Policiais tentam apreender imagens de fotógrafo de reporter fotográfico

por Arthur Stabile

ponte.org

Daniel Arroyo registrava manifestação de moradores de Paraisópolis, revoltados com a morte de 9 jovens em ação da PM durante baile funk

Policiais militares do 16º BPM/M (Batalhão de Polícia Militar Metropolitano) abordaram o fotógrafo Daniel Arroyo, da Ponte Jornalismo, e exigiram que ele lhes entregasse imagens feitas na cobertura de uma manifestação ocorrida em Paraisópolis, zona sul da cidade de São Paulo, neste domingo (1º /12).

Arroyo cobria ato mobilizado por moradores em resposta às mortes de nove pessoas pisoteadas em ação da PM no baile funk que ocorria na comunidade na madrugada. O fotógrafo acompanhava o trajeto do ato e parou para fazer imagens da abordagem policial a um motociclista.

Ao fotografar a abordagem, ele também teve de mostrar seus documentos e os PMs exigiram as imagens que Arroyo havia feito. “Comecei a fazer foto do enquadro, que foi tranquilo, nada de mais. Ele [motoqueiro] estava com a bolsa de uma empresa de entregas, mostrava o celular e argumentava que estava fazendo uma entrega. Foi quando parte do ato voltou e uns garotos jogaram uma bombinha na base. Os PMs vieram para cima de mim, queriam pegar as imagens”, explica.

Em seguida, os policiais questionaram se Arroyo havia registrado a cena e se iria publicá-la. Com a resposta positiva, pediram que ele lhes entregasse as imagens, o que foi negado. “Falei que ia passar tudo nos vídeos que faria, tanto cenas do protesto como aquela situação. Eles queriam meu telefone e minhas imagens”, conta.

Daniel Arroyo é obrigado a mostrar imagens que fez do protesto para PMs | Foto: Lucas Martins/Jornalistas Livres

Os policiais insistiram para que o fotógrafo passasse um contato telefônico para “caso eles precisassem” das imagens e, com uma nova recusa, pediram a identificação de Daniel Arroyo e oficializaram uma abordagem ao consultar no sistema online da corporação o número do RG de Arroyo.

Presidente do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana), o advogado Dimitri Sales interferiu na ação dos PMs, dizendo que o ato era cerceamento da liberdade de imprensa, o que não adiantou muito, segundo Daniel. O fotógrafo foi liberado só após Sales passar seu próprio número de telefone para os PMs. Minutos depois, um PM que se identificou como cabo Marques telefonou para Sales.

Ponte Jornalismo entrou em contato com a SSP (Secretaria da Segurança Pública) de São Paulo, geria pelo general João Camilo Pires de Campos neste governo de João Doria (PSDB) e questionou a abordagem feita pelos PMs. Até agora, aguarda um posicionamento oficial.

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