doença, sem perspectiva de melhora, já que não há preocupação do governo federal em controlar ou minimizar esta tragédia. Em plena pandemia, Bolsonaro demitiu dois Ministros da Saúde, substituindo-os interinamente pelo General Eduardo Pazuello que está no cargo há mais de um mês agindo de forma inexpressiva e ineficiente. Além do mais a atitude do presidente é de afronta às evidências científicas e ao respeito aos doentes e famílias enlutadas. Pede a seus seguidores que invadam hospitais e filmem seu interior, não respeita o isolamento social e muitas vezes nem o uso de máscara. É um péssimo exemplo.

Além do problema sanitário gravíssimo, a economia brasileira se apresenta em frangalhos, deixando a população à deriva. Problema este já iniciado antes da pandemia, por incompetência do Ministro da Fazenda.

Neste cenário o que faz o PSDB? Cai, finalmente, do muro, mas do lado errado! Disse que agora não é momento de impeachment de Bolsonaro, embora deva mudar de opinião frente à prisão de Queiroz que deverá abalar as estruturas do governo.

Mas por que setores da direita, especialmente o PSDB, não partiram para o “Fora Bolsonaro”? Simplesmente, porque o colocaram no governo e não querem dar o braço a torcer? Não, pois, embora tenham se arrependido desta escolha, pela vergonha nacional e internacional que o presidente representa, a direita aprova a política econômica de Guedes que deu continuidade ao projeto “Uma Ponte para o Futuro” de Temer que nos levou a um passado remoto desolador. Guedes atenta contra a soberania nacional, os direitos trabalhistas, direitos previdenciários, benefícios e garantias da população mais carente, mas favorece o sistema financeiro. E isso agrada aos donos do dinheiro e aos manipuladores da opinião pública.

Na mídia alternativa, vemos Lula, Dilma, Haddad, Gleisi Hoffman, Chioro, Benedita da Silva, Mercadante, Flávio Dino, Boulos serem entrevistados. Quanta sabedoria, opiniões embasadas, sugestões de solução aos problemas econômicos e sanitários são apresentados, mas perguntamos: alguém os vê opinando na mídia conservadora e hegemônica? Alguém os vê no noticiário cotidiano da Rede Globo, por exemplo? Quais as razões desta tentativa de invisibilidade da esquerda, especialmente do Partido dos Trabalhadores que já governou o país com tanto sucesso?

As mídias conservadoras, seguidas por mídias menores, mas tradicionais, sempre fizeram uma grande propaganda contra o Partido dos Trabalhadores, criando um antipetismo irracional nos eleitores. Tamanha rejeição por um partido que trouxe tantas conquistas aos brasileiros não é natural, mas produzida por anos de calúnia, mentiras, difamação, desmoralização, com o intuito de destruir um projeto popular, inclusivo, que objetivava reparar injustiças históricas contra o povo brasileiro.

O PT, com falhas e acertos, estava elevando a condição de vida dos brasileiros a um patamar de país civilizado de primeiro mundo. Inúmeros projetos abordavam questões que nunca antes haviam sido discutidas e implementadas, como a introdução da cultura africana nos currículos escolares; como o respeito à diversidade de gênero, étnica, religiosa, cultural, a partir da criação de lei antirracista, ou de lei que pune a violência contra a mulher, além da valorização de exposições, peças teatrais, concertos, festas populares, museus que expunham este caleidoscópio cultural que tanto caracteriza nosso povo. Houve também a preocupação com as oportunidades de ingresso ao curso superior da população negra e/ou pobre, através do sistema de cotas ou de cursinhos populares; a criação de universidades e institutos federais; a profissionalização das empregadas domésticas; o estímulo ao consumo de bens materiais, tais como a compra da casa própria, carro, pacote de viagem pela população mais carente. Houve também o projeto “Ciências sem Fronteiras” que levou nosso estudante para o contato com a elite intelectual e científica dos países desenvolvidos. O perfil do brasileiro vinha mudando, sua autoestima crescendo, sua situação econômica melhorando, sua confiança no governo aumentando, mas tudo isso desagradou quem não gosta de ascensão social. Assim enquanto uma maioria seguia feliz, uma minoria ruminava ódio, rejeição, preconceito, racismo, misoginia, homofobia. Não se conformava de ver brasileiros recebendo bolsa família, entrando em faculdade, empinando o nariz, exigindo respeito, não aceitando mais as migalhas que lhes eram oferecidas. Assim, essa minoria insatisfeita, mas poderosa, criou o discurso de ódio contra os partidos políticos e líderes populares que foi se materializando em ameaças, lawfare, divulgação massiva de Fake News por uma mídia conservadora que depende de patrocínio, principalmente dos grandes empresários e das grandes corporações do capitalismo financeiro que desejam voltar ao tempo da exploração do povo brasileiro e do avilte à nossa soberania.

