Artigo : “Mulheres contemporâneas: seus novos/velhos dilemas”, por Aline Moraes

Ele chega e passa rápido demais: o famoso trinta (e poucos), balzaquiana. Com ele, as pressões sociais aumentam. Diz a lenda que aos 30 e poucos as mulheres, para serem felizes e realizadas, precisam ter a carreira estabilizada, casada e planejando ter filhos, se ainda não os teve. A intenção desse texto é dizer que nada disso nos define mulher tampouco mede nosso valor.

Nada contra a vida a dois. Para algumas pessoas casar, ter filhos e cuidar do lar é uma escolha que as deixam realizadas e felizes. Note, eu disse: ESCOLHA. Carreira profissional, independência financeira, casamento e maternidade como escolhas e não como destino-imposição, são conquistas.

Muitas mudanças significativas se deram na história da mulher, mas ainda assim certos estereótipos pesam e dão à mulher um papel subserviente na nossa sociedade.

O que podemos observar é que: seja qual for o papel social que a mulher assumir as exigências sobre elas serão maiores do que aos homens, pois elas são apontadas, cobradas e por vezes entrarão em conflitos.

As mulheres têm assumido novos papéis sociais na contemporaneidade, porém o novo ideal de mulher que lhes é imposto é o de que: a mulher tem que ter carreira estabilizada, autonomia financeira, corpo em forma, ser bonita e ao mesmo tempo cuidar do lar e afazeres domésticos, ser ótima mãe e esposa dedicada (PAPALIA, OLDS, FELDMAN, 2006).

Ainda de acordo com esses autores, esse ideal sustenta o paradigma que associa a realização da mulher à maternidade, além de impor que as mulheres conciliem seus desejos com padrões pré-estabelecidos sobre elas. Qualquer “falha” nessa somatória de atividades, por vezes, gera conflito e sentimento de incompetência e culpa na mulher frente a ela consigo, com filhos, marido e família.

Dentre as novas perspectivas de papéis, há as mulheres que optam por não ter filhos, e entre elas algumas sofrem pela insegurança, o medo de se arrependerem de não ter tido filho, além de a cobrança da sociedade e da família recair sobre elas, principalmente se forem casadas ou tiverem um parceiro e independência financeira beirando os quarenta anos.

Faz-se necessário esclarecer que ser mãe é uma função e que o amor materno é uma construção social e cultural e não algo inato ou instintivo (BADINTER, 1985).

Há também famílias onde os papéis da mulher e do homem estão mais igualitários, e pais e mães dividem as tarefas do lar e da educação e cuidado dos filhos. Segundo Strey (2007) os trabalhos domésticos, até então considerados de responsabilidade exclusiva da mulher, são vistos pelos homens como inferior por não serem remunerados, nem prazerosos e ainda serem repetitivos, o que causa resistência ao homem para executar, dada a imaginação popular de que ao realizar tais atividades, estará se inferiorizando.

Nossa sociedade reforça os estereótipos e os papeis atribuídos a cada gênero desde a infância na educação das crianças, onde os brinquedos e brincadeiras das meninas são visando o cuidado com o outro e do lar, enquanto as brincadeiras dos meninos são voltados para estratégias, comunicação, trabalho e social.

A maneira como é vista a carreira profissional também é distinta entre homens e mulheres. Em famílias nas quais ambos os pares trabalham, o homem é apoiado, é tido como responsável, enquanto a mulher é aquela que priva a família de seu convívio e cuidado (MC GOLDRICK, 1995).

Um número crescente de mulheres solteiras tem saído sem companhia masculina para restaurantes, bares, boates, cafés e muitas vezes o fazem sem a intenção de encontrar possíveis namorados, mas, mesmo assim, ainda hoje, situações desconfortáveis acontecem dada a imaginação popular que mulheres solteiras estão disponíveis quando só.

Essas situações revelam a separação dos espaços públicos e privados: público/homem, privado/mulher. Ou seja, cabe à mulher se resguardar uma vez que os espaços públicos não lhe pertence.

Grande parte das mulheres solteiras e bem resolvidas se mostram exigentes no momento de escolher seu par, buscando características como: companheirismo, afinidade, cumplicidade, sensibilidade, compreensão, agregar valores e ideais, os sentimentos precisam ser percebido de ambas as partes através de palavras e atitudes e valorização do diálogo. Elas prezam, mesmo num relacionamento, por sua individualidade, independência e autonomia. Quando sós, elas são capazes de contar com recursos internos próprios.

As mensagens transmitidas pela mídia através de filmes, séries e novelas representam as mulheres como inimigas entre si, competitivas tendo o homem como troféu, carregam conotações sexuais e são separadas entre santas e putas.

O modelo único de casar, ter filhos e ser feliz para sempre deixou de ser destino para ser escolha. Nos dias atuais as mulheres podem dedicar-se aos estudos, ao mercado de trabalho, ganhar autonomia e independência, podem ser seletivas na escolha do parceiro para um relacionamento amoroso, adiam o momento de ter filhos ou optam por não tê-los. E tudo graças ao movimento feminista (motor dessa mudança), surgimento da pílula anticoncepcional, liberdade sexual, possibilidade do divórcio e inserção no mercado de trabalho, conquistas de direitos iguais entre homens e mulheres, independência financeira, tudo isso contribuiu para conquista de novos espaços e a mulher assume hoje, uma multiplicidade de papéis. Porém, há muito ainda para dizer, para debater, para abrir os olhos…

 

Aline Marcela de Moraes, Psicóloga, Técnica em Segurança do Trabalho, Técnica em Administração de Empresa. Psicóloga Clínica em consultório particular desde 2016 – CRP: 06/130716 – Facebook: /ammpsicologa – e-mail: alinemarcela_moraes@hotmail.com – Fone: (14) 99679-2161.

 

 

 

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