“LITERATURA: No P da poesia”, por Ramon Franco

“E por isso, porque pertence a menos gente,

É mais livre e maior o rio da minha aldeia”. –

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,

por Alberto Caieiro”

 

Ramon Barbosa Franco com o poeta e compositor Sérgio Ricardo

por Ramon Barbosa Franco

Hoje, 14 de março, é o Dia Nacional da Poesia. A data remente ao poeta dos escravos, Castro Alves. E, ao falar de poesia a pedido do jornalista Marcos Zaparolli, naturalmente me veio um dos maiores poetas de todos os tempos: Fernando Pessoa. Pessoa, que não foi só um, mas muitos, é uma inspiração eterna.

Dizem que ele fugiu de um encontro com Cecília Meirelles, outra imensa poeta, lá nos idos de 1934. Mas, sobre este causo carecem fatos e sobram maldade. Dizem que Pessoa não estava preparado para topar com aquela brasileira que era tão inteligente, quanto linda.

Digitem o nome da autora de ‘Canteiros’ no Google e fiquem encarando aqueles olhos… Não é fácil para o internauta, imagine para o poeta Pessoa, que era Alberto Caieiro, que era Álvaro de Campos e que era Ricardo Reis.

Aliás, nesta manhã de quinta-feira, dia 14, ao trocar mensagens com um grande amigo e grande leitor também, falávamos de um livro que ele queria ler e eu estou lendo: ‘O ano da morte de Ricardo Reis’, de José Saramago. Na trama, Saramago dá vida a Ricardo Reis, que deixa o Brasil e volta para Portugal assim que sabe do falecimento de Fernando Pessoa.

O livro é incrível e Saramago, num texto pré-‘O Evangelho Segundo Jesus Cristo’ realiza o encontro entre cria e criatura, ou seja, Pessoa e Reis se falam.

Poesia é vida. E, neste Dia Nacional da Poesia, me vem os autores do calibre de Ferreira Gullar, de Vinícius de Moraes, de João Pacífico, de Dino Franco e de José Fortuna. Aqui, da vizinha Itápolis, Fortuna compôs clássicos da música caipira. ‘Riozinho’ é a minha preferida e está entre as mais magníficas composições já feitas, na minha modesta opinião. Pacífico compôs ‘No banquinho’, ‘Cabocla Tereza’, ‘Chico Mulato’ e ‘Mourão da Porteira’. Foi descoberto por outro poeta, Guilherme de Almeida. O modernista viajava de trem e alguém disse que o menino moreno do vagão restaurante escrevia alguns versos. Guilherme ficou de queixo caído com o garoto de Cordeirópolis. Dino Franco, tive a honra de conhecer aqui em Marília. Compôs ‘Amargurado’, ‘Manto Estrelado’ e ‘A sementinha’, entre outros ‘hinos’.

Dos poetas brasileiros que a escola nos traz, de primeiro não gostei, mas depois me encantei, foi com Augusto dos Anjos. Não sai da minha mente os versos iniciais de ‘As cismas do destino: Recife. Ponte Buarque de Macedo. Eu, indo em direção à casa do Agra, Assombrado com a minha sombra magra, Pensava no Destino, e tinha medo!’. Poesia e poetas, sempre nos ensinando. Augusto dos Anjos me lembra Edgar Allan Poe, que foi traduzido para o português tanto por Fernando Pessoa, quanto por Machado de Assis. O poema ‘O Corvo’, de Poe, é muito intenso.

E, dos Estados Unidos, junto com Poe, encerro este texto lembrando do poeta do verso livre Walt Whitman, que em determinado poema de seu ‘Folhas de Relva’ nos diz que o poeta sempre está ao lado do leitor. E eu sei, porque todos estão sempre comigo: de Pessoa a João Pacífico, de Augusto dos Anjos a Edgar Allan Poe, de Sérgio Ricardo a Maiakovski, seguem tanto no meu coração, quanto na minha mente.

Feliz Dia da Poesia! Ah, ‘No P da Poesia’ foi um projeto pedagógico excelente realizado aqui em Marília!

Ramon Barbosa Franco é jornalista e escritor, autor de ‘A próxima Colombina’

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