Últimas

Eliomar Coelho e Bruna Werneck: Educação pública de qualidade, em qualquer modalidade de ensino

Compartilhe

Por sorte, temos, no estado do Rio, um órgão público que já vem trabalhando esse desafio há muito tempo

Por Eliomar Coelho* e Bruna Werneck**

Nunca se falou tanto em educação a distância. Potencialidades e limites dessa modalidade de ensino ganharam centralidade no debate público, com a suspensão das aulas nas escolas e universidades, devido à pandemia. Computador, celular, câmera, videoconferência, plataforma, fórum, chat. As questões vão além do domínio das múltiplas ferramentas tecnológicas, a começar pela dificuldade de acesso à internet. Mas não se tratam apenas de empecilhos técnicos. Tem também a falta de espaço adequado para o trabalho, estudos em casa, e as evidentes restrições de saúde física e mental que advém da própria doença e do confinamento. Esses obstáculos, no entanto, não devem servir como desculpa para a inação, mas como balizas a nortear os próximos passos.

As escolas estão fechadas há mais de dois meses. Não temos perspectiva de quando poderemos ter salas de aula cheias novamente. Portanto, se faz necessário avançarmos o debate sobre como garantir o direito à educação, mesmo sob essas condições adversas. É preciso construir um modelo inclusivo de educação que seja possível oferecer remotamente. Para a vasta maioria de professores, alunos, e gestores escolares, é muita novidade para processar, e a experiência vem se mostrando, no mínimo, frustrante. Por sorte, temos, no estado do Rio, um órgão público que já vem trabalhando esse desafio há muito tempo.

A Fundação Cecierj, sob inspiração de Darcy Ribeiro, em parceria com as universidades públicas no estado (através do Consórcio Cederj) e outros setores estatais, oferece cursos de graduação, formação continuada e educação básica para jovens e adultos, na modalidade a distância. Claro, nos referimos aqui a um público adulto, que optou pela EAD e a uma estrutura que comporta um período de planejamento, produção do material didático e treinamento de profissionais para o desenvolvimento dos cursos.

O contexto da crise sanitária é outro, inegavelmente mais complexo. Ainda assim, há muito dessa experiência prévia, desde um tempo em que tínhamos ainda menos acesso à internet, que pode ajudar a encontrar o caminho para o futuro. Foram duas décadas de investimento público na Cecierj para desenvolver uma forma de levar educação de qualidade a quem, por diferentes motivos, não pode estudar presencialmente.

E exatamente agora, quando esse saber é mais valioso, o governador coloca a Cecierj no saldão de privatizações do estado. Na contramão, vemos o governo estadual virar as costas para essa construção de 20 anos e deixar que seu secretário de educação se apoie em soluções tão grifadas quanto insuficientes. Como se não bastasse esse triste quadro, vem à tona o envolvimento do presidente da Fundação em escândalo de corrupção.

É hora de fortalecer institucionalmente a Fundação Cecierj, barrar a tentativa de privatização (PL 2419/20) e aprovar a lei (PL 3501/17) que garante mandato e critérios mínimos de nomeação à presidência do órgão, para que ela possa prestar um serviço cada vez melhor à população fluminense.

*Eliomar Coelho é deputado estadual do Psol-RJ
**Bruna Werneck é servidora da Fundação Cecierj e mestre em Ciência Política

Fonte: https://odia.ig.com.br/opiniao/2020/06/5927294-eliomar-coelho-e-bruna-werneck–educacao-publica-de-qualidade–em-qualquer-modalidade-de-ensino.html


Compartilhe

Comente

Seu email não será publicado. Campos marcados são obrigatórios *

*