Jandira Feghali: Ponto final 

   Tenho lido muita coisa nas redes sobre a relação entre os partidos de esquerda e suas posições na Câmara. Sempre acredito no bom senso, na memória política das lideranças de esquerda, nas que formam opinião e na sororidade, mas lamento dizer que tenho visto faltar algumas dessas coisas nos comentários e nas cobranças feitas.

Por Jandira Feghali*

 

 

A discordância de posições táticas pode existir. Às vezes são pontuais e outras têm maior importância estratégica. Nos momentos mais difíceis da vida política deste país, o PCdoB e sua militância nunca faltaram. Aliás, ocupou a linha de frente quando muitos estiveram acuados ou até ausentes, batendo nos governos Lula e Dilma.

Nas últimas eleições, quando outros da esquerda mantiveram suas candidaturas, nós, os únicos, retiramos a nossa, Manuela, para somar com Lula preso e depois na vice de Haddad. Nas lutas do campo, da cidade, nos duros enfrentamentos com a repressão, nas batalhas na Câmara e Senado, nunca nos omitimos. Nossa posição é clara e aguda contra o governo fascista de Bolsonaro e disso ninguém pode ter dúvida.

Em todas as questões táticas com peso estratégico, eleitorais, na luta social concreta, na conquista democrática que é estrutural do nosso país, sempre, sempre, demos enormes contribuições.

Agora, na eleição da mesa da Câmara, como em outras anteriores, tivemos posições iguais ou diferentes na esquerda. Os blocos parlamentares que se formam não são programáticos e se desfazem nos primeiros dias. Dizer diferente à sociedade é mentir, desinformar. Dizer que os blocos feitos constituem-se como blocos de atuação na casa, nos colocar em campo separado, como se estivéssemos fora da oposição, além de uma falácia, é jogar na ruptura – e não na unidade.

As bancadas menores se juntam para ampliar espaços e relações políticas. A decisão do PCdoB em relação à presidência da Câmara pode ser objeto de debate, pois optou por não marcar posição apenas, mas jamais de desqualificação ou de insinuações oportunistas e desqualificadas.

Antes de iniciada a votação, ficamos chocados com algo mais grave: parte da “esquerda” tentou reverter uma importante decisão da mesa diretora anterior da Câmara, tomada em dezembro e publicada no DO (Diário Oficial) da Câmara recentemente, que garante ao PCdoB, que decidiu por incorporação partidária para superar a restrição da cláusula de desempenho. Isto significa impedir o funcionamento parlamentar pleno do PCdoB.

Esta atitude revela uma visão casuística e puramente matemática contra a liberdade de organização e ação de um partido como o nosso, que teve na clandestinidade seu maior tempo de existência. Sinceramente, esperávamos isto dos fascistas.

Temos o hoje e teremos o amanhã. Sabemos QUEM ENCONTRAREMOS NA LINHA DE FRENTE!!!

Espero que possamos recuperar a boa convivência, não apenas na esquerda, mas com forças mais amplas. Não enfrentaremos o fascismo só com as nossas forças. A esquerda já cometeu muitos erros e precisamos ir além de nós e principalmente para junto do povo.

Aliás, é do que precisamos tratar e debater!!!

Jandira Feghali é deputada federal (PCdoB-RJ)

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