O combate à propagação de informações falsas, por Marcílio Felippe

Marcílio Felippe

Agora, entre uma presidência que expira e outra que se espera, não pode existir entre nós a mesma predisposição combatente de outrora. A primeira presidência já deu de si o bem e o mal que podia. Da segunda ainda não é tempo que julguemos; por que não queremos julgá-la senão pelos atos do seu governo, deixando a conta da atual as antecipações de autoridade, que parece haver-lhe permitido o sancionado.

Marcílio Felippe

Aguardaremos, pois, sem prevenções e com aquele desejo de aplaudir, em que naturalmente nos empenha a necessidade crescente de ver abrir-se na República, um período, que a reconcilie com a nação alheada pelos erros. A violência das personalidades, que tem disposto deste regime, semeou de ódios o campo republicano, e retalhou a golpes brutais a sociedade brasileira.

Mas uma rápida inversão nos acontecimentos e nas posições, cindindo a oligarquia partidária, que monopolizava o poder, levou os que denunciavam de suspeita à república a nossa luta pelo direito a confessarem o valor inestimável das garantias constitucionais… Era a ocasião para celebrarmos a paz dos princípios, e assinar, de uma vez para sempre, o desarmamento político das reações.

Isso não quer dizer a estima oferecida aos réus: não há união digna, ou estável, pela cumplicidade no crime. ”

O texto acima encaixa-se perfeitamente no momento político que estamos vivenciando, embora tenha sido escrito em 1898, na transição do poder republicano, por ninguém menos que Rui Barbosa (1849 -1923), no jornal “A Imprensa” da cidade do Rio de Janeiro, quando escreveu textos jornalísticos no período de 1898 – 1901, com enfoque na posição deste autor sobre o debate educacional divulgado por meio desse jornal na época.

O Brasil vivia situações similares à Velha República, em comparação com as enfrentadas hoje com a Nova República. Guardadas as devidas proporções, estamos também em transição de poder. A presidência da república hoje, passou das mãos de partidos reconhecidamente de esquerda e chamados “progressistas”, para simpatizantes de uma direita conservadora.

Assim como em 1889 e 1893, o impulso inicial dos vencidos nas urnas é de hostilidade, primitivamente ao presidente eleito, como se não fizesse diferença alguma os 57,8 milhões de votos recebidos pelo capitão reformado. O intuito original é opugnar o governo democraticamente eleito, não importando os meios.

Poderíamos esperar que o partido que se instalou no Palácio do Planalto há décadas, enfraquecido e vacilante, cedesse. Mas seria pueril imaginar que dobrasse, de espada em punho, sem responsabilidade, nem contraste, com tantas denúncias de crimes por corrupção a pesar-lhe na alma, com seu mentor onipoderoso condenado e preso, sem qualquer resquício de arrependimento.

Agora seria a oportunidade de encetar vida nova, negando tradições odiosas, extinguindo sentimentos selvagens, aproximando colaborações úteis, assentando a ordem na prática leal da liberdade, abolindo os sofismas que a prescreveram em nome de uma falsa constituição, de uma falsa democracia, de um falso patriotismo.

Falsas Informações

Uma das armas utilizadas pela violência virtual nesses tempos de internet e que tem afetado sobremaneira o cenário político nacional, são as informações falsas. Nos faltam disciplina e educação suficientes para que as informações verdadeiras disponíveis, prevaleçam sobre as mentiras veiculadas na imprensa em todos os seus meios.

Senadores da República, deputados federais, ministros, intelectuais, jornalistas e comunicadores em geral, utilizam informações falsas e contra informações para benefício próprio ou partidário. Usam e abusam de inverdades e muitas vezes mascarando a realidade. Isso, assustadoramente, está se tornando uma prática normal. Basta acessar o Facebook, o Twitter e os portais e os blogs de notícias: você sempre encontrará uma versão enviesada da realidade.

Onde vamos parar? A impressão que se tem é que se trata de uma gigantesca bola de neve que vai nos tragar, no meio da nevasca. Estamos estigmatizando a mentira como meio de poder e convencimento, tal e qual utilizada pelos governos totalitários. E parece-me que nessa guerra do quarto poder, não há culpados nem vítimas: todos cometem seus pecados. É preciso filtrar as informações mais que nunca. Ou nos educarmos.

Só há uma forma de conter essa expansão da má utilização da informação: a educação de base, ensinando e educando como utilizá-la bem. Nesse contexto, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o maior produtor de informações oficiais do país, realizou no dia 13 de novembro próximo passado, o 3º Seminário IBGE de Portas Abertas para a Escola, no Rio de Janeiro (RJ), onde trouxe especialistas para discutir a produção e a divulgação de informações confiáveis para crianças e jovens.

Entre os palestrantes que compartilharam suas experiências, estavam representantes do NexoEDU, o Armazenzinho de Dados, do Data_Label, da Escola Nave, do Jornal Joca, da Lupa Educação, e do IBGEeduca, entidades produtoras e disseminadora de informações de dados confiáveis. Os participantes receberam certificado de participação no evento.

A importância desse seminário é justamente, educar e mostrar a correta utilização de dados confiáveis e verdadeiros para utilização e disseminação em programas e trabalhos, principalmente nos meios de comunicação. Na abertura do evento, o coordenador geral do Centro de Documentação e Disseminação de Informações (CDDI) do IBGE, David Wu Tai, enfatizou a importância de o instituto ter conteúdos adaptados ao público escolar, de forma a contribuir para a missão de fortalecer o exercício da cidadania.

