“Leucenas: sinal de alerta ao meio ambiente”, por Cassiano Rodrigues Leite


A “Leucena” (Leucaena leucocephala) é uma espécie arbórea nativa da América Central, e foi introduzida em meio à vegetação brasileira para uso na alimentação pecuária, haja vista seu rápido desenvolvimento, e por ser resistente a situações adversas, promovendo uma acelerada recuperação de áreas degradadas. Porém, como alimento foi rejeitada pelas criações, e sua rápida proliferação e crescimento tornaram-se um grande problema ambiental, uma vez que esta espécie passou a se desenvolver de forma brusca, ocupando áreas de mata nativa, alterando o ecossistema envolvido.


Em Marília é comum visualizar as Leucenas em diversas áreas do município, como praças, áreas verdes, áreas de preservação e até mesmo em nascentes, calçadas e quintais. Em algum momento, a arborização urbana sofreu com o desinteresse público, e arcamos as consequências com a falta de um plano de arborização, onde ficamos sem orientações técnicas para sabermos quais espécies seriam adequadas a cada situação, permitindo que a população escolhesse sem critérios as mudas plantadas em espaços diversos. Assim, preservar Leucenas tornou-se cultura local, onde as pessoas, acreditando colaborar com o meio ambiente, protegem e cuidam dessa espécie invasora, permitindo que ela tome conta da paisagem urbana no município. Até mesmo o poder público, durante anos, consentiu que esta espécie se desenvolvesse em áreas públicas, sendo comum observá-las em toda rodovia do contorno e em diversos espaços verdes do município. A falta de capacitação técnica dos profissionais que realizam a capinação urbana fez com que as espécies fossem preservadas durante as roçagens, e estas, de rápido crescimento, ocuparam áreas verdes e alastraram-se rapidamente. A solução, agora, é a promoção do conhecimento técnico aos profissionais envolvidos no paisagismo urbano, de forma que estes consigam identificar estas espécies invasoras, a fim de retirá-las durante a manutenção das praças e demais áreas verdes, eliminando novos elementos, no intuito de que estes espaços sejam ocupados por espécies nativas da flora brasileira, permitindo o desenvolvimento do ecossistema característico da nossa região, que é formada pela Mata Atlântica Estacional Semidecidual.

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