Artigo: “Estupro é estupro e ponto final/ Queremos eleger nossos juízes!!”, por Gustavo Perez Pereira Andrade

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Gustavo Perez Pereira Andrade

A banda de rock Legião Urbana foi fundada em 1982 em Brasília, Distrito Federal, por Renato Russo e Marcelo Bonfá; mais tarde, se juntariam ao grupo Dado Villa-Lobos e Renato Rocha. Após o falecimento de Renato Russo em 11 de outubro de 1996, o grupo encerra suas atividades.

Em muitos dos seus álbuns, o grupo revela e descortina a alma brasileira desnudando vários aspectos de nosso dia a dia que foram naturalizados e cenas que deveriam nos causar indignação como: a desigualdade social, a miséria, a pobreza, a violência policial, os tiroteios, o encarceramento dos pobres e a liberdade dos ricos passando a ser incorporados no cotidiano, se tornando algo trivial.

Em um dos trechos das letras cantadas pelo grupo encontramos a seguinte narrativa:

“A violência é tão fascinante / E nossas vidas são tão normais. ”

Na mesma música, podemos ainda encontra uma referência ao nosso falido sistema judiciário:

“E essa justiça desafinada: / É tão humana e tão errada. ”

E por falar em justiça, nos atemos aos autos do processo: a vítima Mariana Ferrer, segundo o G1: “foi drogada e que, por isso, não sabe exatamente o que aconteceu. Nas roupas dela, a perícia encontrou sêmen do empresário e sangue dela. O exame toxicológico de Mariana não constatou o consumo de álcool ou drogas. ”

“Em depoimento, André Aranha, o acusado, argumentou que fez sexo oral, que não estuprou Mariana. ” Ora, sexo oral sem consentimento não é estupro?

Ainda segundo o portal: “o inquérito policial concluiu que o empresário havia cometido estupro de vulnerável, termo usado quando a vítima não tem condições de oferecer resistência. O Ministério Público denunciou o empresário à Justiça.

No transcorrer do processo, acontecem coisas obscuras como a transferência do promotor do caso para uma outra promotoria, e o entendimento do novo promotor foi de que o empresário não teria como saber que Mariana não estava em condições de dar consentimento à relação sexual, não existindo, assim, o dolo, a intenção de estuprar. Essa conclusão do promotor está sendo chamada de “estupro culposo”. Aranha foi absolvido. ”

Ora a pessoa está desacordada e eu não tenho como saber?! A pessoa está dormindo e eu não tenho como saber?! A pessoa desmaiou e eu não tenho como saber ?!  Estupro é estupro e ponto final!! Não existe estupro culposo, existe é corrupção do processo, o favorecimento da parte acusada, o privilégio dos ricos e dos que possuem sólidas relações com os magistrados amigos no corrompido no poder judiciário aristocrata, que passa de pai para filho há gerações.

Os membros destas Cortes precisam ser eleitos e prestar contas à população dos seus atos. É preciso reformular integralmente nosso sistema judiciário que oprime os negros, as mulheres, os indígenas e todas as minorias que não pertencem ao establishment do homem branco e rico, cujo legado cultural remonta ao senhor da Casa-grande: proprietário da mulher, dos filhos, dos brancos livres e dos escravos.


Gustavo Perez Pereira Andrade, professor da Rede Estadual de Educação, Cientista Político graduado pela UNESP de Marília, ativista do Instituto UNCORA – (Unidos Contra o Racismo) e membro do PT.


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