Prefeito Daniel : um governo pisando em ovos

Um governo pisando em ovos

Mas, ainda há esperança, afinal ovos mexidos dão um bom omelete.

Esse governo que aí está, que foi eleito com o discurso da mudança, vive se metendo em confusão à toa, por falta de comunicação, por falta de humildade em chamar a sociedade para o diálogo, sofre por que gosta, por que quer, por que tem gente que se sente acima do povo quando deveria trabalhar para o povo.

A iniciativa da Emdurb em melhorar a logística de recepção aos estudantes que iriam prestar Enem neste domingo foi das mais acertadas. Até os cursinhos elogiaram a medida. Propiciou mais conforto e segurança aos milhares de alunos que se dirigiram à universidade para fazer a prova que lhes selará o destino de cada um.

Porém, precisou o professor Percyvan Machado ir nas redes sociais, fazer um desabafo, que repercutiu geral, sem contar os milhares de acessos que teve sua manifestação e com razão para que se explicasse o que de fato ia ocorrer.

Isso porque de ordem de alguém os fiscais notificaram os cursinhos que seriam impedidos de montar seus estandes como sempre ocorreu, mas faltou a gestão política, o diálogo, a competência e o bom senso para explicar que a mudança seria benéfica.

Como resultado, mais um de tantas dezenas de desgastes que sofre esse governo por completa incompetência no gerenciamento da comunicação e da gestão política.

Toma pau por que gosta, por que adora sofrer, por que adora que lhe xinguem, por que adora se sentir acima do bem e do mal, sem se importar em ouvir a sociedade e tomar assim, atitudes que julga por si  corretas. Oras, quem tira e põe político do poder é o povo, é povo, portanto, quem tem que ser ouvido e respeitado nos seus argumentos. Só que não, aqui, terra dos eternos coronéis da política, é ao contrário. O povo vive sendo tratado como capacho. Não é este ou aquele, é cultural isso na cidade diante de um povo silente e dormente, que vive em estado de sonambulismo enquanto lhe tomam a carteira e lhe passam a mão sem perceber.

No sábado, o prefeito Daniel foi a convenção monstro do PSD, partido do deputado federal Walter Ihoshi e de seu líder na Câmara, Marcos Rezende, onde haviam cerca de 500 convidados e mais de 60 prefeitos e ex-prefeitos do interior. Onde estavam os secretários do prefeito, com exceção de Faneco, da Administração, que fez questão de não cumprimentar o articulista, provavelmente estavam deitados em berço esplendido. O Sandro Espadoto, o Nelson Mora, o Carlos Rappini, o Valdeci Fagundes, estavam lá, sim. Outros, que o articulista não visualizou e que por favor, acrescentem os nomes na postagem. Mas, o grosso do secretariado não. Uma reunião política, em que o prefeito representou a todos e falou em nome de todos os demais colegas de Executivo, uma recepção ao Ministro Gilberto Kassab, memorável, organizada pelo vereador Marcos Rezende e seus assesores, a quem se deve tirar o chapéu.

Pois, bem. Prefeito Daniel andando sozinho, sem aquela turma que escolheu para o primeiro escalão, muito bem paga, com celular corporativo, carro oficial,  salário em dia, não como os aposentados que estão sem receber e contribuíram por décadas.

Mais recentemente,  projeto de aumento do IPTU, que todos sabiam ser incoerente, impraticável, que faltou comunicação junto à população para explicar sua finalidade, porque não é só a Câmara que deve ser ouvida, as bases também, associações de bairro, sindicatos, etc.  Não passou, teve que ser retirado por que se fosse posto em votação, prefeito Daniel passaria vergonha com uma derrota implacável, tipo 7×1 Alemanha e Brasil, lembram.  Pior, quanta prepotência do secretário falando com os vereadores.  Câmara deve ser respeitada. Secretário chegou a dizer que vereadores não sabiam lidar com números, na prática não sabiam fazer contas, não precisa dizer do que o secretário lhes chamou né.

Questão das licitações feitas nas coxas, por que se perdeu o prazo, por que tem secretário que não sabe o que é um giz, um quadro negro, uma escola e se põe a tentar fazer o que não sabe, não se discute competência, mas experiência. Resultado, não fez o pedido a tempo da carne, no afogadilho, Tribunal de Contas disse “opa pera lá, aqui não, respeita os conselheiros, não tem trouxa aqui”.  Em outra secretaria, é uma denúncia atrás da outra, ai corre filmar que está tudo bem, panelas brilhando, areadas, mesa farta, estoques cheios, quase um cenário de novela, em que é tudo perfeito.

Dos antigos colaboradores que elegeram o prefeito, dos cabeças de área, linha de frente, atacantes, não restou nenhum. Todos voltaram para casa, injustiçados, é verdade. E o líder começa a perder a batalha quando perde seus principais soldados. Na guerra da política, não há tempo para repor quadros. A confiança exige tempo, lealdade e cumplicidade.

Não vamos citar nomes, mas são muitos os que foram abandonados pelo governo que aí está. Ingratidão é um tapa que se dá na cara do colaborar e ele nunca esquece.

Antes ainda, outra sucessão de trapalhadas sem fim, que a gente até entende, o poder deslumbra, aquele checão de quase 800 milhões de reais na mão, pra gastar, digo, com relação ao orçamento municipal, cargos aos montes pra nomear amigos e apadrinhados, diárias, carro oficial, viagens por conta do erário público, tudo na mão, sobretudo o poder que inebria, deixa o investido em cargo público, tonto de tanto beber dos tonéis da bonança que o referido cargo confere. Mas, quando acordar da realidade, da ressaca do bem viver, aí é começa a dor de cabeça.

Por isso, melhor não se embebedar do poder, melhor  ser humilde, tratar a todos bem, melhor não ser ingrato, não esnobar, aceitar que no cargo, as críticas fazem parte da construção do processo da mudança, enfim.

E para lembrar o prefeito, que está pisando em ovos, sempre dá pra fazer um bom omelete de ovos mexidos.

 

 

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