COBRAS E VAGALUMES, por Andréa Valença.

COBRAS E VAGALUMES

por Andréa Valença

“Era uma vez uma cobra que perseguia um vaga-lume que nada mais fazia do que simplesmente brilhar.

Ele fugia rápido com medo da feroz predadora e a cobra nem pensava em desistir.

Fugiu um dia, dois dias, mais outro e nada.

No terceiro dia, já sem forças, o vaga-lume parou e disse à cobra:

— Posso fazer três perguntas?, disse o vaga-lume.

— Pode. Não costumo abrir esse precedente para ninguém, mas já que vou te devorar, pode perguntar.

— Pertenço a sua cadeia alimentar?

— Não.

— Te fiz alguma coisa?

— Não.

— Então por que você quer me comer?

— PORQUE NÃO SUPORTO VER VOCÊ BRILHAR…”

Amo essa estória porque ela retrata fielmente a realidade  em que vivemos. Quem é você, a cobra ou o vaga-lume?

Que cada qual responda a sí mesmo com muita honestidade, espero eu !!!

Apesar de conhecer muitas cobras, prefiro mesmo é falar dos vaga-lumes. Todos nascemos com a mesma capacidade de brilhar. Realmente acho ridículo e, no mínimo patético ler nessas redes sociais da vida que fulano é especial e que é invejado(a) por isso ou aquilo.

Oras, que coisa mais infantil, SOMOS TODOS ESPECIAIS, cada um a sua maneira, cada qual com seu brilho. É bem verdade que as cobras existem mas se assim se tornaram foi porque não alimentaram devidamente seu brilho até que um dia ele se apagou e, de raiva, começaram então a perseguir os vaga-lumes rastejando com o peso de seus fracassos nas costas e cheias do veneno que seu ódio lhes produz.

Mas sempre é tempo de voltar a brilhar, desde que você pare de se preocupar com a vida do outro e foque na sua. Quando a gente toma a iniciativa de crescer, de investir na gente, nosso brilho se torna tão intenso, tão único, que somos capazes de iluminar o mundo por onde passamos.

Perfeito? Ninguém é. Tem gente que prefere continuar rastejando porque dá menos trabalho culpar os outros e colocar a culpa de seu estado inferior alegando que o brilho alheio o cega a ponto de causar-lhe ódio e, portanto, justificar a perseguição? Sempre haverá. Mas para esses, quem escolheu brilhar e investir em sua própria luz só tem algo a oferecer: DÓ.

Recentemente tive uma experiência com uma cobra, até então a julgava um vaga-lume, mas não é que a danada enganava bem? Tive a sorte de perceber que se tratava de um ser rastejante quando vi que as luzes que brilhavam não eram dela, mas dos vaga-lumes que ela havia capturado.

O mais engraçado de tudo é que a peçonhenta se julgava tão esperta e tão poderosa que, ao contar de todas as coisas que lhe haviam sucedido na vida, era ela sempre a vítima.

Hum, pobre infeliz, o que ela não parou para pensar era que aquele que se diz vítima de tudo, na verdade, é sempre o vilão.

Não matei a cobra, a vida se encarrega de mostrar a ela que tudo nesse mundo tem retorno. Fui é tornar meu brilho ainda mais forte e, claro, torcer para que os vaga-lumes que estão presos à ela percebam que cobra sempre vai ser cobra e  só tem uma intenção: PICAR.

Queridos vaga-lumes, voem e fujam enquanto é tempo. A luz sempre incomoda quem opta por viver na escuridão.

Sou capaz de apostar que, se a cobra tiver algum amor no coração É SÓ PELA CRIA DELA e olhe lá!!!

Quanto aos vaga-lumes, simbora lá iluminar esse mundo com essas luzes tão lindas porque já está anoitecendo e a vida sempre fica mais mágica com o brilho de tantos vaga-lumes que ainda existem no mundo. Graças a Deus !!!

  1. A cobra em questão não significa que seja ou não do sexo feminino, mas que é cobra, é !!!

 

 

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