Gustavo Perez Pereira Andrade: “América. Ah!! A boa e velha América….”

Compartilhe

Gustavo Perez Pereira Andrade

Eu sei, brilhando como água”

Não estamos mais em 1945 e os EUA declinam como a principal potência econômica mundial, embora culturalmente mantenham mundialmente a sua influência hegemônica e inconteste. Ainda assistimos os mesmos filmes de antes e os sucessos musicais são dos anos 1980. O rock norte-americano, os filmes e todas as produções artísticas e culturais do complexo hollywoodiano ainda são a nossa principal influência cultural.

Dizem que hoje é dia de holiday (feriado) na América, parte dos estadunidenses estão a celebrar a primeira grande baixa dentre os muitos porta-vozes oficiais do extremismo da direita ocidental, e nada melhor que dar início a celebração ao som de Creedence Clearwater Revival, com a música Have You Ever Seen The Rain? (Você Alguma Vez Viu a Chuva?). Que em inglês diz assim:

“Someone told me long ago

There’s a calm before the storm

I know, it’s been comin’ for some time

When it’s over, so they say

It’ll rain a sunny day

I know, shinin’ down like water”

Trocando em miúdos:

“Alguém me falou há muito tempo

Que há uma calmaria antes da tempestade

Eu sei, vem vindo há algum tempo

Dizem que quando terminar

Choverá num dia ensolarado

Que chegue a chuva então e que ela apague todas as queimadas, que apague o fogo dos discursos: dos supremacistas, racistas, negacionistas, entreguistas, dos biomas brasileiros e também  as labaredas dos atos antinacionais ratificados em ações como prestar continência para a bandeira ianque, além de sujeitar a diplomacia do país a todo tipo de servilismo internacional, abrindo mão da nossa pouca soberania diante do primeiro governo ocidental que apareça com uma pasta de dólar para dar em troca de todas as nossas riquezas nacionais.

Mas a América! Ah! A boa e velha América continua com a história dos seus grandes feitos quando certa vez treze colônias inglesas desafiaram o país da rainha forjando uma jovem e pequena república no novo continente; continua com seu poderio bélico, com suas divisões internas (racismo, classes sociais etc.); e o desafio de manter a liderança mundial frente a ascensão do gigante asiático. Mas ah!! A boa e velha América do blues, de New York, New York, James Brown e Cia permanece nas nossas mentes, almas e corações.

Afinal segundo nossos notórios especialistas a América deu certo e errado, a América nós odiamos e amamos, pois há a América dos norte-americanos comuns e outra dos poderosos, existem as muitas américas, dos negros, latinos, judeus, mexicanos, dos trabalhadores e imigrantes de todo mundo que a construíram.

E a nossa fonte de inspiração parece enfim eclipsada pelo Império Chinês e os seus cinco mil anos de história, a sinofobia está na moda dos discursos rasos, também estão em alta todos os seus produtos, oriundos da nova gigante mundial. Apesar de timidamente o gigante asiático iniciar uma política dissuasória de rearmamento, a China terá um longo caminho a percorrer para suplantar o poderio bélico estadunidense, demandando tempo para ampliar sua influência cultural pelo mundo, mas os mercadores do mundo já são todos chineses.

A influência deste novo império se fará sentir pelas próximas décadas, toda a grande demanda comercial e em produtos será gerada a partir da China, esta demanda fará deste país o mais novo propulsor da economia global. A China precisará de matérias-primas e tudo mais que for necessário para edificar o mais novo Império do Século XXI.


Gustavo Perez Pereira Andrade, professor da Rede Estadual de Educação, Cientista Político graduado pela UNESP de Marília, ativista do Instituto UNCORA – (Unidos Contra o Racismo) e membro do PT.


Compartilhe

Comente

Seu email não será publicado. Campos marcados são obrigatórios *

*