O que limita o sujeito: a deficiência, ou a sociedade?

*Aline Marcela de Moraes

De acordo com o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil possui 45 milhões de Pessoas com Deficiência (PCDs), o que representa 24% da população.

Como podemos notar, o número de pessoas com deficiência é grande. Mas onde está, então, essa população que raramente é vista nas ruas? Será que essas pessoas preferem ficar em suas casas? Na realidade, elas anseiam por sair às ruas. O problema está nas barreiras sociais: arquitetônicas e atitudinais que impedem sua inserção social.

O contato com as pessoas deficientes ainda é reduzido a hospitais e centros de reabilitação. Raramente se vê pessoas com deficiência participando de atividades sociais, seja como consumidor nos centros urbanos, estudantes (podemos observar um leve crescimento nessa área), trabalhador, turista, num barzinho, cinemas (os que possuem acessibilidade para cadeira de rodas disponibilizam locais para acomodá-la demasiadamente próximo a tela, o que faz com que a pessoa saia de lá com dores no pescoço e coluna), dentre outros.

Sobre a questão da acessibilidade, o decreto 6.949 – art 9 traz: “Possibilitar às pessoas com deficiência viver de forma independente e participar plenamente de todos os aspectos da vida, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas…”

As cidades são projetadas para pessoas altamente funcionais, não são pensadas para pessoas com deficiência e nem mesmo para idosos. Em uma saída rápida às ruas, podemos constatar que a acessibilidade é precária. Elencando alguns exemplos: as rampas são mal projetadas, banheiros não adaptados, portas estreitas, calçadas inadequadas, falta sinais sonoros, interprete de libras para quem necessita, escrituras em braile, programa de computação capazes de fazer leitura da tela para pessoas cegas, dentre outros.

O ambiente no qual a PcD está inserida pode facilitar ou dificultar suas atividades, promover melhor ou pior qualidade de vida. A falta de adaptações no ambiente, preconceitos e estigmas com relação às pessoas deficientes produz a insegurança e resistência em lidar com a diversidade. Essa segregação velada dificulta o processo da inclusão e integração social.

A deficiência é uma questão biopsicossocial. A sociedade e os governantes precisam ter conhecimento e sensibilidade sobre o que é a acessibilidade, pois a deficiência está na relação com a sociedade. Faltam políticas públicas a fim de promover uma vida autônoma, falta o envolvimento de todas as pessoas nas transformações sociais para que todas possam exercer seus direitos e responsabilidades.

Vale deixar claro que o fator limitante não é apenas a deficiência, mas também os fatores sociais, culturais e ambientais. Outro exemplo é a dificuldade de inserção no mercado de trabalho que só é alcançado através das cotas, e poucas empresas cumprem o que determina a lei usando o argumento de que as vagas não são preenchidas por falta de PcD qualificadas, e quando o fazem, buscam recrutar PcD com deficiência mais leve.

A luta em busca de conscientização é diária. Vamos trabalhar nosso olhar para buscar o potencial das pessoas e não suas deficiências. Lembrando sempre que as limitações da deficiência pertence a PcD e a limitação externa causado pelo ambiente pertence a nós, ou seja, a deficiência pertence a todos.

Falo do lugar de pessoa com deficiência, deficiência adquirida após complicações em uma cirurgia de alto risco a qual precisei me submeter (veja bem, não quero dizer que ocorreu erro médico, eu estava ciente dos riscos existentes).

 

*Aline Marcela de Moraes, Psicóloga, Técnica em Segurança do Trabalho, Técnica em Administração de Empresa. Psicóloga Clínica em consultório particular desde 2016 – CRP: 06/130716 – Facebook: /ammpsicologa – e-mail: alinemarcela_moraes@hotmail.com – Fone: (14) 99679-2161.

 

2 comentários

  1. Olá!
    Concordo plenamente com o que postou, uma das causas evidentes, mas camuflada é o preconceito de uma parte da sociedade que acredita que o deficiente seja inapto para seguir sua vida em sociedade. Parabéns pela matéria!

  2. Parabéns pelo excelente artigo Aline!
    Uma forma para destacar e divulgar o direito da pessoa com deficiência de ir e vir, como qualquer cidadão independente de deficiência.

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