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Artigo: “Pátria Queimada, Brasil!”, por Cassiano Rodrigues Leite

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No Brasil, políticos e empresários aproveitam-se do momento difícil pelo qual passamos, para aprovar leis absurdas e fazer vistas grossas para outras, em nome do capitalismo e do lucro imediato. O Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, deixou isso claro, quando se referiu em “passar a boiada” na aprovação de novas leis pela câmara e congresso, que colaborarão para a degradação ambiental, principalmente na floresta amazônica.


Pouco se fala sobre o meio ambiente neste período crítico pelo qual a humanidade atravessa, onde todas as atenções estão voltadas para o vírus corona. E é neste momento que oportunistas se aproveitam para agredir e degradar aquilo que temos de mais precioso e essencial para nossa sobrevivência: o equilíbrio dos ecossistemas. Na Amazônia, por exemplo, houve em abril de 2020 um aumento de 171% no desmatamento, quando comparado ao mesmo período de 2019, segundo dados do Imazon. Foram 529 km de árvores derrubadas. O maior dos últimos dez anos. Em junho, os focos de queimadas no bioma foram os maiores para o mês nos últimos 13 anos, de acordo com o INPE. Foram 2.248 focos ativos, um aumento de 19,6% em comparação com o mesmo mês no ano passado, com 1.880 focos. E estamos apenas entrando em período de queimadas, que se estenderão até setembro. Enquanto o crime ocorre, as multas por desmatamento ilegal na Amazônia foram praticamente suspensas desde outubro de 2019, quando o governo estabeleceu que elas deveriam ser revistas em audiências de conciliação.
Quando falamos em árvores, há de se destacar que todo ecossistema envolvido é afetado diretamente: A produção de oxigênio é eliminada na mesma proporção, o sequestro do carbono deixa de existir, animais são queimados vivos, ou perdem seus habitats, reduz-se a evapotranspiração, formadora dos rios voadores que abastecem a região sudeste do país, por exemplo, além da perda de material genético que poderia servir como base para produção de remédios e cosméticos, através do manejo sustentável.


Na última semana, o maior grupo de investidores internacionais apontaram as falhas existentes na salvaguarda de nossa floresta, deixando claro que, não havendo cuidados com a Amazônia, o Brasil perderá recursos e investimentos captados no estrangeiro.
Ficamos, então, reféns de uma política na qual, ou perdemos nosso patrimônio através de desmatamentos predatórios, ou perdemos para empresas que visam nossos recursos sem o manejo adequado.
A população gostaria de saber apenas uma reposta: Qual a dificuldade em que o Governo Federal tem para manter um manejo sustentável na região, permitindo o equilíbrio ambiental nestas áreas, com recuperações e reflorestamentos, tal qual a Natura e outras empresas sustentáveis já o fazem? Há de se gerar empregos e riquezas na região, mas que esta seja gradual, e, principalmente, distribuída aos trabalhadores, e não somente aos grandes latifundiários que visam fazer da floresta uma gigantesca pastagem, meramente pelo lucro imediato, sem se preocupar com os impactos negativos que teremos sobre toda humanidade, tanto para esta, quanto para as demais gerações futuras, uma vez que a Amazônia é, sim, um dos pulmões do mundo.


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