Artigo : “Escritores engaiolados – uma introdução à liberdade”, por Andréa Valença

“Um Pierrot apaixonado, que vivia só cantando. Por causa de uma Colombina acabou chorando, acabou chorando…” Ops, me perdoem, estou aqui a tentar escrever o artigo e o carnaval, com suas tradicionais e maravilhosas marchinhas, distraíram meus pensamentos, logo já comecei a cantarolar e viajei para o cenário lúdico e tão cheio de poesia ao qual elas me levam e creio que a vocês também.

Em meu primeiro artigo, propus a vocês que contassem histórias e estórias de vocês, de pessoas que conhecem ou não. Enfim, propus que participassem dessa MÁGICA aventura no maravilhoso universo de celebrar a vida como se no mundo não existisse nenhum outro modo de nos expressar. Tenho recebido contos, “causos” que não se sabe se realmente foram só ouvidos por aí e qual não foi minha surpresa ao perceber que, algumas pessoas, muitas letradas, não conseguem se expressar como realmente pretendem. Pessoas que têm capacidade de dissertar sobre os assuntos mais complexos e simplesmente se retraem ao falarem do SIMPLES.

Quem disse que escrever sobre assuntos tão lindos (às vezes nem tanto) sobre a vida tem que ser tão elaborado? O fato é que, uma boa escrita é aquela desnuda de qualquer prisão da alma. Quando forem contar uma história, uma estória ou mesmo fazer apenas um comentário, o façam usando a mais preciosa CHAVE que todos possuímos. A que abre a porta da gaiola de TODOS os corações: a EMOÇÃO que, nada mais é libertar-se do equivocado pensamento de que seriam vistos como tolos pretensiosos a escritores e permitir o coração falar. Entendam que o verdadeiro escritor é capaz de trazer à tona, um minuto qualquer de sua vida e contá-lo da forma mais poética que jamais poderiam imaginar os leitores. O escritor da vida nasce no momento em que o cérebro adormece e somente o coração é capaz de falar. Isso é poesia, essa é uma das maiores magias da vida.

Por que quando crianças, contávamos estórias tão mirabolantes, capazes de levar quem as escutasse e até a nós mesmos a um mundo onde tudo nos era tão real? Porque nossos corações, ainda tão puros eram os únicos a falar e, na época, ainda que fossem apenas estórias inventadas na hora, eram encantadoras porque nossos corações colocavam nelas uma docilidade poética que só uma criança é capaz de fazer. Éramos crianças e para nós, a fantasia e a realidade era quase uma coisa só. Um dia, levados pela vida adulta, com trabalho, responsabilidades e tantas coisas inerentes à nova fase, quase tudo se perdeu, porém, algo dessa pureza ficou bem “protegida” trancada numa gaiola. O problema é que ficou protegida até de nós mesmos, fomos consumidos pelo medo e a terrível obrigação de separar, completamente, um mundo do outro com tudo o que havia nele, inclusive NÓS MESMOS.

Amigos, creio que muitos estão me mostrando indícios que estão chegando lá. Se permitam deixar que fluam esses sentimentos em vocês, sem medo de parecerem bobos, usem cada qual sua chave e abram a gaiola de seu coração. Contem aqui com a amiga, cuja experiência é tão nova quanto a de vocês. Permitam que renasça, pelo menos nos momentos em que forem escrever, aquela criança que acreditava em fadas, bruxas, dragões, príncipes e princesas porque na verdade foram todos  eles que  colaboraram para que nos tornássemos criativos e, de certa forma, quando nos pareciam bem reais, já nos preparavam para a vida adulta. Oras, então eles não eram tão irreais assim. Sonhem e escrevam.

Não temam mostrar para mim o que tenho lido porque permanecerá trancado a sete chaves e só serão revelados se um dia quiserem que se torne conhecido e escrevam também dessa mesma forma, ainda que jamais queiram mostrar para NINGUÉM. Escrevam, somos todos feitos de sonhos e mesmo que a realidade contada seja tão triste, poderão fazê-la com doçura e poesia. Perdoem-me amigos, a prosa está boa, mas preciso partir com urgência. Disseram-me que aquele Pierrot apaixonado, que vivia só cantando, por causa de uma Colombina continua chorando, chorando. Vou aproveitar que é carnaval, me vestir de colombina, ir até à avenida e fazê-lo voltar a cantar. Não chore mais não Pierrot, posso garantir-lhe que o Arlequim de mim nada tirou porque, ao contrário de você, ele não sabe amar. É CARNAVAL, TEMPO DE  SER QUEM SUA IMAGINAÇÃO SONHAR. FELIZ CARNAVAL!!!

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