INVEJA

Hoje venho falar sobre o que tenho observado, nesse mundo de competitividade, as pessoas tem dificuldade em tecer um elogio. Os motivos podem ser variados, mas tenho examinado um fenômeno: o da inveja.

Para tecer um elogio eu preciso reconhecer que o outro é bom, reconhecer o sucesso do outro. Mas a inveja destrói o bom porque quando o bom é dado ele humilha. Quando a pessoa tem aquilo que não tenho me sinto humilhado. Vem à comparação: sou vencedor, ou sou perdedor.

A inveja para Spinoza (1999) é “o ódio que afeta o homem de tal modo que ele se entristece com a felicidade de outrem e, ao contrario, se alegra com o mal de outrem” (p. 316).

Segundo Melanie Klein (1964) a pessoa invejada é tida como possuidora daquilo que é mais desejado: um objeto bom, sendo que o impulso invejoso visa tomá-lo ou estragá-lo.

A inveja é um obstáculo para o crescimento mental, uma vez que, o objeto bom é atacado gera a destrutividade daquilo que é bom. E o objeto bom é a fonte da vida. Ele pode ser melhorado ou piorado de acordo com o que vive com a mãe ou de acordo como a criança vivencia aquilo também.

Na teoria Kleiniana a integração do objeto bom é o núcleo da saúde mental.  Como esse mundo é construído? É construído pelas projeções e introjeções. Da relação da criança com seu mundo externo. Aquilo que ela põe para fora e aquilo que ela traz para dentro.

A criança precisa de uma mãe (ou alguém que cumpra essa função) suficientemente boa para dar o que ela precisa. A criança não tem consciência ainda, apenas sente. Ela tem necessidades de receber o bom. Se o bom vem ela cria uma fantasia inconsciente que o mundo é bom. Essa fantasia inconsciente vai se transformando no núcleo do ego. A criança começa acreditar que o mundo é bom, começa imaginar que existe algo ali que vai dar para ela o que é bom.

Com o tempo ela vai se tornar em um adulto que confia nos outros, que confia no mundo, que confia na bondade. Que se sente abastecida. Quando um bebezinho internaliza um mundo bom ele se sente internamente abastecido. A pessoa tem dentro dela aquilo que é bom. Isso tudo aplaca a inveja. Eu não preciso invejar o outro porque eu tenho dentro de mim o bom.

Uma das manifestações do mundo interno que não teve essas coisas boas é a questão do enorme apego aos bens materiais. Que cumpre uma função de abastecer isso que está faltando. A pessoa busca lá fora a profunda carência interna. Por isso que nunca está bom. Porque não resolve. Falta abastecimento interno.

Para Klein essas primeiras relações de objeto constituem essa formação do mundo interno seguro.

Quando ela não teve, seja por qual motivo for, aquilo fica não construído. Fica uma ausência de uma constituição interna. Às vezes as pessoas conseguem adquirir isso com outros vínculos, com outras pessoas ao longo da vida pode ser feito essa construção. Mas às vezes não, às vezes não dá. O lugar propício para isso e que resulta esse primeiro vínculo é o setting psicanalítico.

 

Aline Marcela de Moraes, Psicóloga, Técnica em Segurança do Trabalho, Técnica em Administração de Empresa. Psicóloga Clínica em consultório particular desde 2016 – CRP: 06/130716 – Fone: (14) 99679-2161 – Facebook: /ammpsicologa –

E-mail: alinemarcela_moraes@hotmail.com

 

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