“Não acredito na palavra ‘renovação’. A verdadeira mudança se dá pela transformação”

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A gente, pessoa, se renova no dia a dia e, a partir daí, criam-se as condições de transformar nossa própria vida e tudo o que nos rodeia. Na política, a ideia de mudança sempre foi confundida, resultando em previsível continuidade. Nada muda se não há alteração de ideias e ações. E o mais importante: comportamentos. O que precisamos é de uma reconstrução, pois os atuais alicerces políticos já não se sustentam. E qualquer coisa que seja erguida, sobre eles, estará condenada.

Mas nada se transforma da noite para o dia. Por isso, é urgente que tratemos o nosso voto como um companheiro fiel dessa mudança. Que ele seja um canal, não só de contestação ou revolta, mas de efetiva participação política. Ele é ferramenta, não o resultado de uma construção.

A esperança requer coragem. Coragem pra sacudir o desânimo. Todos merecemos, e é nosso direito voltar a acreditar num mundo melhor pra nós, nossos filhos, pais, amigos e irmãos.

Nós podemos e teremos uma política digna, honesta e competente. Nossas vidas dependem da política, queiramos ou não. Nos impostos, nos serviços públicos, nos preços, em tudo.

Então, encaremos o desafio de aceitar que é preciso que nos renovemos para que possamos transformar a realidade. E, sim, é possível.

Sou o Edson (Ferreira da Silva), de nome comum, assim mesmo, como também sou. Nasci em Marília. Era novembro de 1971. De Mãe doméstica e Pai calceteiro (profissão hoje em extinção). A rua Coroados, no Alto Cafezal, também conhecido como “morro do querosene”, foi o lugar que passei a infância até à adolescência, quando houve separação de meus pais. De lá, trouxe as recordações e memórias que fundaram a essência do meu caráter. Tempos difíceis, duros, marcantes. Mas desta dureza lições delicadas foram ensinadas e marcaram, definitivamente, meu modo de entender o mundo, de resistir e enfrentar obstáculos. Encarar a vida de frente.

A recordação mais distante é de meu pai, que se foi em 1992. Um exímio violonista, que sequer cursara o, até então, ensino primário, que não conhecia sequer uma nota musical, sem nada a oferecer senão a música, os chorinhos e serestas e, sem que ele mesmo soubesse, deixou – apesar dos pesares – a maior riqueza que trago e levarei sempre comigo. A paixão pela música, a cultura e as artes. A lembrança mais presente, de minha mãe que, falecida em 1997, nunca permitiu que a vida, por mais dolorosa, tirasse o brilho dos seus olhos. Essa era a sua poesia.

Fui um menino feliz, afinal naquela época não era preciso muito. As referências de felicidade eram apenas brincar na rua (rolimã, queimada, amarelinha etc.).

Apenas me despedi das brincadeiras quando da inevitável necessidade do trabalho, aos doze anos e, pouco mais tarde, como legionário da Legião Mirim de Marília. Fui servente de meu pai, entregador de marmita, empacotador, chapeiro, balconista. E todas estas atividades exerci com muito orgulho.

Frequentei o curso primário (da 1ª à 4ª série) na Escola Adventista do Sétimo Dia. Àquela época, na Rua 24 de Dezembro, em salas de aula improvisadas nos porões da Igreja. De lá, para a Escola ‘Gabriel Monteiro da Silva’ e, aos doze anos, me transferi para o período noturno. Logo depois, aos 14, interrompi os estudos. Após dois anos os retomei, através de concurso, no antigo CEFAM – Centro de Formação e Aperfeiçoamento para o Magistério, tendo sido egresso da primeira turma. Desta experiência de formação no Magistério construí, definitivamente, todo o meu princípio de entendimento do mundo, da vida e da política, com mestres como Macário Ribeiro Macário e Tito Bassan, que não eram apenas professores, mas formadores de pessoas, fomentadores de pensamento crítico e cidadania.  Em 1992, aos 21 anos, ingressei no curso de Ciências Sociais, da UNESP em Marília.

Ainda cursando o primeiro ano de faculdade, prestei concurso público, ingressando na rede pública estadual de ensino, como Oficial de Escola. Hoje, Gerente de Organização Escolar, em uma escola pública estadual, em quase 30 anos de atividade.

Exerci atividades junto ao sindicato de classe e aos funcionários de escolas na região de Marília, auxiliando na luta por condições dignas de vida e de trabalho. Afinal, era preciso enfrentamento aos sempre duros ataques de sucessivos governos aos trabalhadores da educação. Talvez neste momento, a necessidade de compreender a política e agir diretamente nela tenha tomado, de vez, forma e conteúdo em minha vida.

Também atuei em trabalhos voluntários, mas aquele que mais me satisfez e muito me ensinou foi junto à Associação Amor à Vida, serviço similar ao CVV que, durante anos, contribuiu para não interromper sonhos, salvando muitas pessoas e suas próprias vidas. Mas também nos salvando da indiferença com o outro, elegendo a empatia como uma fonte inesgotável de refazimento pessoal, humano e existencial.

O magistério também fez parte de minha trajetória, participando durante alguns anos na função de Tutoria da FUNDAP – instituição pública infelizmente desmantelada anos depois por decisão do governo estadual de SP, mas que prestou relevantes serviços na formação dos servidores públicos e contribuiu, consequentemente, para a melhoria de suas atuações, impactando direta e positivamente no atendimento à população.

A decisão em participar da política institucional não foi, portanto, nenhuma surpresa ou decisão apressada ou irrefletida, pois já – como todos nós – era ativamente político no dia a dia. O cotidiano que é vivido e, ao mesmo tempo, pensado, e que nos faz refletir e se indignar, não é nada senão força política que grita dentro de nós.

Do Alto Cafezal, ao Bairro Fragata. Do CDHU ao Nova Marília. Lugares que vivi intensamente.

Do menino ao homem.

Isso tudo me fez.

Este todo sou eu.

E se acredito num mundo diferente e transformador na e pela política? Ainda tenho essa esperança. Mas ela não será nada, além de só esperança, se não houver alguém que sonhe, como eu, que isso seja possível. Se houver mais que um, e eles estão por aí eu sei, já não estaremos sozinhos.

Há um trecho de um grito de liberdade, que sem ele jamais faremos um mundo melhor, com tudo o que merecemos como inclusão, diversidade, tolerância, respeito, em todos os seus tons e matizes:

“Organizar a esperança; criar sem pedir licença. Convocar todos os sonhos. ” Porque a hora é agora


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