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“HOMENAGEM AO IBGE: 84 ANOS DE HISTÓRIA”, POR MARCILIO FELIPPE

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UM POUCO DO GRANDIOSO IBGE

MARCILIO FELIPPE*

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, completou 84 anos de existência no último dia 29 de maio e se constitui no principal provedor de dados e informações do País, que atendem às necessidades dos mais diversos segmentos da sociedade civil, bem como dos órgãos das esferas governamentais federal, estadual e municipal.


UM POUCO DE HISTÓRIA

Durante o período imperial, o único órgão com atividades exclusivamente estatísticas era a Diretoria Geral de Estatística, criada em 1871. Com o advento da República, o governo sentiu necessidade de ampliar essas atividades, principalmente depois da implantação do registro civil de nascimentos, casamentos e óbitos.

Com o passar do tempo, o órgão responsável pelas estatísticas no Brasil mudou de nome e de funções algumas vezes até 1934, quando foi extinto o Departamento Nacional de Estatística, cujas atribuições passaram aos ministérios competentes.

A carência de um órgão capacitado a articular e coordenar as pesquisas estatísticas, unificando a ação dos serviços especializados em funcionamento no País, favoreceu a criação, em 1934, do Instituto Nacional de Estatística – INE, que iniciou suas atividades em 29 de maio de 1936. No ano seguinte, foi instituído o Conselho Brasileiro de Geografia, incorporado ao INE, que passou a se chamar, então, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Desde então, o IBGE cumpre a sua missão institucional: identifica e analisa o território, conta a população, mostra como a economia evolui através do trabalho e da produção das pessoas, revelando ainda como elas vivem, para que possam exercer a sua cidadania.

Hoje, o IBGE oferece uma visão completa e atual do País, através do desempenho de suas principais funções:

– Coordenação, produção, análise e consolidação de informações estatísticas

– Coordenação, produção, análise e consolidação de informações geográficas

– Estruturação e implantação de um sistema das informações ambientais

– Documentação e disseminação de informações

– Coordenação dos sistemas estatístico e cartográfico nacionais

ÁREAS DE ATUAÇÃO

O IBGE faz levantamento sistemático de Informações Sociais, Demográficas e Econômicas:

Estatísticas de Âmbito Social e Demográfico, Estatísticas da Agropecuária, Estatísticas Econômicas, Índices de Preços, Sistema de Contas Nacionais. Dentre esses levantamentos, o mais importante é a realização do Censo Demográfico, que é decenal e que percorre todos os domicílios do território nacional.

Além disso, cuida de Informações Geográficas e do Sistema Geodésico Brasileiro, com um conjunto de estações (marcos) materializadas no terreno, implantadas e mantidas pelo IBGE, cuja posição serve como referência precisa a diversos projetos de engenharia – construção de estradas, pontes, barragens etc. – mapeamento, geofísica, pesquisas científicas, dentre outros.

UM POUCO DA MINHA EXPERIÊNCIA

A instituição é reconhecida nacional e internacionalmente pela qualidade de suas informações, tendo recebidos prêmios pela excelência de suas pesquisas. Desses 84 anos, eu passei 40 dentro da instituição, participando ativamente de campanhas censitárias, de trabalhos de mapeamento, realizando pesquisas anuais, semestrais e mensais. Tive a oportunidade de conhecer outros Estados, pessoas extraordinárias e competentes que vestem a camisa e enfrentam todos os tipos de desafios para realizar tão importante trabalho.

As experiências mais fascinantes e que traz muitas lições de vida, são as pesquisas domiciliares, como a PNAD (Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios), PME (Pesquisa Mensal de Emprego) e o próprio Censo Demográfico. Com elas, eu tive contato com brasileiros e suas verdadeiras faces, nas favelas do Capão Redondo, de Paraisópolis, nas periferias localizadas na zona norte e leste da capital.

Já caminhei por ruelas sem calçamento e esquecidas pelo poder público, onde o esgoto corria a céu aberto, visitei barracos ainda feitos de material aproveitável como madeira e papelão, com mais de cinco moradores em um só cômodo, a maioria, crianças. Em contrapartida, percorri os luxuosos condomínios da Vila Andrade no Morumbi.

Visitei e entrevistei moradores de mansões e prédios de alto padrão, donos de industrias e de grandes estabelecimentos comerciais. Levei canseira, chá de espera e porta na cara. Mas a maioria das pessoas sempre foram educadas e atenciosas. O grande segredo da pesquisa é a abordagem. Se você se apresentar bem, seguro do seu trabalho e capacitado para explicar a pesquisa e sua finalidade, dificilmente haverá recusa.

Certa manhã em um prédio onde só moravam juízes, após passar pela portaria, pelo síndico e pelas normas internas de segurança, eu fui autorizado a ter acesso ao apartamento selecionado na amostra da pesquisa (PNAD).  O porteiro conversando pelo interfone com o morador, que era um juiz, avisou que eu subiria pelo elevador de serviço. Imediatamente ele recebeu a orientação para que eu utilizasse o elevador social.

Subi pelo elevador que dava acesso direto ao hall da sala do seu apartamento, onde o juiz já me aguardava com farto café da manhã.  Num ambiente extremante agradável, fiz a pesquisa e o trabalho do IBGE foi muito elogiado pelo magistrado. Quando nos despedimos, ainda ganhei de presente um livro de sua autoria, com direito sua dedicatória, livro que guardo até hoje.