Infelizmente, o poder de manipulação de quem tem o poder econômico nas mãos é devastador e o povo caiu neste engodo. Fechou os olhos para situações tão óbvias: quais os partidos, líderes políticos e parlamentares que defendem os interesses do povo? Quem saiu em defesa da CLT, dos direitos trabalhistas, da valorização do salário mínimo, mas contra a Reforma da Previdência? Quem foi contra a PEC da Morte que congelou gastos na Saúde e Educação por 20 anos? Quem defendeu a universidade pública e mais recentemente a renda emergencial para os trabalhadores informais, ambulantes, desempregados? E empréstimos favoráveis aos pequenos e médios empresários? Quem defende a Amazônia e os povos nativos? Quem defende a agricultura familiar e o MST? Quem defende o povo? Os partidos e líderes de esquerda, obviamente!

Quais foram os Deputados, Vereadores, Prefeito de nossa cidade que se manifestaram contra as reformas? Nenhum! Todos só estão ao lado do povo na hora das eleições. Todos os políticos que são eleitos e reeleitos por nossa cidade na hora “H” defendem os interesses do Governador e da nossa elite, ou seja: nunca estão ao lado do nosso povo.

Agora estamos sem direitos, sem empregos, sem salários, sem empresas, com medo da fome e do vírus. Com certeza, tudo seria bem menos trágico, mais humano, mais promissor, se a maioria tivesse optado, em 2018, pela civilização no lugar da barbárie. Mas neste ano, haverá novas eleições para prefeito e vereadores. E o PT terá candidatos! Quem sabe a virada vai começar. Chega de barbárie!

Prof. Juvenal de Aguiar – Diretor Estadual da APEOESP (Afastado por motivo eleitoral) e Maria Elvira Nóbrega Zelante – Professora aposentada, militantes do Partido dos Trabalhadores e Membros da Executiva Municipal de Marília.


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3 comentários

  1. O liberalismo econômico tem sido o promotor da barbárie. Qual o sentido da vida? Trabalhar se escravizar por um salário e não ter direito nem a uma moradia digna? Viver preocupado com a subsistência que mal podemos contemplar a vida, respirar, cantar, cultivar um jardim, pela simples beleza de se entregar a uma relação lúdica? Temos que viver engasgados com uma tristeza enorme com as injustiças e desigualdades? Por que tanta concentração de renda? Para que tanta riqueza e privilégios nas mãos de uns e a miséria generalizada na sociedade? Não, definitivamente algo não vai bem. O Estado de Direito tem que ser a situação em que o povo tenha direitos! moradia digna, escola que constrói o cidadão, a cidadã , saúde para todos, trabalho que valoriza as potencialidades humanas, direito a expressão e a produção artística . Um mundo do bem estar pessoal e comunitário e não uma existência que se justifica para gerar lucro para um outro, uma minoria. Isso não é vida, isso não é viver, isso não é sociedade.

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