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Artigo: NA LATA DO LIXO, por Gustavo Perez Pereira Andrade

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           Gustavo Perez Pereira Andrade

A deseducação sobre o descarte incorreto do lixo é generalizada no Brasil perpassando as diferentes classes sociais e denotando a falta de uma política pública para o tratamento adequado dos resíduos sólidos e líquidos. O Estado brasileiro, nas diferentes esferas da federação, não tem uma política pública adequada para o lixo, isto explica por que muitos rios morreram em São Paulo, por exemplo. Ao contrário do que pensa o senso comum, a abundância dos trópicos não é infinita.

O pensamento imediatista e individualista, que tem o conjunto da população visando sempre a si mesmo e esquecendo que estamos inseridos numa coletividade, ou ainda a percepção equivocada que a biodiversidade brasileira é infinita, que os rios e as florestas não podem se esgotar, que nossos recursos hídricos não têm fim, corrobora no nosso imaginário social para o descaso com os restos, as sobras que trasbordam na lata do lixo, portanto, é necessário que os governos em nível federal, estadual e, sobretudo, os governos municipais tenham políticas públicas claras e definidas no que tange ao descarte adequado dos resíduos sólidos e líquidos.

A cidade de Marília já começou a universalizar o saneamento básico através do tratamento dos resíduos líquidos, mas a cidade precisa solucionar o problema do lixo. Problema este que tem dois lados, a face da dinâmica cultural e a do poder públicos produzindo uma simbiose, cujo primeiro impacto é a reprodução da “cultura do lixo”, que pode ser comprovada pelos descartes incorretos deste pelas ruas de Marília e/ou em terrenos desocupados.

Para solucionar a cultura do lixo, é necessário que o município por meio da Secretaria do Meio Ambiente e Limpeza Pública promova uma campanha popular para desenvolver a consciência dos munícipes sobre o descarte correto dos resíduos sólidos e crie locais para descarte de entulhos, óleo de fritura e aparelhos eletrônicos na semelhança dos ECOPONTOs (Estação de Entrega Voluntária de Inservíveis) existentes na cidade de São Paulo.  A cidade também deveria criar um fundo para estimular a criação de Cooperativas de Reciclagem, empregando os catadores de lixo.

Além disso o que sobrasse dos resíduos e não desse para ir à reciclagem, em vez de ir para um aterro sanitário acarretando custos poderia servir de matéria-prima para energia, a exemplo, do que ocorre na cidade de Tóquio no Japão, onde “a queima acontece por uma hora, à temperatura de 1.800 graus centígrados. De um lado, forma-se um gás, que por uma tubulação alimenta uma turbina geradora de energia. De lá, sai eletricidade para atender o equivalente a 10 mil casas. De outro, o que sobra da tal queima, resíduos e metais, são reaproveitados em sua quase totalidade como, por exemplo, para asfaltar ruas. ”

O Brasil já tem usinas que geram eletricidade a partir do lixo, isto não apenas reduz o preço da eletricidade como também faz aquilo que não tem valor algum gerar renda e emprego. Podemos afirmar categoricamente que 100% do reaproveitamento do lixo de Marília injetaria mais verbas no orçamento do município possibilitando a redução da pobreza local e mais qualidade de vida ao mariliense.

Gustavo Perez Pereira Andrade, professor da Rede Estadual de Educação, Cientista Político graduado pela UNESP de Marília e membro do PT.

Referências

https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/especial-publicitario/prefeitura-de-marilia/noticias-de-marilia/noticia/2019/05/15/marilia-tera-100percent-do-esgoto-tratado-ate-o-final-de-2020.ghtml

 https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/subprefeituras/amlurb/ecopontos/index.php?p=4626

https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2019/08/01/area-interditada-em-marilia-continua-sendo-utilizada-para-descarte-de-entulho.ghtml

https://www.youtube.com/watch?v=e7VxozIKNVI  Record TV Paulista

http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2017/03/tratamento-de-lixo-no-japao-e-exemplo-de-cuidado-com-o-ambiente.html

https://ibracam.com.br/blog/1a-usina-do-brasil-a-gerar-energia-a-partir-do

 


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