“Maria, Maria”, por Gustavo Perez Pereira Andrade

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Gustavo Perez Pereira Andrade

 

Não devemos perder a coerência, é preferível perder a popularidade a ser incoerente. Não me submeterei ao discurso da moda sendo partidário da injustiça, do pseudomoralismo e do sensacionalismo midiático. Todo julgamento político e jurídico também é um julgamento de gênero, cor e etnia. Porque quando você não pertence as minorias sua falha moral é menor? Porque meu caro a sociedade ao jugar, também juga sua cor, o seu gênero e sua etnia.

Todos os julgamentos midiáticos sempre condenam a uma das partes sem dar direito à ampla defesa, o problema destas exposições públicas é que promoverem equívocos ao induzir a opinião pública a tomar posições que nem sempre são corretas. O linchamento midiático muitas vezes absolve uma pessoa e condena outra sem respeitar o devido processo legal que a priori todo cidadão deveria ter, a exemplo, do já mencionado direito à ampla defesa e ao contraditório, além de desconsiderar a presunção da inocência.

Há condutas imorais e devem ser repudiadas, mas com veemência também devemos repudiar o pseudomoralismo e o linchamento midiático, pois como pode a opinião pública absolver um figurão da política local que tem todos os seus méritos e deméritos ao mesmo tempo que condena outra mandatária que supostamente cometeu tráfico de influência?

Porque a mesma opinião pública e a mídia local que censurou a vereadora não usou do mesmo expediente e da mesma histeria para questionar certas candidaturas de figurões locais que se não tiverem os votos anulados poderão tê-los, pois impetraram recursos na justiça eleitoral? Será que ao fazer isto não haveria audiência ou não tinha uma gravação bombástica para elevar os pontos no IBOPE?

O massacre midiático em cima de uma vereadora muito mais por ser a única mulher da câmara desta legislatura que finda em 2020 e muito menos pelos erros que está cometeu, ou quem sabe toda está histeria coletiva foi promovida visando subir a audiência de portais que exploraram com sensacionalismo à conduta moral da única vereadora.

Afinal como pode os mesmos portais midiáticos não questionarem candidaturas sob judice, e ao mesmo tempo massacrar alguém por uma suposta falha moral. Ora se esta sociedade é cristã eu não sei, mas aqui não só se juga sem ser juiz, como condenação é a pedrada como se todos os nossos edis e os candidatos aos diversos poderes fossem santos ilibados com uma reputação louvável.

Ora existem candidatos ilibados com uma reputação louvável, mas felizmente isto não é a regra, todavia a exceção. Então para que tanta histeria no caso da vereadora? Será por que ela era até então a única legisladora do município?  Se a condenação é por gênero que sejam iguais do ponto de vista midiático para os homens. Porque se as urnas não a condenaram, não serei eu aqui a fazê-lo.

Por fim não é a primeira vez que a mídia lincha figuras públicas muitas por erros, outras por conveniência política, não é à toa que Dilma foi achincalhada, já seu sucessor absolvido em todas as instâncias, não obstante este último tivesse uma conduta moral duvidosa.

A grande mídia condenou Lula sem dar-lhe amplo direito a defesa, assim tem se comportado a imprensa no país, seria oportuno que os canais de televisão, jornais, sites, assumissem abertamente suas ideologias e seus candidatos como nos EUA, já que vai apoiar fulano então jogue limpo e pare de tergiversar com conluios e narrativas tendenciosas contra àqueles a quem não apoia, além dos editorais falarem abertamente suas posições, estes deveriam dar liberdade aos âncoras para se posicionarem!! Que tenhamos liberdade de expressão!!


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