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Artigo: “O ovo da serpente”, por Professor Juvenal e Professora Maria Elvira Nóbrega Zelante

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Professor Juvenal

O Ovo da serpente

Professor Juvenal e Professora Maria Elvira Nóbrega Zelante

Urge que o recurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que questiona a imparcialidade do então juiz Sergio Moro, Ex-Ministro da Justiça de Bolsonaro, seja julgado pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal para que se faça justiça. Caso o ex-juiz seja considerado suspeito, os processos de Lula que foram conduzidos por Moro voltarão à fase de denúncia e as condenações em dois processos (Triplex do Guarujá e Sítio de Atibaia) serão anuladas, além de haver retrocesso na ação sobre supostas ilegalidades envolvendo recursos para o Instituto Lula. Juristas de renome, os advogados de Lula e as revelações da Vaza-Jato, pelo “The Intercept Brasil”, apontam falhas, irregularidades, fraudes nos processos de Lula e na conduta de Moro que agiu como um agente político que visou apenas tirar Lula das eleições presidenciais de 2018, para eleger Bolsonaro e fazer parte do seu governo, como se comprovam os fatos acontecidos.

Enquanto perdurar a injustiça contra Lula, fatos como o que ocorreu no dia 19 de maio de 2020, continuarão a ter repercussão negativa, pois a mídia conservadora, genitora do golpe de 2016 e apoiadora da candidatura de Bolsonaro, sente-se no direito de espezinhar Lula com falsas análises das intenções de sua fala. Lula deu uma entrevista a Mino Carta de “Carta Capital” na qual empregou uma expressão inadequada. “Bastou uma frase mal-formulada e tirada de seu contexto para que a imprensa conservadora recaísse no seu esporte preferido: o antipetismo”.

Qualquer pessoa de QI médio e que entenda o mínimo sobre interpretação de textos sabe muito bem que Lula não acha boa a epidemia de coronavírus. Ao contrário de Bolsonaro ‘et caterva’, ele nunca menosprezou o Covid-19 e está autenticamente preocupado com seus efeitos desastrosos, especialmente entre os mais pobres. Lula nunca disse ou diria ‘e daí’?

Lula nunca diria que a ditadura deveria ter matado uns 30 mil, nunca elogiaria torturadores, nunca seria insensível ao sofrimento do povo brasileiro. “Mais do que declarações, sua longa biografia atesta isso de forma absoluta” (Marcelo Zero, sociólogo, assessor da liderança do PT no Senado).

A mídia venal, golpista, entreguista, genitora de Bolsonaro e, agora, com vergonha do monstro miliciano e neofascista que alçou à presidência, quer colocar Lula e Bolsonaro no mesmo saco, dizendo que são faces da mesma moeda. Mas todos sabem que Lula é pulsão de vida, é amor, solidariedade, solução para os problemas, enquanto Bolsonaro é o oposto: pulsão de morte, caos, conflito, mentiras, prática explícita da necropolítica. Não há comparação entre os dois.

Mas de onde surgiu tanto ódio ao Lula?

Infelizmente, desde o período anterior ao golpe contra a DILMA, todas as forças do Neoliberalismo Financeiro, usando a mídia corporativa, iniciaram a campanha do ódio contra o Partido dos Trabalhadores. O período Lula e Dilma foi marcado por um governo Social Democrata no qual todos os brasileiros obtiveram grandes progressos, tanto na economia quanto no social, mas a cegueira do povo e o ódio da burguesia deram início ao “ovo da serpente”, ou seja, a tudo aquilo que, ao nascer, seria pernicioso para a coletividade.

A mentira contra políticos da esquerda e progressista sempre foi a arma da direita e extrema direita para derrotar projetos que tragam pequenas melhoras na vida dos mais humildes visando a um estado de bem-estar social. A tática é sempre a mesma, usam as fakenews e processos LAWFARE (mensagens mentirosas e processos jurídicos sem provas) para difamar, derrubar, prender e até matar quem queira melhorar a situação do país como um todo, especialmente a dos mais pobres, provocando sua ascensão social. Foi sempre assim de tal forma que podemos citar alguns grandes presidentes que sofreram o mesmo processo, por realizarem benefícios ao povo, por exemplo: Getúlio Vargas; Juscelino Kubitschek; João Goulart; Lula e Dilma (Criação dos BRICs, ampliação do mercado consumidor para os nossos produtos, descobrimento do Pré-Sal, imposição de uma política nacionalista para desenvolver o país, criação do PAC, de Universidades e Institutos Federais, ampliação de nossas reservas internacionais que passaram de 37 bilhões para 351 bilhões de dólares; melhora dos programas para beneficiar os trabalhadores, em todos os sentidos).

O ovo da serpente, desde o início do governo Lula, iniciou o desgaste do Partido dos Trabalhadores e de suas principais lideranças, através da mesma estratégia que os donos do dinheiro sabem fazer: “Fakenews e processo LAWFARE”, tudo num crescente para depor a DILMA, prender o Lula e eleger o Bolsonaro, por erro de percurso, pois o candidato do capital era Geraldo Alckmin. Agora, que fizeram um grande estrago na vida dos brasileiros, tudo indica que o projeto neoliberal cairá e, num segundo momento, a burguesia enfraquecida será derrotada pela Social Democracia e nós teremos, novamente, um período de progresso em todos os níveis e para todos.

Como disse o Lula, em uma pandemia monstruosa como a que estamos vivendo, percebemos a importância do Estado, único capaz de resolver problemas graves e não o mercado. Percebemos a importância do SUS que tem sido tão maltratado, mas é o que está salvando vidas agora. E percebemos que o capitalismo não pode continuar provocando tanta concentração de renda e tanta desigualdade social.

Mas, para que o neoliberalismo seja derrotado e substituído por modelo de bem-estar social, dependemos do crescimento da consciência popular e progressista do nosso povo que deve ter luz própria e deixar de seguir o falso brilho da mídia corporativa, dos empresários predadores e do sistema financeiro.

Por enquanto nosso olhar deve estar direcionado à vida, nosso dom mais precioso, portanto isolamento social de nossa parte e renda emergencial, crédito, reforço às pessoas, estados e municípios por parte do governo. A vida de todos importa!

Prof. Juvenal de Aguiar – Diretor Estadual da APEOESP e Maria Elvira Nóbrega Zelante – professora aposentada, militantes do Partido dos Trabalhadores e Membros da Executiva Municipal de Marília.


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