Artigo: “Tempestade de Ideias”, por Gustavo Perez Pereira Andrade

Compartilhe

Gustavo Perez Pereira Andrade

Um dos principais nomes da oposição com capilaridade eleitoral para enfrentar a atual gestão municipal em Marília afirma que nada foi feito para melhorar a região central da cidade, o que é verdade, mas, como proposta para ajudar a recuperar nosso centro, argumenta sobre a necessidade  estacionamento para lojistas e consumidores, não fala em revitalização da Praça Maria Izabel, onde se localiza a Catedral  São Bento, e também não menciona a ausência de parques públicos para os moradores do centro e arredores.

Nossa cidade parece mesmo ter embarcado na onda motorizada, copiando o mesmo modelo de transportes adotado pela cidade de São Paulo e cujo grande legado a capital são os intermináveis congestionamentos, além de dois rios transformados em esgotos a céu aberto.

O transporte rodoviário com seus carros e autopistas não deu certo nem em Brasília que foi planejada para este fim. A “ cidade sonhada por Lucio Costa tem avenidas amplas que se perdem no horizonte …Imaginou-se para Brasília o convívio harmônico entre automóveis e pedestres. Mas passados 50 anos da construção da capital, não é isso que se vê. ”

Se até a capital federal sofre por não ter detalhado um plano de mobilidade urbana para coletividade, privilegiando o transporte individual sobre quatro rodas, em detrimento do transporte coletivo, imagine Marília que no último censo do IBGE em 2010 já apontou para um crescimento demográfico com 216.745 habitantes, o site do mesmo instituto estima que população de nossa cidade seja atualmente 240.590 habitantes

Evidente que nem toda força de trabalho possui veículos e que nem todos os munícipes tem habilitação, mas se atualmente os carros geram pequenos engarrafamentos nas ruas principais e inundam as avenidas a ponto de a cidade dobrar o número de semáforos, imagine se todos tivessem à sua disposição um automóvel.

O carro é um meio de transporte insustentável para nossa cidade, não apenas porque transporta poucas pessoas ocupando um vasto espaço, mas também porque ocasiona, tanto a poluição sonora quanto a dos combustíveis fósseis. Todavia meus argumentos são débeis e insolentes para aquilo que hoje se tornou o símbolo do progresso nacional, da modernidade brasileira, do status social, do poder, ele mesmo, o carro.

Mas temos que acreditar e sonhar que o novo gestor em 2021 terá sensibilidade de cuidar da nossa cidade através da solução do problema do lixo, institucionalizando áreas verdes, para que afinal nossa comarca possa ter um parque central à lá Ibirapuera, isto é, todo arborizado, projetando corredores de ônibus, desapropriando parte da Fazenda Cascata para a criação de um jardim botânico, rascunhando um metrô de superfície, abrindo ciclovias, transformando a rua 9 de julho em um calçadão, criando parques, centros culturais, bibliotecas e poliesportivos nos bairros. Mas tudo isto é uma utopia!! Que gestor há de entender que nossa cidade precisa priorizar o ser humano e sua convivência harmônica com o meio ambiente?  Que revitalizar os espaços públicos é proporcionar áreas de lazer !! Enquanto nossa cultura se resumir a derrubar o coreto da praça, ao invés de proporcionar um futuro a juventude, não passaremos de uma cidade de feudo. À noite você dorme na redoma de vidro chamada casa, de dia você trabalha e no final de semana restam os shoppings, reflexo da cultura massificada de consumo do ocidente, cujo legado é esta sociabilidade estranhada e apartada do próximo e do próprio meio natural, para asseguramos um futuro digno aos marilienses é preciso uma tempestade de ideias.

Gustavo Perez Pereira Andrade, professor da Rede Estadual de Educação, Cientista Político graduado pela UNESP de Marília e membro do PT.

Referências

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2010/07/21/interna_cidadesdf,203591/brasilia-e-a-capital-dos-carros.shtml

https://cidades.ibge.gov.br/brasil/sp/marilia/panorama



Compartilhe

Comente

Seu email não será publicado. Campos marcados são obrigatórios *

*