Beneficiários do Bolsa Família são campeões em Olimpíada de Matemática

Quase mil jovens beneficiários do Bolsa Família conquistaram 1.288 medalhas na Olimpíada Brasileira de Matemática de Escolas Públicas. Tido como um programa que retirou o Brasil do Mapa da Fome, o Bolsa Família também impulsiona o estudo. E a matemática, uma matéria considerada muitas vezes difícil e até enigmática, se torna exemplo de incentivo e democratização da educação.

Por Verônica Lugarini
Governo Federal/EBC

Uma das condicionalidades para receber o benefício do Bolsa Família é frequentar regularmente as aulas. No caso das crianças e adolescentes entre 6 e 15 anos devem ter, no mínimo, 85% de presença em sala de aula. Já os jovens de 16 a 17 precisam cumprir a frequência mínima de 75%.

Na área da saúde, as crianças menores de 7 anos devem ser vacinadas e acompanhadas pelos médicos. Cumpridas essas determinantes, as famílias recebem o Bolsa Família no valor que varia de R$ 89 a R$ 178.

Mas o Bolsa Família ultrapassa os objetivos práticos do programa de retirar os brasileiros da extrema pobreza, ele permite o avanço no ensino e o estímulo a participação de jovens em olímpiadas, ganhar medalhas e o gosto pela matemática.

Criada em 2005 na tentativa de popularizar a matemática entre estudantes do ensino fundamental e médio, a Olimpíada Brasileira de Matemática de Escolas Públicas (Obmep) já atinge 18 milhões de alunos de 99% dos municípios do país.

A pesquisa realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) mostrou que cada vez mais beneficiários do Bolsa Família e outros programas sociais criados pelo governo de Lula ganham medalhas na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP).
Entre as 45 mil medalhas distribuídas pela Obmep desde 2011, 999 estudantes beneficiários do Programa Bolsa Família e eles conquistaram 1.288 medalhas.

Esse é o caso do estudante do 9º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Estácio de Sá, Matheus Verdam de 13 anos e beneficiário do programa.

Segundo ele, o segredo para alcançar uma boa colocação é dedicar-se ao máximo em sala de aula. “A olimpíada é sempre difícil, concorrida e exige dedicação. Neste ano, me sinto ainda mais motivado a estudar, o que fez com que as minhas notas em matemática também melhorassem”.

Como resultado da premiação anterior, Matheus passou a frequentar o Programa de Iniciação Científica da Obmep, na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio).

Em entrevista ao G1, o brasileiro Artur Ávila que recebeu a Medalha Fields em 2014, considerada o “Nobel da matemática”, afirmou que as olimpíadas do conhecimento não são a solução ideal para o problema educacional brasileiro, mas diz que elas são “um programa extremamente barato e com o qual você consegue passar ao lado dessas dificuldades que tem no ensino em geral”.

Segundo ele, um dos benefícios é acessar “alunos muitas vezes de comunidades carentes de lugares que você não esperaria, devido às dificuldades econômicas no Brasil”, e oferecer a eles um “primeiro contato positivo com o estudo e com a matemática”.

Apesar do resultado positivo, o programa Bolsa Família vem sofrendo com os processos de pente-fino do governo, o que pode impactar nessa política de incentivo à educação.

Apenas entre o segundo semestre de 2016 e maio deste ano, o governo retirou o benefício do Bolsa Família de 5,2 milhões de brasileiros após verificar pagamentos considerados irregulares, mas que todavia, podem ter sido cancelados de forma equivocada, já que a apuração do governo desconsidera a sazonalidade dos trabalhos informais (o pente-fino analisa a renda do momento da apuração dos dados).

Do Portal Vermelho, com informações do Ministério do Desenvolvimento Social

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