O QUE HÁ POR TRÁS DE UMA REPETIÇÃO?, por ALINE MORAES

 

O que é que faz uma pessoa repetir, repetir e repetir o mesmo ato/discurso sem perceber isso?

Podemos entender a compulsão como uma repetição tão forte que sentimos prazer/desprazer ao mesmo tempo em que estamos repetindo.

São vários os tipos de compulsão, ou melhor, de objetos, as compulsões por bebida, por comida, por compra, por sexo entre outras, estes objetos estão no lugar de algo. Por trás disso está algo que não podemos dar conta. A repetição diz respeito a uma falta, a uma condição de desamparo, a uma frustração.

“O sujeito vive [o que repete] como algo real e atual, sem saber que o passado é uma força atuante” (Freud).  Muitas vezes somos escravos de nosso inconsciente, ele pode nos levar a repetir sem nos darmos conta disso.

Quando somos bebê o afeto e o alimento estão no mesmo registro. O bebê precisa de amor, do calor do corpo do cuidador (mãe, pai, avó, de quem cumpre essa função) enquanto amamenta, dá a comida e dessa maneira é construída a ligação afetiva. Nesse momento, inconscientemente, faço a associação entre afeto e alimento.

Na fase adulta não necessitamos mais representar a ligação afetiva com alimento, podemos tê-la diretamente com a presença, com o toque. Porém, quando temos uma falta afetiva, em alguns casos, procuramos preencher essa falta afetiva com alimento. Associando o prazer do afeto com a comida como em nosso registro anterior. Essa fome de afeto pode levar a uma compulsão, uma vez que, tentamos satisfazer uma fome que não é daquilo que eu estou comendo, falando de outra forma, tentamos resolver essa falta afetiva através do ato compulsivo de comer.

Podemos dizer que algumas compulsões são desencadeadas pela impossibilidade de alcançarmos nosso objeto de desejo, devido a essa impossibilidade deslocamos esse desejo para um objeto mais acessível. A compulsão por compras, por exemplo: não podemos impor admiração, respeito e amor, mas podemos comprar um sapato, um carro, uma bolsa, porém após a compra vem insatisfação porque queríamos o contato, o afeto, então depois dessa compra faremos outra e outra e outra… Vem o sofrimento junto com o sintoma de consumir. Temos o desejo de parar, mas não conseguimos, o prazer impulsiona e às vezes chegamos próximo ao limite, a exaustão, chega a algo que não damos conta. E muitos só param com a falência. Alguns desenvolvem a fantasia de que se tivessem tal bolsa, tal carro, teria tal valor e assim fulano (a) iria me amar, admirar, respeitar.

Se não conseguimos lidar com a realidade, se ela nos é dolorosa, tentamos não olhar para ela. Objetos são acessíveis, já relacionamentos depende de outra pessoa.

Uma vez que essas pessoas sentem como obrigadas a esses exercícios repetitivos, seria muito interessante a psicoterapia nesses casos, para fazer essa pessoa falar, fazer ganhar voz aquilo que não tem voz, dar contorno e escutar as coisas que aconteceram e que a faz repetir e repetir para assim poder melhor elaborar. Auxilia-nos a chegar mais próximo as nossas verdades e não ao que pensamos ser.

 

Aline Marcela de Moraes, Psicóloga, Técnica em Segurança do Trabalho, Técnica em Administração de Empresa. Psicóloga Clínica em consultório particular desde 2016 – CRP: 06/130716 – Facebook: /ammpsicologa – e-mail: alinemarcela_moraes@hotmail.com – Fone: (14) 99679-2161.

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