Artigo: “Power to the Black People or Death!! / Poder ao Povo Negro ou Morte!!”, por Gustavo Perez Pereira Andrade

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Gustavo Perez Pereira Andrade

“I Have a Dream …. Eu tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos um dia viverão em uma nação onde não serão julgados pela cor da pele, mas pelo conteúdo do seu caráter. Eu tenho um sonho hoje”, trecho do discurso Martin Luther King na marcha sobre Washington D.C.

Cinquenta e dois anos após o assassinato do ativista negro norte-americano Mr. Luther King, eram convocados nos EUA (Estados Unidos da América) uma série de protestos, pelo movimento afro- norte-americano Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) contra o assassinato de um jovem negro por um policial branco.

Foi esta mesma abordagem policial seletiva e racista que me levou a escrever sobre o racismo no Brasil. Se trata de uma terceira experiência pessoal e desagradável, constituindo o estopim para ingressar nas fileiras do movimento negro local, o que desde já me motivou a procurar os membros do UNCORA (Instituto Unidos Contra o Racismo).

Para surpresa minha, nesta noite do dia 7 de setembro de 2020 os telejornais denunciavam que um jovem músico negro foi preso injustamente pela polícia, pois bem, sem mais delongas, vamos falar das minhas experiências com as abordagens policiais.

A primeira delas eu estava atrasado e com pressa para chegar ao local de trabalho, então disparei a correr de casa para apanhar a van que fazia o meu translado até a escola de Rosália, onde lecionava, quando do nada me aparecem três ou dois homens com armas em punhos, tendo que me deter a fim de argumentar e logo em seguida ser liberado.

Após este episódio, aconteceu um segundo, eu estava indo irrigar as mudas de árvores da Avenida Sampaio Vidal, que plantei ao longo das margens da linha férrea, naquela época não tínhamos água na avenida, então trazia a mesma em garrafas com minhas sacolas de feira, quando um carro da polícia paulista me parou, questionando-me sobre o que levava nas sacolas, mais uma vez eu protestei, a resposta azeda e intimidatória cessou quando mostrei as garrafas com água, nem desceram do carro e foram-se.

Por fim ontem 7 de setembro, data em que o país comemorava a independência, tempo em que povo negro e as demais minorias do país, como os indígenas não estão independentes do racismo, da descriminação da opressão do poder branco, foi justamente nesta data que pela terceira vez pude constatar o racismo estrutural, institucional como quiserem chamar. Estava em meu terceiro dia consecutivo realizando o translado das minhas mudas no carrinho de feira, da minha antiga casa na Rua 15 de Novembro para minha nova residência na Rua Benjamin P. de Souza, quando novamente a patrulha policial do mesmo bairro em que moro há cerca de 15 anos, me parou querendo saber se a casa estava vazia e se eu possuía antecedentes criminais.

            A carteirada está liberada, mas o negro não pode nem caminhar em paz pela rua. Enquanto isso é preciso notar que a figura do negro está alijada tanto das direções das instituições militares, quanto civis de todo país, Marília possui uma grande população de negros, mas jamais teve um prefeito ou vice-prefeito afrodescendente.

O poder branco, escravocrata, colonial continua a oprimir, seja o negro militar ou civil, a lei no Brasil não vale para o rei, os amigos e a casa grande; vale apenas para salvá-los das falcatruas. Porque o negro da periferia tem sobre si a lei da morte e não a do estado, faltam-lhe hospitais, escolas, lazer, bibliotecas etc. E quem não se recordará do eterno Almirante Negro, João Cândido, líder da revolta contra os castigos impostos aos negros na marinha brasileira, que foram herdados da época da escravidão. Portanto, nesta eleição o eleitorado negro deve votar nos candidatos negros e ou brancos que defendam os direitos dos negros e das demais minorias étnicas do país, portanto todo o poder as minorias!! Todo poder ao povo negro ou morte!!


Gustavo Perez Pereira Andrade, professor da Rede Estadual de Educação, Cientista Político graduado pela UNESP de Marília e membro do PT.

 


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UM comentário

  1. Eleição é coisa séria, é construção da sociedade que queremos, pense bem em quem vc é, se reconheça e busque a melhora do país para as pessoas q estão apartadas, vamos dar a nossa voz, vamos fazer o nosso som ecoar pelo direito a uma vida digna, pelo direito ao bem estar, à paz, a uma sociedade q investe no amor e não no ódio. Vamos parar de ser movidos pelo discurso e vamos observar bem os fatos. Ninguém precisa mostrar o que vc vai escolher, vc sabe do que está e estamos precisando. Vida nosso grande bem. Escolha a vida. Faça pela vida, escolha bem seu candidato.

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