Dias destes, estive presente no lançamento de nova plataforma de gestão em uma entidade beneficente gerida por uma Família. O patriarca, em determinado momento, se levantou e fez seu discurso: gigantes e poderosas palavras que impressionaram pelo altruísmo e crença no humano. Palavras que, vindas do profundo de alguém cuja trajetória pessoal foi a de construção e autoconstrução (criança camponesa que, na cidade, erigiu seus próprios império e Família), denotam o espírito beneficente e humanista com que se entregam (ele, parentes e colaboradores). São referências e exemplos no município em que vivo. Reverberam seus atos entre aqueles os cercam.

Na mesma semana, em meio a históricas e torrenciais chuvas de verão que desabaram sobre todo o país, diversos anônimos foram alçados a novos heróis nacionais, agora não por palavras ou pela trajetória pessoal, mas pela coragem, abnegação, entrega ao próximo, superando os ordinários pelas suas capacidades extraordinárias.

 

O que, em comum, faz deles grandes pessoas, humanos imensos, distintos, que nos sirvam de modelos e nos façam perceber que nossas vidas, sem seus exemplos, seriam menores…. infinitamente pequenas?

Poder? Glória? Ora, a sucumbência a essas vaidades é justamente a maior das tentações dos essencialmente poderosos: o poder pelo poder; a glória por ela mesma. Aos que nelas imergem damos, hoje, o nome de celebridades ou aqueles que alcançam, de forma efêmera, a fama em meio à multidão.

O poder e a glória, ao contrário dos deuses, em nada nos melhoram.

A verdadeira grandeza é um mistério e de nada adianta especialistas virem a público gritar ser alguém um grande espírito: em verdade, o substantivo “grandeza” nasce da percepção das pessoas, agremiadas, em comunidade, em o tomarem justamente como bálsamo e farol que garantam rumo na luta diária para além do insosso da vida, quando enxergam na personalidade deste ou daquele grande indivíduo, valores (moral) e elementos intelectuais que consubstanciem, materializem o que eles mesmos são enquanto coletivamente.

O humano imenso, magnânimo, um grande homem ou mulher, é aquele único e tal que o mundo se nos pareceria incompleto sem ele (por palavras, atos e omissões), precisamente em seu tempo (naquele exato momento) e lugar e sem o qual o universo como o compreendemos seria inconcebível sem ele.

Justamente aqui entra sua singularidade (somente ele, o único a pensar aquilo, agir ou se silenciar) e insubstituibilidade: seu exemplo moral e intelectual impressiona toda uma coletividade e sobre ela causa reflexos, de forma que impulsione a todos rumo a algo maior que, isoladamente, os comuns não alcançariam.

Por fim, consideremos que a existência ou não de grandes líderes, de grandes pessoas, é, ainda, manifestação espontânea do meio em que vivem: se numa determinada cidade, hoje, seus filhos e cidadãos se orgulham, reconhecem que há grandes indivíduos que façam a diferença e os colocam em posições que sirvam de exemplo, eis que provavelmente trata-se de uma sociedade orgulhosa de sua moralidade e intelectualidade – grandes indivíduos são o exemplo supremo do que coletivamente somos.

Pensemos, portanto, nossa cidade: nela certamente há personalidades imensas, grandes humanos e em boa quantidade. A pergunta é: sua sociedade assim os reconhece?

E vc: o que faz em relação a isto?

Valeu e sucesso… sempre!

Marcos Boldrin*

http://marcosboldrin.com.br/
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*Marcos Boldrin – Nascido em São Paulo e Cidadão Mariliense, formou-se Oficial Militar pela Academia de Polícia Militar do Barro Branco e em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Marília. Iniciou sua carreira no 10º Grupamento de Bombeiros em Marília, atuando em diversos Batalhões sediados nos municípios de Presidente Venceslau e Assis, além da capital paulista – no Comando de Policiamento da Capital e no Centro de Comunicação Social, como Chefe da Divisão de Imprensa do Comando Geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo.
Mestre pelo Centro de Altos Estudos de Segurança “CEL PM NELSON FREIRE TERRA”, cuja dissertação enfatizou a arquitetura na prevenção do crime ao analisar a relação entre crime e edificações no município de Marília
Pós-graduou-se, em 2019, em Supervisão, Inspeção e Gestão Escolar pelo Instituto Passo 1, em Bauru.