Artigo: “Um Programa Para a Crise”, por Gustavo Perez

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Gustavo Perez*

Todos os governos capitalistas querem só uma solução para a pandemia e depois para a crise econômica decorrente dela. Os próceres do sistema querem “Um Programa Para a Crise”, apostar que a vacina já foi feita, mas desenvolvê-la não é simples.  E mesmo depois da chegada desta, as coisas não voltarão ao seu lugar como num passe de mágica.

A crise da pandemia só poderá ser mitigada por ações governamentais que promovam a recuperação da economia e garantam condições sanitárias para sobrevivência da classe trabalhadora. Ao contrário do discurso do Ministro da   Economia, que opõe saúde e ciência a economia, este ignora o fato de que só o trabalhador saudável é capaz de exercer suas funções e construir a economia.

Não precisamos recorrer a nenhuma Teoria de Karl Marx ou ainda consultar os escritos de um economista brasileiro como Celso Furtado para saber que é o trabalhador quem gera riqueza, que é por meio dele que a economia se constrói.

Mas sem perder o foco, voltemos a discussão central do texto, qual proposta para crise? Como solucioná-la? Primeiro passo é admitir que o Brasil é hoje o epicentro da pandemia que a União Europeia e os Estados Unidos bem como todos os países latino-americanos cerraram as fronteiras ao Brasil, estes últimos permitindo apenas a circulação de bens e mercadorias essenciais. Sem turistas da Europa, EUA, sobretudo, da América do Sul, o país já perdeu milhões em dólares, euros e reais que poderia ser injetado na economia gerando empregos formais e informais.

Quando mais tempo estes países permanecerem com as fronteiras cerradas para o Brasil, são os brasileiros e suas famílias que vão perder. Para solucionar de imediato a imagem negativa do Brasil no exterior é necessário que o país realize um programa de testagem massivo nos trabalhadores dos serviços chamados essenciais e depois, nos outros setores que planejam votar ao funcionamento.

Os pilares para solução da crise brasileira devem se basear no abandono do negacionismo da crise sanitária, na testagem massiva da população e na criação de um amplo Plano econômico de estimulo a economia em semelhança ao New Deal realizado nos EUA em 1929 para combater a crise econômica decorrente da quebra da Bolsa de Valores.

Portanto é necessário que o ministro da economia, cujas as ideias econômicas se opõem a medidas como um New Deal seja demitido, uma vez que é este juntamente ao presidente da república, o mais notório representante do Consenso de Washington e da doutrina econômica neoliberal, que prega a redução estatal como solução para os problemas do país, quando justamente é o oposto disso que precisamos.

Sim! Precisamos de mais Estado na Economia, de amplas obras públicas nas escolas de norte a sul para garantir condições sanitárias à volta dos alunos e docentes e para que estas possam gerar milhões de novos empregos. Precisamos de uma ampla reforma tributária que taxe os lucros exorbitantes dos bancos, dos 1% mais ricos da população brasileira que concentram quase 90% de toda a riqueza nacional, de um amplo programa econômico que construa ferrovias, incentive o estabelecimento de startups (empresas de tecnologia), necessitamos desde já de um programa estatal e governamental de crédito e microcrédito. Além de ser importantíssimo que a ajuda de 600 reais seja do valor de um salário mínimo e que este seja reajustado.

Gustavo Perez, professor da Rede Estadual de Educação, Cientista Político graduado pela UNESP de Marília e membro do PT.

Referências:

https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/o-new-deal.htm

https://pt.wikipedia.org/wiki/Neoliberalismo

https://www.causaoperaria.org.br/para-guedes-saida-da-crise-e-roubar-o-povo-por-meio-de-reformas/

https://www.causaoperaria.org.br/povo-sem-auxilio-morre-de-fome-e-guedes-diz-a-vida-esta-boa/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_do_valor-trabalho#:~:text=A%20teoria%20do%20valor%2Dtrabalho,atividade%20econ%C3%B4mica%20%C3%A9%20essencialmente%20coletiva.&text=N%C3%A3o%20pode%2Dse%20confundir%20essa,lei%20da%20oferta%20e%20demanda.

 


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