Últimas

Artigo: ” O PAI QUE DESEJO SER QUANDO CRESCER…”, por Dr. Wevilling Fontoura

Compartilhe

 

Eu sei. Talvez, alguns dirão: poxa vida! Este colunista não deveria escrever artigos ligados a sua área jurídica? Ou talvez, ainda outros pensarão: Ah! Que nada! Deixe-o ser feliz!

De fato, hoje, dia 9 de agosto de 2020, Dia dos Pais, gostaria apenas de fazer um breve reflexão com o querido leitor sobre o tema acima. A verdade é que somos todos livres para dar nossa própria opinião!

Nos dias de hoje creio que um dos maiores perigos no exercício da liberdade de expressão, esteja em evitar ofensas, ataques desnecessários, trazendo com isso, conotações danosas aos cidadãos, inclusive aos leitores que serão os consumidores diretos daquela informação.

Assim sendo, o objetivo deste artigo de hoje, diferentemente do que já fora publicado, consiste em trazer o leitor a uma clara e objetiva reflexão da importância que a participação de um pai tem na condução e criação de um filho (a).

Por se tratar de uma história real, chamaremos o autor da carta de Pablo por motivos de preservação de intimidade. Conheci sua história por se tratar de um de seus filhos e amigo meu, o qual me deu autorização para que expusesse o assunto.

Eis sua história:

Sou o filho mais velho de 9 (nove) irmãos. Nosso pai nos abandonou e foi embora de casa quando éramos pequenos. Ele bebia muito e maltratava nossa mãe. Desde criança recebi a brilhante e árdua tarefa da qual me orgulho tanto, que foi a de ajudar minha mãezinha a cuidar de meus irmãos. Realmente sequer tive infância. Muito cedo já trabalhava na rua, vendendo doces, engraxando sapatos, lavando pratos. Realmente não sei o que é brincar, jogar bola com os coleguinhas. Não pude estudar, pois o tempo que tinha precisava correr atrás do almoço para garantir a janta de toda a família.

Jamais recebi um abraço de meu pai, nem me lembro de sua aparência, muito menos seu rosto. Até hoje não sei se me pareço com ele ou não.

Em minha vida durante toda essa caminhada difícil, tortuosa, fui crescendo e amadurecendo junto com a vida. Assim como quando se planta uma semente, daí, ela cresce, se torna em uma bela árvore dando lindos frutos.

Nunca tive com quem contar, alguém a quem pudesse confiar meus sonhos, que pudesse de fato e de verdade ser meu amigo. Por muitas vezes eu chorei de tristeza, pois não poderia passar aquele sentimento de fraqueza a meus irmãos e muito menos minha mãe que trabalhava de faxineira o dia inteiro para fazer uma renda apenas para garantir o aluguel da casa, um humilde barraco de madeira num bairro periférico. Sim, pois a parte da alimentação ficara por minha conta.

Assim era minha infância, uma criança triste e totalmente introspectiva. Um tanto solitária e que sempre preferiu guardar a sete chaves todas os seus profundos segredos.

De vez em quando ficava imaginando por alguns minutos como seria minha vida se meu pai não tivesse abandonado a família, se ele, ao invés, de ter abandonado esse maravilhoso e belo papel no núcleo familiar tivesse ficado ali, junto dos filhos, da esposa. Como teria sido nossas vidas…

Agora que cresci, estou mais maduro, vou descrever um pouco de como faço para ser um pai de verdade para meus filhos: Manuel, Amélia, Patrícia e Fernando. Não estou aqui para dar lição em ninguém, mas sim abordar um pouco de minha experiência de vida como pai que tenho procurado ser.

Busco ser o melhor amigo de meus filhos. Sim, quero e tenho procurado me tornar a cada dia, um exemplo para eles. Afinal de contas, não posso e não devo criá-los para mim, mas sim para a “mãe-vida”. Pois acredito que assim, aprenderão lidar com as angustias e tristezas que a vida poderá lhes oferecer.

Desejo prepará-los para que quando eu me for dessa vida, possam ter em suas memórias   como a um pai que não lhes abandonou, de que quando precisaram de mim estive ali sempre pronto em os ajudar. Sem esperar nada em troca!

Agindo desta maneira, desejo que façam sua própria história nesta vida, sejam acima de tudo cidadãos de bem, cumpridores de suas obrigações em todos os sentidos. Atuem como autores da história de suas vidas e jamais como figurantes.

O fato é que nos dias de hoje o “mundo” tem demonstrado através de inúmeros caminhos, possibilidades infinitas em desconstruir a maior instituição desta Terra, qual seja, a Família, tenha ela a formação que tiver.

Enfim, é a educação de dentro de casa que damos aos nossos filhos, que poderão ajudar com que sejam pessoas melhores num breve amanhã.

Você com razão deve estar se perguntando: Como ele obteve essa educação se o mesmo não teve pai?

A resposta é que esse era apenas o desejo dele caso tivesse tido uma nova chance nessa vida. Ele faleceu e deixou este registro em forma de carta.

Não vamos deixar que essa chance que nos fora dada passe sem que tenhamos feito por onde enquanto em vida.

Um feliz dia dos pais a todos!

 

*Dr. Wevilling Fontoura: possui graduação em Direito pelo Centro Universitário Euripedes de Marília/SP, tendo colado grau no mês de fevereiro de (2015); Pós graduação – Especialização em Direito Empresarial (2019) pelo Centro Universitário Euripedes de Marília/SP. Atualmente é advogado autônomo – Fontoura Advocacia. Tem experiência na área de Direito, com ênfase em Direito do Processual do Trabalho. Possui experiência nas áreas do Direito de Família, Empresarial/Trabalhista e Previdenciária. Passou no XV Exame da Ordem dos Advogados do Brasil sem fazer qualquer tipo de cursinho preparatório, tendo obtido nota máxima na peça prática da segunda fase antes de colar grau. Passou em 2º lugar na classificação geral no concurso de estagiário de nível Superior no Curso de Ciências Jurídicas, tendo concorrido com Bacharéis de todo o Estado de SP, para atuar junto ao Plantão da Policia Judiciária de São Paulo. No mesmo período passou em 1º lugar no vestibular para o curso de Segurança do Trabalho no Centro de Tecnologia de São Paulo. Foi monitor do Profº. Dr. Lafayette Pozzoli currículo lattes: (http://lattes.cnpq.br/8694816798386054) durante todo o período de 2012 na disciplina: Filosofia do Direito, do Curso de Ciências Jurídicas no Centro Universitário Eurípedes da Rocha. Como advogado: Atua nas áreas consultiva/contenciosa, com a elaboração de peças processuais, inclusive recursos em 2ª e 3ª instâncias. Realização de audiências iniciais e de instrução. Desenvolvimento de argumentações e teses. Realização de reuniões com clientes. Contratações de correspondentes e orientação. Acompanhamento processual e elaboração de relatórios gerenciais. Atualização do sistema de processos CPJ. Emissão de pareceres legais, atuação com preventivo, entre outras atividades pertinentes a função da advocacia.


Compartilhe

Comente

Seu email não será publicado. Campos marcados são obrigatórios *

*