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Artigo: “Sonhar outra vez”, por Gustavo Perez Pereira Andrade,

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Sonhar outra vez

                           A agenda neoliberal colocou na ordem do dia acabar com as praças e áreas verdes. Derrubaram-se os coretos, alagaram-se as avenidas!! As pessoas trancaram- se em suas casas, condomínios e apartamentos!!

                              Pobreza virou caso de polícia ou de indiferença, e a solidariedade pelo próximo foi sepultada nos sermões, nas missas e prédicas. A religião cedeu ao comércio da fé, a palavra de esperança ao medo.

Gustavo Perez Pereira Andrade,

                 São Paulo, cujo maior poeta cantava: “Saudosa Maloca, Maloca querida”, denunciando a desigualdade social e a especulação imobiliária, é hoje uma colônia do capital internacional que pilha nossas riquezas.

                 Suas ferrovias, seus bancos e até sua dignidade foram ao pregão da bolsa e as inversões do capital externo reproduziram a dependência econômica e a submissão da economia paulista ao capital especulativo, rentista e financeiro!!

                 Quem dera São Paulo poder sonhar outra vez e o Brasil voltar a ser o país da esperança, o país do futuro!! Trazer suas locomotivas aos trilhos, vida aos seus parques, renda a sua gente, dignidade aos milhões de trabalhadores. E empreendimentos que produzam capital e gerem empregos.

                 São Paulo não pode ser meramente um exportador de capitais para os bancos internacionais e um gerador de lucros para o exterior!! São Paulo tem de liderar a quarta revolução industrial do país, mas nosso sistema de educação, nossas formas de pensar estão a anos luz do desejável, nossos gestores não conseguem discernir o que é a 4° Revolução Industrial.

                 Nossos supostos líderes tanto os desta cidade, do estado quanto do país não sabem fazer do país um polo tecnológico; na contramão disto, as indústrias se vão e com elas, os empregos, tornando-se o país cada vez mais dependente das commodities e necessitando expandir o pasto à custa de queimadas e da saúde da população das cidades.

                 Em suma, o Brasil prefere alugar sua base espacial a ter um programa de lançamento de foguetes, quando tudo o que temos (internet, Wi-Fi, tabletes, telemóveis, as indústrias etc.) depende dos satélites. Sim, esperava-se um pouco mais de lucidez, mas nosso projeto de autonomia nacional foi sepultado nas últimas eleições presidenciais quando o suposto candidato antissistema e o paladino da moral cristã foi alçado à condição de chefe da nação.


Gustavo Perez Pereira Andrade, professor da Rede Estadual de Educação, Cientista Político graduado pela UNESP de Marília, ativista do Instituto UNCORA – (Unidos Contra o Racismo) e membro do PT.


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