Israel começa processo para deportar milhares de africanos

  • Jerusalém
Da Agência EFE

O governo israelense começou a entregar neste domingo (4) cartas a imigrantes do Sudão e da Eritreia residentes em Israel ordenando que deixem o país em um prazo de 60 dias com um apoio financeiro de US$ 3.500 e o pagamento de uma passagem de avião, informou a imprensa local.

Esse é o primeiro passo do novo plano aprovado em janeiro pelo governo, que afeta entre 35 mil e 40 mil imigrantes, e estabelece que a maioria terá que ir embora para um terceiro país ou ser presa por tempo indefinido a partir de abril.

Os residentes africanos receberão as cartas quando comparecerem à Autoridade de População, Imigração e Fronteiras para renovar as permissões de residência.

Estas serão entregues em um primeiro momento a cerca de 20 mil homens sudaneses e eritreus sem crianças sob sua responsabilidade, informou hoje o jornal Haaretz.

A maioria dos imigrantes africanos entrou clandestinamente no país pela fronteira egípcia do Sinai antes que o governo israelense construísse um muro que agora separa ambos territórios. As informações são da agência de notícias EFE.

Segundo a Organização Não Governamental (ONG) Hotline para Refugiados e Migrantes, cerca de 12 mil pessoas solicitaram refúgio ao chegar ao país (cifra contabilizada desde 2013), mas 7 mil solicitações foram negadas, apenas 11 foram aprovadas e as demais ainda estão sendo processadas.

“Desconhecemos exatamente o número de pessoas que o governo quer deportar”, declarou à Agência EFE Reut Mijaeli, diretora da ONG.

Atualmente, 37 mil eritreus e sudaneses residem em Israel, segundo Mijaeli. Ela explicou que “por enquanto, as famílias, as pessoas com vulnerabilidade, os menores de idade e os idosos ficam excluídos do plano, mas isto poderia mudar no futuro”.

Dezenas de imigrantes reclusos em um centro de detenção em Holot, no sul do país, já receberam cartas com ordens para abandonar Israel, acrescentou a diretora da ONG.

Possibilidade de prisão é real

Cerca de 60 eritreus internados nesse centro receberam nas últimas semanas uma carta em hebreu intitulada “Nota informativa para o infiltrado que vai embora a um terceiro país seguro”, onde lhes é apresentada a opção de voltar ao seu país ou viajar a Ruanda se não quiserem ser presos indefinidamente, afirmou o jornal Haaretz.

A nova política do governo para imigrantes africanos foi condenada publicamente por coletivos de rabinos, escritores, acadêmicos, médicos e sobreviventes do Holocausto, que enviaram cartas às autoridades israelenses solicitando sua anulação, e por pilotos que assinalaram que se negam a pilotar os aviões nos quais serão deportados os africanos.

Na sexta-feira passada, um grupo de acadêmicos especializados em direito internacional declarou em um documento que o plano do governo viola as leis internacionais de direitos humanos, a jurisdição internacional sobre o estatuto do refugiado e o princípio de não devolução, e pediram à procuradoria que se oponha a ele, informou hoje o site Ynet.

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