Dia Internacional de Combate à LGBTfobia: vidas em resistência

Conheça um pouco das histórias de mulheres LBTs que dedicam seu dia a dia para lutar contra o preconceito e a discriminação

O Brasil com o governo de Jair Bolsonaro (PSL) se tornou um dos países menos seguros para LGBTs no mundo, segundo o levantamento do site Spartacus. Nesta sexta-feira (17), Dia Internacional de Combate à LGBTfobia, é importante dar voz a essa comunidade que sofre diariamente com a violência de uma sociedade que, na atual conjunturapolítica, tem suas conquistas ameaçadas.

Ellen Souza, cearense, 33 anos, lésbica, conta que tinha 16 anos quando percebeu que não se encaixava nas regras que a sociedade impõe para meninas dessa idade. Foi a primeira vez também que percebeu que precisava se conter mais do que suas amigas. “Eu tinha um pai muito violento, então eu tentava esconder o que eu sentia até de mim”.

Sua primeira relação foi aos 18 anos, aos 19 sua irmã descobriu que ela namorava uma menina. Quando o pai soube, Ellen foi agredida. “As palavras doem muito mais do que a agressão física, ele dizia que preferia ter uma filha morta do que uma filha sapatão”.

Foi só quando saiu de casa para morar com sua namorada que Ellen decidiu que sua vida não era errada, e que era hora das pessoas perceberem o mesmo. “Os amigos da faculdade nunca nos desrespeitaram, então eu percebi que eu precisava mostrar ao mundo que minha vida com ela não era um problema, e que a gente existe”. Nesse momento, ela decidiu se unir a movimentos que lutam pelos direitos da comunidadeLGBT.

Douglas de Campos

Ellen Souza

Ellen é uma das fundadoras do grupo “Tambores de Safo”, um coletivo de mulhereslésbicas e bissexuais que através da música combatem o machismo, o racismo e a LGBTfobia. Atualmente, a cearense mora em São Paulo e vive um relacionamento feliz. “Quem é militante, milita no dia a dia, hoje eu gerencio um serviço de acolhimento de população de rua, e em todos os lugares em que estou me posiciono como mulher, como lésbica, como negra, do candomblé”.

Symmy Larrat, paraense, travesti, presidenta da ABGLT, explica como é fazer parte desta comunidade no Brasil, “é o país que mais registra assassinatos da nossa população, e também é o que mais acessa pornografia, essa moralidade cristã e burguesa impõe a nós um processo de exclusão diária. Ser travesti no Brasil é ter a coragem de ser, diariamente, quem você é”.

Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Symmy Larrat

Para ela chegar a posição em que está hoje necessitou de muitos sacrifícios. Hoje aos 41 anos, Symmy conta que adiou sua transição e só a começou aos 30, pois queria estudar para ter uma carreira e acreditava que as mudanças a trariam mais dificuldades.

Joyce Bueno da Silva, 29 anos, negra, advogada popular explica que a sua bissexualidade não é uma escolha, assim como sua luta cotidiana, que, para ela, é uma obrigação de vida. “O que eu quero é o direito de viver bem, onde o Estado possa nos proteger, e me permita amar livremente, um país em que uma mulher possa amar uma mulher e um homem e isso seja respeitado na sua integralidade”.

Arquivo pessoal

Joyce

Ela fala também da sua decepção com a atual conjuntura política do país. “Nós viemos de um período onde nós LGBTs tivemos alguns avanços e infelizmente no momento nós vivemos uma fragilização desses debates com um governo de ultradireita que ataca o nosso direito de viver e existir. A criminalização da homofobia é um fato que pode imputar uma dura derrota ao governo Bolsonaro, mas é apenas um passo, o caminho deve ser traçado pela construção de uma sociedade plural”.

O Brasil tem um triste histórico de preconceitos e discriminação. A luta pela igualdade é uma luta diária. O Dia Internacional de Combate a LGBTfobia foi instituído há 29 anos quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da lista de distúrbios mentais da Classificação Internacional de Doenças (CID), uma das grandes conquistas da comunidade LGBT.

Por Jéssica Rodrigues, para a Secretaria Nacional de Mulheres do PT

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