AS ELEIÇÕES E AS REDES SOCIAIS, por Marcilio Felippe

AS ELEIÇÕES E AS REDES SOCIAIS

por Marcilio Felippe

Terminada a disputa eleitoral, retornamos a nossa vida cotidiana, ainda na ressaca do que foi uma das mais conturbadas campanhas presidenciais. Polarizada como se viu, mas com a polarização já existente potencializada, pois trata-se de dois extremos: partidos de esquerda tentando se manter no poder e uma onda conservadora e de direita tentando quebrar um ciclo de governo que já dura décadas.

Sem entrar no mérito das discussões partidárias e do viés ideológico, defendido por esse ou aquele candidato, é inegável a importância e a força das redes sociais nesse processo. A velha fórmula da propaganda gratuita nas rádios e nas Tevês (que de gratuito não tem nada, pois as mídias são beneficiadas com descontos em seus impostos devidos) se mostraram ultrapassadas e ineficazes.

Os entediantes debates, com um formato velho e inócuo entre candidatos, também mostrou que precisa ser reformulado: é confuso, tolhe o debatedor e, com tempo escasso, faz com que o candidato não consiga terminar de expor suas ideias e argumentações. Com isso, torna-se uma arena de ataques e agressões verbais, terminando por se digladiarem, oferecendo um espetáculo grotesco transmitido ao vivo para o país. Ofensas não precisam de tempo, Ideias sim.

O que também ficou muito claro nessa campanha foi que os bilhões destinados ao fundo partidário gastos pelos candidatos, não passa de um embuste para abocanhar dinheiro público. A ex presidente Dilma Rousseff por exemplo, declarou ter gasto R$ 4,3 milhões com sua campanha para o senado de Minas Gerais e não foi eleita. Já a advogada Janaína Paschoal gastou apenas R$ 40 mil do próprio bolso e foi a deputada estadual mais votada da história de São Paulo.

Fica comprovado que milhões de reais não compram a consciência de um eleitor mais atento. De um lado, a figura da presidente que foi afastada do cargo por descumprir as leis orçamentárias vigentes. Do outro estava a autora, junto com outro renomado jurista, do pedido de impeachment que culminou com a retirada de Dilma da presidência do país. Esse exemplo mostra que o país está de fato, do lado dos que combatem a corrupção no país.

O partido que outrora tinha na sua militância de rua, seu maior trunfo eleitoral, subestimou o poder da era digital, continuou a erguer bandeiras e a ostentar camisetas vermelhas. Já em 2014 o Partido dos Trabalhadores sentiu os efeitos da velocidade da informação nas redes sociais: na maioria das prefeituras do país, seus candidatos praticamente foram varridos pelos eleitores. No Estado de São Paulo, onde tradicionalmente o partido possui a maior rejeição, dos 645 municípios, o PT emplacou um prefeito apenas, na cidade de Hortolândia.

A internet, as redes sociais e a forma como as informações estão sendo disseminadas, possuem um poder de articulação e mobilização gigantesco. Para quem subestimou a capacidade e a força da informação, disparadas segundos após os fatos, ficou para trás. Fugiu totalmente do controle de quem imagina tê-la em moldes mais arcaicos. Ainda há muita tecnologia a ser usada, atualizada e não temos a mínima noção de onde poderemos chegar.

Foi nessa seara que um dos candidatos tentou justificar sua baixa desenvoltura junto ao eleitorado: Acusou o outro candidato, pelo uso indiscriminado e pago, à empresas especializadas em mensagens enviadas por WhatsApp, tentando assim configurar crime de caixa 2, tendo entrado com uma representação junto ao TSE, solicitando a impugnação da candidatura de seu adversário, baseado simplesmente em uma matéria de jornal, na qual não havia nenhuma prova concreta. O pedido foi negado pelo TSE.

Ato contínuo, O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) também negou uma liminar ao PSOL, que solicitava a restrição de recursos do WhatsApp até domingo(28) data do segundo turno das eleições. O partido argumentava que a medida era necessária para evitar disseminação de notícias falsas. A decisão de não atender ao pedido foi tomada pelo ministro Fachin, que não viu “fundamentos jurídicos” para restringir a atividade do WhatsApp. Segundo ele, não foi apontada nenhuma “conduta ilícita” que teria sido praticada pelo aplicativo.

