Autor de nove entre dez hits sertanejos dá a receita das músicas-chiclete

Ele não é famoso, mas tem milhões de fãs no Brasil inteiro. Nunca fez um show na vida, mas todo mundo sabe cantar suas músicas. Ele é Bruno Caliman (foto), um baiano de Itamaraju, que, aos 37 anos, pode se vangloriar de ser um dos compositores mais tocados nas rádios atualmente.

Você com certeza já ouviu Camaro Amarelo,Beber, Cair e LevantarJá Não Sei mais NadaSogrão Caprichou e Te Esperando — pois todas são músicas dele.

Quando era adolescente, Bruno foi viajar e, na volta para casa, se viu excluído da banda que seus amigos tinham montado — não havia lugar para mais um.

Qualquer pessoa teria ficado brava e decepcionada o suficiente para enterrar de vez a ideia de trabalhar com música, mas Bruno, ainda que sem saber, começava ali uma carreira, assumindo a função de empunhar caneta e papel para produzir grandes sucessos para os outros cantarem.

“Quem é autor já sabe que as coisas são assim, então não me incomodo com isso, de verdade”, diz ele, sobre o fato de que os cantores levam a fama em cima de músicas que originalmente não são deles.

— Fico feliz quando escuto as pessoas cantando minha música. Se me incomodasse com isso, seria cantor.

Depois de trabalhar por anos com publicidade, fazendo jingles para lojas e políticos, Bruno notou que o ritmo sertanejo crescia rapidamente no Brasil, e viu ali uma oportunidade.

— É um movimento que aceita várias influências. Tenho pavor à censura, à perseguição, à falta de humor, e há ritmos que não são abertos a influências. Já o sertanejo é, e eu fui muito bem aceito dentro deste movimento.

Hoje, com 20 anos de carreira, as coisas são mais fáceis para Bruno, e ele já não precisa mais fazer as loucuras de antigamente para que os grandes artistas se interessem pelo seu trabalho.

Em sua casa, na região praiana de Teixeira de Freitas, na Bahia, ele compõe as novas músicas. Daí, basta esperar que elas sejam escolhidas pelos grandes artistas que batem à sua porta atrás de hits e músicas chiclete, daquelas que grudam na cabeça.

— No começo da carreira, eu ficava na porta dos hotéis esperando os artistas chegarem para entregar meu CD. Fui empurrado por seguranças, tentava entrar nos camarins, enfiei muito papel com letra de música minha por baixo da porta do quarto do hotel. Era uma luta.

Bruno não revela se já ficou rico ou não, mas admite que leva uma vida confortável, ao lado de sua mulher e os três filhos.

Também é complicado arrancar do compositor qual a fórmula dos grandes hits.

— Não tem uma receita. Se tivesse, todo mundo copiaria e faria sucesso. Mas acho que uma coisa é fundamental, a sinceridade. Se a música for sincera, ela vai chegar às pessoas.

Autor de várias músicas que falam de “pegação”, baladas, “chuva de mulheres” e bebidas, Bruno explica que leva uma vida bem diferente daquela que suas composições retratam.

— Sou super caseiro, super tímido, sou um nerd. Uso óculos, sou o magrelo, o feio, aquele que as meninas não queriam, de espinha no rosto. Eu sou um observador do cotidiano, fico lá na arquibancada enquanto os outros estão jogando bola. As músicas são feitas para entretenimento, para juntar gente e divertir essas pessoas.

Em seu repertório, também há espaço para composições românticas. É o caso, por exemplo, de Te Esperando, gravada recentemente por Luan Santana. Na música, um homem diz que pretende esperar pela mulher da sua vida por muito tempo, até mesmo quando ela for uma “velhinha gagá”.

— A música fala da paixão de uma pessoa por seus sonhos, mais do que a paixão de um casal. É um aviso para que as pessoas não desistam de seus sonhos, nem que eles levem a vida inteira para acontecer.

Do R7

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