Artigo: “O QUE NOS CONTA OS CONTOS DE FADAS… Era uma vez…”, por Aline Moraes

Compartilhe

Aline Moraes

A vida de cada ser humano é construída diariamente repleta de alegrias, tristezas, aventuras, frustrações, medos, vitórias… Portanto, toda vida é uma história. E, ouvir outras histórias, como os contos de fadas, possibilita a refletir sobre sua existência e a viver uma infinidade de emoções com as quais identifica as suas próprias alegrias, seus desejos, seus medos, incertezas, vitórias, derrotas, raiva, insegurança de forma simbólica.

Ao estudarmos a estrutura dos contos de fadas, constatamos que as histórias sempre iniciam com um problema à busca de soluções, as quais se ligam com a realidade e que trazem um desequilíbrio na tranquilidade da história. Em seguida, o desenvolvimento vem com a busca de respostas, com inserções de planos fantasiosos, havendo assim a presença de elementos fabulosos. O fechamento acontece com a volta ao mundo real, e com o problema do inicio já resolvido.

Os contos de fadas exibem problemas existenciais de maneira acessível e simples à compreensão das crianças e ainda dão oportunidade de soluções que as amenizam das tensões. Sendo relevante aborda-los enquanto recursos terapêuticos.

Obra-prima da humanidade, os contos de fadas surgiram há muitos séculos. No início não eram destinados às crianças, e só com o passar dos tempos se tornaram mais sutis (MORAES, BARACAT, 2015).

A grande predominância dos contos de fadas está em retratar relações humanas e sentimentos, a dimensão histórica, os valores e a cultura de um povo. Sob o olhar da psicanálise, os contos de fadas são vistos como metáforas de processos psíquicos que as crianças vivem inconscientemente (MORAES, BARACAT, 2015).

Eles são de suma importância para o desenvolvimento psíquico e cognitivo da criança, viabiliza também entrar em contato com a desordem interna e a elaborar esses conflitos, pois remetem que, com coragem, determinação e perseverança é possível vencer as dificuldades que surgem na vida.

Outra contribuição dos mesmos encontra-se na universalização dos problemas. Isso remete a uma garantia que a criança não está sozinha em sua dor, por isso, é considerado que a leitura ou a narração dos contos de fadas lança reflexões, mesmo quando a criança se encontra sozinha. Quando recordar da história, pode sentir-se mais reconfortada. Sendo fonte de prazer em sua narração ou representação.

Ao ouvirmos, contarmos ou criarmos uma história deparamos com a magia da ficção. Esse mundo de fantasia pode servir como mediador, onde aprendemos a lidar com a realidade. Os personagens dos contos de fadas favorecem o desenvolvimento afetivo e cognitivo. O encantador nos contos de fadas é que eles despertam questões, nos angustiam, nos coloca em transformação.

Eles diferem-se das demais histórias infantis pelo uso da magia e encantamentos, num núcleo problemático existencial no qual o herói ou a heroína busca sua realização pessoal através do enfrentamento dos obstáculos a ser vencido.

Segundo Moraes e Baracat (2015), os contos de fadas são histórias sempre atuais, porque são alimentadas de sabedoria prática que não envelhece, pois se fundamenta na natureza humana, nos sentimentos, medos, angústias, esperanças, alegrias e esses aspectos continuam os mesmos, independente do século. Sua linguagem simbólica proporciona a catarse e promove um ensaio geral da vida.

Possibilitam que a criança adeque o conteúdo inconsciente às fantasias conscientes; este mecanismo a capacita a lidar com esse conteúdo, normalmente repleto de repressões e angústias.

Para Moraes e Baracat (2015), as pessoas escolhem os contos que trazem enredos semelhantes aos seus conflitos, porém, preferem aqueles que não o fazem de forma direta. Exemplo a mãe má como uma bruxa, na branca de neve.

Ainda, de acordo com as mesmas, eles remetem diretamente ao foco do dilema, a necessidade de ser amado, o medo de se perder, as angústias de uma personalidade em formação, as ambivalências de sentimentos, apresentando assim as resoluções de tais dilemas de um ponto de vista, que a criança consiga enxergá-lo.

Os contos de fadas funcionam como válvula de escape e possibilita que a criança vivencie seus problemas psíquicos de modo simbólico, saindo mais preparado dessa experiência (MORAES, BARACAT, 2015).

Aline Marcela de Moraes

Psicóloga – CRP: 06/130716

E-mail: alinemarcela_moraes@hotmail.com

Facebook: /ammpsicologa

Instagram: @psico.aline

Fone: (14) 99679-2161

 

Bibliografia:

MORAES, Aline Marcela de; BARACAT, Juliana. O Conto de Fadas e seu uso na Clínica Psicanalítica com crianças. Revista Científica Eletrônica de Psicologia. FAEF, 24ªEdição, nº1, maio de 2015.

 


Compartilhe

Comente

Seu email não será publicado. Campos marcados são obrigatórios *

*