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”Pra não dizer que não falei das flores…”, por Cassiano Rodrigues Leite

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”Pra não dizer que não falei das flores…”, por Cassiano Rodrigues Leite

O cinza do concreto ocupa cada vez mais os espaços nos centros urbanos, deixando as cidades apáticas e tristes. As expressões nos rostos dos marilienses refletem essa apatia, enquanto caminham desviando de obstáculos como postes e lixeiras, além de buracos e degraus nas calçadas. Não se observa árvores no centro urbano, principalmente aquelas espécies que oferecem a beleza das flores, como os Ipês, Manacás, Quaresmeiras, Resedás, Buquês de Noiva, e tantas outras espécies que embelezam o local ao redor aonde se desenvolvem. As calçadas não possuem canteiros permeáveis, inclusive, este é item obrigatório no Código de Obras do Município de Marília, mas a Lei não é cumprida em sua íntegra, permitindo que os passeios públicos sejam totalmente cobertos pelo concreto, muitas vezes formando degraus e declividades impossíveis de serem superados por pedestres, forçando estes a caminharem em meio às ruas e avenidas.
O colorido das pequenas flores, que antes nossos pais e avós plantavam em torno das árvores, salpicando de variados tons coloridos às calçadas, desapareceu da nossa cidade.
Não bastasse a perda dessa beleza toda, perdemos, consequentemente, as abelhas, que realizavam a polinização, e davam o equilíbrio ambiental à nossa flora, perpetuando as espécies. Outra espécie que desapareceu do centro urbano, tão comum em décadas passadas, foi o vagalume. Quando criança, observávamos estes brilhando no escuro, embelezando às noites quentes de verão. O canto das cigarras também foi silenciado pela falta de habitats. Infelizmente, desapareceram junto com a vegetação que tínhamos em nossa área urbana.

Flores nas Praças – Fonte: Prefeitura de Atibaia – “Programa Atibaia Florida”

Arborização Urbana com flores – Fonte: Google

Assim, em determinado momento da nossa história, perdemos toda essa beleza em nosso centro urbano, e contribuímos para a extinção de espécies que sobreviviam em meio a esse bioma.
É possível reverter este quadro? Sim! O poder público precisa aplicar as legislações existentes que orientam quanto a existência de áreas permeáveis em calçadas e quintais, além de intensificar a fiscalização que obriga o plantio de ao menos uma árvore em frente à cada imóvel.
Ainda há tempo para resgatar aquelas belas praças na região central, aonde, em décadas passadas, eram locais de encontro dos jovens nos finais de semana, e embelezavam as áreas públicas com suas flores, tornando mais leves e suaves as correrias do dia-a-dia. Cabe ao poder público melhorar o paisagismo urbano, e a população colaborar, preservando essa riqueza ambiental.


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