“Não basta o IBGE ser um excelente coletor e produtor de informações, saber analisar esses dados, publicá-los e colocá-los na internet, se o público final a que se destina não conseguir absorver aquela informação”, afirmou David.

Em seguida, a coordenadora do IBGEeduca, plataforma de educação do instituto, Renata Corrêa, retomou a história dos projetos voltados ao público escolar e contextualizou o tema do seminário com a importância de discutir os desafios e possibilidades ao comunicar informações confiáveis a uma geração jovem que acessa e produz tanto conteúdo.

Informação confiável e contextualizada

O gerente de marketing da Agência Lupa, Douglas Silveira, que coordena o projeto LupaEducação, contextualizou o conceito de fact checking (checagem de fatos), que surge como contraposição à desinformação, refletindo que a ideia de “pós-verdade” é uma espécie de “gourmetização da mentira”.

Voltada à capacitação para checagem de notícias, a LupaEducação realiza palestras e treinamentos, que inicialmente eram voltados a universitários e profissionais. Porém, diante do interesse de estudantes e professores de Ensino Médio, o projeto realizou algumas capacitações para esse público, além de buscar parcerias para ações voltadas diretamente aos mais jovens, como a iniciativa Fake ou News.

A editora-executiva do Jornal Nexo, Marina Menezes, apresentou o NexoEdu área que destaca conteúdos relativos a atualidades e a temas do currículo escolar. Marina explicou que o jornalismo do Nexo é voltado à contextualização, o que faz com que o veículo tenha “vocação para a educação”.

Para ela, tanto o jornalismo quanto a educação são “essenciais para a democracia, o exercício da cidadania e a formação de opinião para a tomada de decisão”. Ela conta que os próprios comentários de alguns leitores nas redes sociais já relatavam o uso de materiais do Nexo em sala de aula e pesquisas escolares, e que é comum a solicitação de licenciamentos para materiais didáticos, o que motivou a criação do Nexo EDU.

Jornalismo de dados

Isso não é uma questão local, mas nacional. Compare o “El Pais” da Espanha com a “Folha de São Paulo” por exemplo. É totalmente diferente. Trazem menos conteúdo e mais análise dos fatos. O jornal é volumoso, muito mais páginas que o nosso, mas com menos notícias. Trazem uma discussão muito mais ampla.  Especialistas discutindo fatos, ponderando, por quer o fato já aconteceu.

É preciso entendê-lo. Quando se abre o jornal impresso, já sabemos a notícia, que veio pelas redes ou pelo celular. É preciso saber como aconteceu, por que e onde.  Por isso na Espanha se vende muito jornal.  Aqui estamos perdendo o bonde da história. O Jornal do Brasil foi fechado por não ter sido adequado aos novos tempos e aos novos leitores.

Os grandes jornais tradicionais como “O Estado” correm sério risco de seguir o mesmo caminho do Jornal do Brasil. A grande imprensa nacional não consegue dar esse passo. Deveriam ter trabalhos de construção mais apurado do que é hoje.  Mudar o perfil de comunicação é preciso.

O ”data jornalismo” está preenchendo essa necessidade de informação com mais conteúdo, com mais dados e mais informações confiáveis. Hoje, não se traz dados com qualidade e isenção. A imprensa sempre parece estar amarrada e comprometida com quem lhe paga as verbas de publicidade, que a sustenta.

Trabalhar com dados confiáveis e com informações mais precisas tem sido um diferencial para o jornalismo em qualquer meio, seja o escrito, televisivo ou pelo rádio. O próprio jornalista pode fazer suas projeções, tabelas, analisar dados ou convidar um especialista para interpreta-los.

Longe da “tríade” de poder da sociedade que é composto pela “violência, pela riqueza e pelo conhecimento”, no período atual o conhecimento está se revertendo para ser o mais poderoso. E se só se adquire conhecimento com riqueza de conteúdo. E com a verdade.

Fontes: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/23060-especialistas-discutem-combate-a-propagacao-de-informacoes-falsas

Rui Barbosa – Campanhas Jornalísticas – Volume III

MARCILIO PASCOAL FELIPPE-*

NATURAL DE SÃO PAULO – RESIDE EM TUPÃ SP-

Bacharel em Jornalismo, pela Faculdade FACCAT de Tupã. Jornalista Profissional devidamente registrado no Ministério do Trabalho  sob numero 0085309/SP

É Técnico de Planejamento e Gestão de Informações, na Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, tendo ingressado na instituição em 1980.

Desenvolveu trabalhos na área de coleta de dados, tendo participado ativamente em nove campanhas censitárias, como supervisor e Coordenador de Área.

Trabalhou na Base Territorial do IBGE de São Paulo, na atualização de mapas e acertos de limites territoriais municipais e distritais, em convênio com o IGC (Instituto Geográfico e Cartográfico do Estado de São Paulo).

Participa ativamente de execução de projetos de pesquisas sociais, demográficas e econômicas, ministrando treinamentos e acompanhando os trabalhos de coleta de campo como supervisor.

Atualmente ocupa cargo de chefe da unidade em Tupã/SP e é Coordenador de Área do Censo Agropecuário da região de Bauru, Jau e Botucatu.

Formação do Ensino Médio: Técnico em Administração, tendo trabalhado na iniciativa privada no setor de contabilidade, de recursos humanos e de marketing, antes do ingresso no serviço público.

Escreve um artigo semanalmente no jornal Destaque de Osvaldo Cruz. Palestrante em escolas públicas estaduais, para estudantes de ensino médio, abordando temas como a cartografia, geografia, pesquisas e mapas.

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