Tratava-se do procurador de Justiça, hoje aposentado, Carlos Francisco Bandeira Lins, que na década de 80 resolveu escrever um livro sobre as mulheres que ocupam cargos em instituições públicas, mais especificamente no Ministério Público. O livro, intitulado “Mulheres no MP: velhas e novas questões, vistas a partir de dados demográficos”, por isso talvez, sua empatia com o IBGE.

Visitando certa vez um setor de favela, a chuva desabou e me abriguei num barraco de madeira, onde chovia mais dentro do que fora dele. O casal morador tinha um filho de 4 anos, que foi colocado em cima da velha cômoda, enquanto a água corria pelo chão. E debaixo daquela chuva ele comentava o seu drama, suas dificuldades de vida. No dia seguinte retornei com sacolas de compras, com uma caixa de com 12 litros de leite, roupas de crianças e alguns calçados. Isso era o mínimo que eu deveria fazer.

Essas são algumas das inúmeras situações que eu vivenciei e que me acrescentaram muitas lições de vida. O IBGE, apesar de ser uma fundação ligada ao governo federal, não sofre qualquer interferência política em seu trabalho. Atravessamos diversos governos, tanto militares quanto civis, e o instituto sempre manteve sua lisura e independência na realização do seu trabalho.

Prova disso são seus dirigentes, chefes de unidades estaduais e pessoas que ocupam cargos de gerenciamento, são servidores de carreira. O responsável pela unidade de São Paulo, o senhor Francisco Garrido Barcia é um típico exemplo: oriundo de agência de coleta desde a década de 80, ascendeu a vários cargos importantes até chegar a ser o chefe da unidade.  A experiência e o conhecimento de toda a rede de coleta, o deixa altamente capacitado a conduzir os trabalhos com a qualidade exigida, na mais importante unidade da federação.

PNAD-COVID-19 – O IBGE NÃO PARA

No momento, o IBGE está realizando pesquisa com foco no monitoramento da doença causada pelo novo corona vírus. Parceria inédita do Instituto com o Ministério da Saúde, a pesquisa vai investigar novos casos de síndrome gripal no país, nas grandes regiões e também por unidades da federação.

O IBGE vai também padronizar os cadastros existentes no Ministério da Saúde a partir do Cadastro Nacional de Endereços para Fins Estatísticos (CNEFE). Outras tabulações de dados e mapas estão sendo produzidos pelo Instituto para orientar políticas públicas de mitigação do impacto da pandemia sobre a economia.

O IBGE lançou o hotsite que reúne as ações que vem realizando para o enfrentamento à pandemia da Covid-19, doença causada pelo novo corona vírus. Na página foram disponibilizados resultados de pesquisas, informações sobre parcerias com outros órgãos públicos e as mudanças nas rotinas e projetos do Instituto durante o período de distanciamento social. O conteúdo pode ser acessado diretamente pelo endereço covid19.ibge.gov.br ou via Portal do IBGE.

O diretor David Wu Tai que faleceu em abril

Aqui cabe uma homenagem póstuma a um grande servidor da casa, David Wu Tai. David Ocupava o cargo de Diretor de Informática no Rio de Janeiro, depois de uma frutífera passagem por São Paulo. Foi Coordenador Geral do Centro de Documentação e Disseminação de Informações (CDDI) no Rio de Janeiro, pois entendia que toda informação deveria ser disponibilizada para a sociedade. Foi Coordenador Operacional dos Censos em diversas campanhas censitárias, foi Diretor Geral e mudou a cara do IBGE com seu empreendedorismo. Foi mentor e idealizador da pesquisa PNAD-COVI 19. Nos deixou no dia 29/04/2020, vítima do vírus. Um grande homem público, dinâmico, honesto e estava à frente do seu tempo. Uma perda irreparável.

Fonte: https://www.ibge.gov.br/institucional/o-ibge.html

Para consultas: www.ibge.gov.br  – 0800 721 8181

IBGE EM MARILIA: Av. Santo Antônio, 2377 – Marília – SP, 17506-040

Telefone: (14) 3433-4693


MARCILIO PASCOAL FELIPPE-*

NATURAL DE SÃO PAULO – RESIDE EM TUPÃ SP-

IDADE 65 ANOS.

Bacharel em Jornalismo, pela Faculdade FACCAT de Tupã.

Jornalista Profissional devidamente registrado no Ministério do Trabalho sob número 0085309/SP

É Técnico de Planejamento e Gestão de Informações, na Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, tendo ingressado na instituição em 1980.

Desenvolveu trabalhos na área de coleta de dados, tendo participado ativamente em nove campanhas censitárias, como supervisor e Coordenador de Área.

Trabalhou na Base Territorial do IBGE de São Paulo, na atualização de mapas e acertos de limites territoriais municipais e distritais, em convênio com o IGC (Instituto Geográfico e Cartográfico do Estado de São Paulo).

Participa ativamente de execução de projetos de pesquisas sociais, demográficas e econômicas, ministrando treinamentos e acompanhando os trabalhos de coleta de campo como supervisor.

Palestrante em escolas públicas estaduais, para estudantes de ensino médio, abordando temas como a cartografia, geografia, pesquisas e mapas.

 


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