Colunista Aldemir Estevão: o drama dos servidores públicos que atuam em várias frentes do combate à pandemia do coronavírus

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Aldemir Estevão*

Há vários anos as diversas entidades sindicais representantes dos servidores públicos federais reivindicaram mais investimentos na saúde, educação, saneamento básico, moradia, segurança pública, pesquisa etc. e principalmente concurso público para repor a força de trabalho, com objetivo de prestar serviços públicos de melhor qualidade à população.

Ao contrário do reivindicado pelas entidades sindicais, os governantes fizeram totalmente o contrário, aprovaram a Emenda Complementar/95, que congela os investimentos nas áreas essenciais.

No último dia 21/05 em vídeo conferência com os governadores para debater assuntos relacionados ao enfrentamento do coronavírus o Presidente Jair Bolsonaro e os governadores trataram principalmente do congelamento de salários dos servidores públicos  por dois anos, e pediu a nossa colaboração, mas, omitiu um simples detalhe, os servidores públicos federais estão sem reajuste de salários há 03 (três), ou seja, ao final  desse período completaremos 05 (cinco) anos sem reajuste de salários com medida proposta.

Entendemos a situação que todos nós brasileiros estamos enfrentando no combate à Covid-19, a maioria em isolamento, outros internados, outros à espera de um leito, outros perderam seus empregos, outros perderam seus negócios e por fim, e o mais triste outros perderam seus entes queridos.

 Os servidores públicos estão dispostos a dar sua contribuição, mas, não aceitamos a imposição governamental tentando jogar a população e principalmente os trabalhadores (desempregados) contra os servidores públicos federais.

Se os governantes tivessem atendido as reivindicações apontadas pelas entidades sindicais à época, com certeza o enfrentamento ao coronavírus teria sido diferente e teríamos evitado muitas mortes, pois, nossos hospitais estariam equipados a altura para atender os pacientes, os servidores públicos da saúde teriam melhores condições para prestar um atendimento mais humanizado aos pacientes e principalmente, com mais segurança para exercer suas atividades profissionais.

Falando pelos servidores públicos federais, mais especificamente da Secretaria do Trabalho que apesar de não estar atendendo os trabalhadores pessoalmente, estamos atendendo virtualmente milhares de e-mail solicitando seguro desemprego.

Ainda com o auxílio dos Postos de Atendimento ao Trabalhador (PAT) ou Poupas Tempo que muitos auxiliam os trabalhadores a dar entrada no seguro desemprego no sistema, o trabalho mais complexo fica a cargo dos servidores da Secretaria do Trabalho/ME, que detém a prerrogativa para analisar, corrigir divergências e liberar o seguro desemprego ao trabalhador e/ou trabalhadora desempregado (a).

Se nossas autoridades tivessem facilitado o crédito ao pequeno e médio empresário, talvez o impacto na economia fosse em menor escala e o desemprego bem menor do que está acontecendo neste momento, afinal, vemos pequenos e médios empresários quebrando e infelizmente demitido seus colaboradores.

As solicitações do seguro desemprego nas capitais é tamanho que as análises estão sendo distribuídas virtualmente para as Gerências Regionais do interior a fora para auxiliar devido a falta de servidor público para atender a demanda, ontem 27/05 o Jornal Nacional informou que existem 200.000 (duzentos mil) solicitações de seguro desemprego represadas, ou seja, que não conseguiram dar entrada no sistema do seguro desemprego.

Os servidores das Gerências Regionais do Trabalho não somente em Marília, mas em todo o território nacional e os que estão em trabalho remoto estão praticamente trabalhando em regime de mutirão para diminuir a demanda e principalmente atender os trabalhadores que necessitam do benefício, e por conta disso os servidores ficam várias horas em frente ao computador atendo as solicitações de seguro desemprego, ou seja, apesar que virtualmente estamos sofrendo com a pressão psicológica que a Covid-19 também nos impõe, mesmo que, indiretamente.

E a cada e-mail atendido, o trabalhador e/ou trabalhadora abre seu coração e conta suas necessidades e pedindo urgência na análise e liberação do seguro desemprego, isso, quando conseguem cadastrar no sistema, devido a quantidade de solicitações, muitas vezes o sistema congestiona e os mesmos nos pedem auxílio, que foge da nossa alçada e não tem como não sermos empáticos e solidários buscando atendê-los, é claro, sempre dentro da legalidade.

A imprensa a cada dia divulga matéria sobre superfaturamento em vários governos sobre equipamentos, máscaras e insumos para utilizar no combate ao coronárivus, hoje vemos empresas, outrora, envolvidas em corrupção tentando passar uma imagem de solidária e comprometida com a responsabilidade social, doando milhões de reais para diversas entidades, instituições, hospitais etc.

Mas, esquecem que o dinheiro desta corrupção, fez falta na área da saúde, educação, saneamento básico, habitação etc, e o pior empurrou diversos trabalhadores e trabalhadoras para o fundo do poço.

Empresas estas que olhavam seus colaboradores apenas como número ou cifrão ($$$$$), hoje está doando (devolvendo) recursos financeiros para ajudar a população mais carente.

Então senhor presidente, governadores e prefeitos acredito que os servidores públicos de todas as esferas de governo, estamos sim, dispostos a colaborar no combate ao coronavírus, apenas não aceitamos injustiças, ou seja, não reajusta nossos salários, mas, metem a mão no dinheiro pago pelos impostos do povo que é para ser investido em benefício mesmo e ainda tentam jogar os trabalhadores contra a categoria.

*Aldemir Estevão: Membro do Conselho Administrativo e Delegado Regional do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal no Estado de  São Paulo – Sindsef/SP

 


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