Da mesma forma o Facebook e o twitter tiveram papel fundamental nos desdobramentos dessas eleições e foram instrumentos responsáveis por mobilizações gigantes que ocorreram por todo o Brasil.  A propagação de notícias falsas, de memes, de vídeos e um avalanche de informação e desinformação, puderam ser filtrados naturalmente pelos usuários, que a cada dia, se conscientiza mais da importância de não replicar bobagens, postagens difamatórias e mentiras. O print é eterno e pode ser usado contra você.

Então, restringir a utilização desses meios por puro interesse político, me parece uma forma de censura, de restringir o cidadão e sua liberdade de usar esses meios e de se expressar livremente. Há leis e proibições. Quem não respeita-las pode estar sujeito a processos e penas, se comprovado o ilícito. As pessoas precisam se educar para isso e é o que já está acontecendo, não obstante aos excessos cometidos.

Nenhuma sociedade democrática sobrevive ao controle de informações. A utilização da internet é, hoje, meio de interação, mobilização e conscientização de seu povo. A informação está intimamente ligada ao desenvolvimento de um país. Negar a informação é negar o exercício pleno da cidadania aos indivíduos. Sem a informação chega-se à marginalidade, produzida e conhecida como doença da civilização, gerada pelo processo econômico, que poderia ser sanada pelas mãos do governo, mas são ignoradas e tornam-se parte integrante do cenário geográfico. Produz toda a sorte de insucessos e desastres humanos.

Por que certas notícias veiculadas na mídia têm mais poder que as do governo? O governo não tem tudo nas mãos para desmentir e o poder para fazer valer o que quiser? Resposta: ele não tem os fatos, e contra fatos não há argumentos. Só um controle efetivo pode barrar a força dos fatos comunicados, conversados, confrontados pela troca natural entre as pessoas. Isso é, seguramente, um dos motivos para querer implantar mecanismos de controles.

E Por que o que se veicula nas redes sociais tendem hoje a ter mais credibilidade que a mídia jornalística? Simples: Por que hoje se faz o contra ponto ou vem a contra informação quase que instantaneamente.  O que os meios jornalísticos noticiam passou a ser mais questionado. A vigilância passou a ser mais apurada. O tal “fake news” que sempre existiu, ficou exposto. Há uma década atrás, não conseguíamos interagir com as notícias. Mesmo escandalosamente falsas, os mecanismos para contesta-las sempre tiveram difícil acesso ou quase nenhum.

No tele jornalismo sempre houve barreiras invisíveis e uma resistência dos telejornais em permitir que o telespectador interferissem na notícia. Os telejornais eram tratados pelas emissoras como instâncias de poder que elas demonstravam não querer compartilhar. Por outro lado, há o indicativo de um novo paradigma em construção na televisão, devido ao avanço tecnológico e das novas plataformas digitais de disseminação de informação das mais variadas possíveis. O cidadão hoje pode contestar e até contribuir para a notícia. Estamos vivendo novos tempos.

MARCILIO PASCOAL FELIPPE-*

NATURAL DE SÃO PAULO – RESIDE EM TUPÃ SP-

Bacharel em Jornalismo, pela Faculdade FACCAT de Tupã. Jornalista Profissional devidamente registrado no Ministério do Trabalho  sob numero 0085309/SP

É Técnico de Planejamento e Gestão de Informações, na Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, tendo ingressado na instituição em 1980.

Desenvolveu trabalhos na área de coleta de dados, tendo participado ativamente em nove campanhas censitárias, como supervisor e Coordenador de Área.

Trabalhou na Base Territorial do IBGE de São Paulo, na atualização de mapas e acertos de limites territoriais municipais e distritais, em convênio com o IGC (Instituto Geográfico e Cartográfico do Estado de São Paulo).

Participa ativamente de execução de projetos de pesquisas sociais, demográficas e econômicas, ministrando treinamentos e acompanhando os trabalhos de coleta de campo como supervisor.

Atualmente ocupa cargo de chefe da unidade em Tupã/SP e é Coordenador de Área do Censo Agropecuário da região de Bauru, Jau e Botucatu.

Formação do Ensino Médio: Técnico em Administração, tendo trabalhado na iniciativa privada no setor de contabilidade, de recursos humanos e de marketing, antes do ingresso no serviço público.

Escreve um artigo semanalmente no jornal Destaque de Osvaldo Cruz. Palestrante em escolas públicas estaduais, para estudantes de ensino médio, abordando temas como a cartografia, geografia, pesquisas e mapas.

 

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