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Artigo: “O tucano que queria ser pavão”, por Gustavo Perez Pereira Andrade

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Gustavo Perez Pereira Andrade

Não muito distante daqui, num reino de 44 milhões de pessoas, cujo lema de sua bandeira dizia em latim: Pro Brasilia fiant eximia (“Pelo Brasil faça-se o melhor”), havia um tucano que queria ser pavão; dizem até que ele até gostava de dançar sobre as mesas ao som de Tim Maia, e também havia boatos de que ele aspirava ser presidente da República Federativa do Brasil.

Sua Majestade, digo o pavão, não o tucano havia construído um governo baseado no tripé confisco das aposentadorias dos velhinhos, achatamento dos salários do funcionalismo público, construção de obras inúteis como pedágios e penitenciárias sob o melhor lema da gestão.

Nesta pátria do tucano-pavão não havia planos de ferrovias, trens balas, sequer cogitavam sobre escolas com piscinas olímpicas, salas de teatros. Talvez o ambiente não fosse para cultura, afinal isto não é gestão, pensar não dá lucro e um bom gestor precisa apenas treinar a mão de obra.

Sobre a educação neste reino do tucavão, inventaram-se novas disciplinas como tecnologia, mas é curioso que as escolas públicas deste principado não tinham laboratórios hi tech, ou talvez quem escreve este texto tenha perdido a lucidez e a criatividade.

Mas tudo vai ficar bem e Marília, cidade polo de indústrias alimentícias e numerosos outros empreendimentos do centro-oeste paulista, estará sitiada por pedágios conforme já noticiado pelos jornais locais, mas nada está errado. Uma vez consagrada a fórmula mágica da concessão pública sobre as autopistas, não há outro meio para geri-las sem que a conta seja inteiramente paga pelo contribuinte.

Por que estou reclamando? Eu que amo a biodiversidade das espécies e pela primeira vez posso ver um fenômeno raro como um tucano com bico e penas de pavão, estou contrariado. Afinal, em 30 anos só como tucano, tudo ia bem; agora com esta metamorfose, o estado irá triunfar e seremos todos paulistas de adoção ou nascimento pegando o próximo avião rumo ao século XXI, sob a égide do progresso da usura e da ordem que trucida os mais fracos.


Gustavo Perez Pereira Andrade, professor da Rede Estadual de Educação, Cientista Político graduado pela UNESP de Marília, ativista do Instituto UNCORA – (Unidos Contra o Racismo) e membro do PT.


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