QUAL A SUA VISÃO DO AMOR?, por ALINE MORAES

Abordar os discursos sobre o amor certamente não é tarefa fácil, pois nunca dizemos tudo sobre o amor. Dito isso minha intenção aqui é provocar o pensar e usarei como referencial Freud e Lacan.

Popularmente o amor é visto como a criação de um vínculo emocional com alguém, sendo essa, muitas vezes, vista como a única forma de alcançar a felicidade.

Desde tempos longínquos o amor é abordado, sublimado, idealizado e produz obras maravilhosas através da poesia, da música, do cinema e das artes plásticas. Os poetas escreviam sobre seus desejos: que eram sempre lamentos sobre a falta.

A escolha da pessoa amada se dá de forma inconsciente. Não sabemos ao certo o que nos encanta no outro. Assim como também não sabemos do porque somos amados e quando o outro nos diz nunca é pelo que pensávamos ser.

Alguns autores dizem que só é possível amar se um dia já fomos amados.  E que buscamos repetir no aqui-e-agora (re) vivências das satisfações que foram marcadas psiquicamente na tenra infância. Derivados de nossos primeiros vínculos.

Freud coloca que todo indivíduo tem dois tipos de escolha de objeto amoroso: narcísico e anaclítico. A escolha narcísica o sujeito tem a si mesmo como modelo. O tipo anaclítico tem como modelo figuras parentais: amamos a mulher que alimenta ou o homem que protege. Para Freud nosso trabalho no amor é diferenciar o outro de nossos pais e de nós mesmos para podermos enxergar como ele é.

Lacan nos diz que “amar é dar aquilo que não se tem”, inaugura o amor no campo da falta. A clínica psicanalítica nos ensina que a falta faz parte da constituição da subjetividade do sujeito. Portanto, o amor não elimina a falta. Esse objeto imaginarizado que entra em jogo no amor e que vem ocupar o lugar do vazio da falta.

Nos relacionamentos em que o amante tem o amado como parte dele. A visão de junção de dois em um. A difundida idealização do amor como alma gêmea. Pode-se dizer que espera de um milagre. De início vem à demanda de ser mais e mais amado, depois surgem as queixas, frustrações e decepções por não ter sido amado de acordo com suas expectativas. Nesse tipo de amor o outro se torna o responsável direto pela felicidade ou não do amante.

Enquanto que o amor como dom ativo enxerga o amante como outro ser e aceita suas falhas, defeitos e fraquezas. Ama-se o próprio amor. Nesse tipo de relacionamento as atividades e os interesses individuais são mantidos em busca do desenvolvimento e a realização pessoal.

Quando amamos ficamos com a ideia de que o amado é pleno e que nos ama mesmo sendo nós imperfeitos. Nesse momento que estamos frente a frente com a falta o real bate a nossa porta. Não estamos aqui para agradar o outro assim como o outro não está aqui para nos agradar. Ainda que, por vezes, tentamos, sempre vai ficar aquela sensação de não era bem isso que eu queria. A falta que causa o desejo.

A pessoa que ama supõe que o outro tem algo de grandioso. O Outro mesmo não sabendo o que de grandioso tem se sabe que é especial. Esse é o paradoxo do amor: o que falta em um o outro também não tem.

Para a boa vivência do amor é preciso reconhecer o amado como faltoso e imperfeito e assim será possível de sobreviver às frustrações pertinentes a toda relação. Amar é reconhecer a falta.

Amar é oferecer ao amado sua falta, é dar um vazio que demanda… demanda essa que é sempre demanda de amor.

Aline Marcela de Moraes, Psicóloga, Técnica em Segurança do Trabalho, Técnica em Administração de Empresa. Psicóloga Clínica em consultório particular desde 2016 – CRP: 06/130716 – Facebook: /ammpsicologa – e-mail: alinemarcela_moraes@hotmail.com – Fone: (14) 99679-2161.

 

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