Artigo: “O exército brasileiro e seu papel na história política do Brasil”, por Gustavo Perez Pereira Andrade

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Gustavo Perez Pereira Andrade

A FEB ou Força Expedicionária Brasileira foi o grupamento militar de 25.834 homens enviados para combater na Itália o Nazi-fascismo durante a 2° guerra mundial.  Após o torpedeamento de navios cargueiros pela Alemanha a nação brasileira estava convulsionada, e sua população pedia que o governo declarasse guerra à Alemanha e aos países do EIXO.

O então ditador nacionalista e popular Getúlio Vargas declara guerra à Alemanha Nazista. O Brasil envia cerca de 25 mil homens para combater na Itália, uma força miscigenada composta por negros, brancos e brasileiros de origens orientais. O descrédito alemão quanto ao envio de tropas é ecoado, pois dizem que Hitler falou: “que seria mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil mandar soldados para lutar”*, isto acabou por virar lema dos nossos soldados.

Temos orgulho deste exército que lutou pela abolição recusando-se a capturar escravos, proclamou a república em 1889 e ao regressar ao Brasil, no pós Segunda Guerra, pôs fim à Ditadura do Estado Novo. Deste exército cuja bravura contra os nazistas é até hoje reconhecida na Itália, fica a nossa admiração. Não o exército que em 1964 se submeteu ao papel de tropa mercenária dos EUA, até mesmo perseguindo os seus quadros, após liderar as forças civis e paramilitares num golpe que depôs o presidente eleito Joao Goulart.

O exército que, mesmo durante a ditadura e com todos os crimes contra a humanidade, conseguiu se reformular deixando de lado seu papel de subserviência perante os Estados Unidos, assumindo um projeto nacionalista e autônomo cujo grande expoente foi o ditador-presidente e general Geisel, não parece ser o mesmo que na atual conjuntura política serve como pilar de sustentação a um candidato a ditador, força militar que é conivente com a privação energética da nação, permitindo o desmonte da Petrobrás e a entrega do patrimônio do povo ao capital Sino-Ianque.

De nacional e nacionalista, o exército brasileiro tem: a bandeira, a sua história e os membros, pois os principais líderes militares da nossa força militar, a exemplo dos seus comandantes, o presidente e o vice-presidente da república, passou a ser entreguista, isto é, promovendo a entrega do patrimônio nacional ao imperialismo e ao capital internacional, seja este capital estadunidense ou sino e europeu. Também é preciso dizer que os “principais” quadros militares e ou os que dizem representar a tropa demonstram ser antidemocratas pregando a todo instante a quebra da ordem institucional e o fim da legalidade.

Além disso, o exército mancha seu uniforme ao se submeter a estes “chefes” civis, emprestando-lhes sua honra para a sustentação política de um governo cujo presidente está sem partido, tudo isso pode ser comprovado pelo grande número de militares que ocupam diversos cargos no governo, destaque para o eterno ministro interino da saúde.

Pergunto-me pode o exército brasileiro que foi o maior símbolo da derrocada do Nazi-Fascismo com sua força aeroterrestre multiétnica, servir de alicerce político para um governo abertamente racista? Pode o exército que é para defender seu povo permitir a continuação de seu genocídio? Pode o exército que na sua história derrubou uma ditatura voltar a ser o artífice dos golpes? Pode o exército que na sua história proclamou a república e nos livrou da fabula monárquica pregar a neocolonização do país?

https://www.defesanet.com.br/defesa/noticia/34849/Gen-Ex-Leal-Pujol—O-Exercito–a-Nacao-e-a-Republica/

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-51646346

https://www.megacurioso.com.br/educacao/110151-a-cobra-vai-fumar-a-participacao-do-brasil-na-segunda-guerra-mundial.htm

*As histórias em torno da origem da expressão são inúmeras: que a provocação teria partido de um jornalista do Rio Janeiro, ou até mesmo que Hitler teria proferido as tais palavras. O fato é que “a cobra fumando” virou lema (e até mesmo distintivo!) da Força Expedicionária Brasileira, a FEB, força militar enviada à Europa para lutar ao lado dos Aliados durante a Segunda Guerra.


Gustavo Perez Pereira Andrade, professor da Rede Estadual de Educação, Cientista Político graduado pela UNESP de Marília e membro do PT.


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