Mercadante: Pluralidade de ideias é valor inegociável da democracia

Para ex-ministro da Educação, filtro ideológico para concessão de bolsas de estudo é mais uma amostra autoritária e antidemocrática do governo Bolsonaro
Eduardo Aiache

Ex-ministro Aloizio Mercadante

Em menos de uma semana, o governo Bolsonaro já propõe retrocessos inaceitáveis na educação brasileira. A tentativa do estabelecimento de um filtro ideológico para a concessão de bolsas de estudos para pós-graduação e doutorado no exterior, além de inconstitucional, atenta contra a liberdade de pesquisa e acadêmica, conquistas seculares das instituições de ensino em todo o mundo, e fere o critério republicano da meritocracia como requisito para o acesso à educação.

Com tal medida, Bolsonaro e sua equipe trazem de volta ao ambiente universitário o macartismo, o autoritarismo, a patrulha ideológica e a perseguição política. Entretanto, o respeito integral à liberdade, à pluralidade de pensamentos e de ideias e ao contraditório são valores inegociáveis da nossa democracia e condições inerentes das nossas universidades.

Esse governo também escancara seu olhar elitista sobre a educação, quando uma ministra, que exala preconceito e discriminação tentando impor padrões cromáticos para meninos e meninas, ataca um programa de Estado, que permitiu uma verdadeira revolução no acesso democrático especialmente dos mais pobres às universidades: o Sisu.

O fim da possibilidade de um estudante se candidatar a vaga universitária longe de onde a família mora, em condições de igualdade com qualquer outro estudante do país, seria o retorno do Brasil a um tempo em que apenas os filhos dos mais ricos tinham acesso à educação superior, seria a volta da indústria dos vestibulares e o fim do próprio Enem, que em nossos governos se tornou o caminho republicano de oportunidades.

Ao que parece, esse governo se esquece que se elegeu em razão de um Estado do Exceção Seletivo, que alijou o favorito das pesquisas da disputa, e partir de uma estratégia pesada de difusão em massa de fake news nasredes sociais, especialmente pelo WhatsApp. Um governo que não foi votado nas urnas por 89,3 milhões de brasileiros e brasileiras. Ou seja, um governo que não tem carta branca para implementar as barbaridades que vem propondo.

Aloizio Mercadante, ex-ministro da Educação

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