ESCUTAR E SEUS EFEITOS

Aline Marcela de Moraes*

Nós somos seres sociais, vivemos em grupo desde o início de nossas vidas, iniciamos no grupo familiar, depois na escola, no trabalho e para tanto necessitamos de nos comunicar.

A comunicação é um ato inerente ao ser humano, fazemos uso dela para expressar nossos sentimentos, nossas emoções, crenças, para criar culturas e tradições. Vários são os meios de comunicação é difícil escolher um viés para abordar. Dentre o leque de opções venho aqui hoje falar da dificuldade de comunicação entre os homens no dia a dia, vou fazer uso da expressão mineira: dedinho de prosa.

Numa sociedade como a nossa que exige soluções rápidas, rentabilidade, prazer imediato, mais eficiência, relações descartáveis, constante busca pela vida ideal, onde impera o reinado da urgência as pessoas não têm tempo para escutar o outro. O diálogo perde espaço para as imagens.

A pergunta que lanço aqui é: você sabe escutar?

Há uma diferença entre ouvir e escutar. Ouvir diz respeito ao sentido da audição podemos dizer que é automático, enquanto escutar é uma operação psíquica que implica esforço, atenção, vontade e desejo.

Para quem fala fica a tarefa nada fácil de transmitir o que está em sua cabeça com a mesma emoção para o outro. Quem escuta, se escuta, precisa estar aberto para o que o outro diz. Precisa ser capaz de incorporar novo ponto de vista. A escuta me solicita como sujeito.

A fala marca o que o outro é. Falamos porque temos a necessidade de simbolização. As palavras dão sentido a nossa experiência, vão construindo o sujeito que somos.

Saber escutar é ser afetado pelo outro, pelo sujeito dessa fala. É estar aberto para subjetividade do outro. Esse outro que é totalmente diferente de mim exatamente por ter uma rede, uma história de palavras únicas dele, faz dele singular.

Escutar na sua singularidade então quer dizer escutar na sua diferença. É fazer uso da empatia. É demonstrar compreensão e apreço pelo sentimento que está por trás de cada palavra.

Nós falamos porque necessitamos falar. O sofrimento vivido na solidão é mais pesado. Quando sofremos e colocamos esse sofrimento em palavras sentimos certo alívio. Contornar com palavras, aquilo que nos afeta a outra pessoa disposta a escutar é importante porque deixa o registro do desamparo. A escuta tem esse efeito.

Além disso, temos a oportunidade de nos ouvir ao falar e isso trás uma nova perspectiva, a palavra RE- ORGANIZA-DOR, ou melhor dizendo ressignifica a dor.

Mas, infelizmente, vemos agendas superlotadas e pouca comunicação, pouca troca de experiências e isso gera o empobrecimento da subjetividade, pois não há mais espaços para a transmissão e elaboração da experiência.

 

*Aline Marcela de Moraes, Psicóloga, Técnica em Segurança do Trabalho, Técnica em Administração de Empresa. Psicóloga Clínica em consultório particular desde 2016 – CRP: 06/130716 – Facebook: /ammpsicologa – e-mail: alinemarcela_moraes@hotmail.com – Fone: (14) 99679-2161.

 

 

 

 

 

 

 

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