“UM CHAMADO PRA VOCÊ PAI, PRA VOCÊ MÃE, PRA VOCÊ RESPONSÁVEL. TOME MUITO CUIDADO COM SEU FILHO!”, POR DR. WEVILLING FONTOURA

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Recentemente, no dia 7 de agosto, na cidade de São Mateus, no Estado do Espírito Santo, vimos o caso da menina de apenas 10 anos de idade, que se encontrava grávida do companheiro de sua tia, sendo que esta era a responsável pela menor. A mesma tia a teria levado a um Hospital onde ali foi confirmada sua gravidez.

Ao ser questionada pela equipe médica, a menor contou que sofria abusos sexuais do tio desde os 6 (seis) anos de idade e que mantinha o silêncio, pois fora ameaçada de morte pelo autor do crime (o companheiro de sua tia).

Assim, a criança foi encaminhada a um Conselho Tutelar do município e depois para um abrigo, onde recebeu proteção através de medida protetiva.

Todavia, quero aqui tratar de como os pais, responsáveis e demais cuidadores de crianças a identificarem os primeiros sinais de que a criança possa estar sofrendo abusos, bem como o que pode ser feito.

Vamos lá!

Se a criança não está contando sobre os abusos sexuais que vem sofrendo dentro ou fora de seu núcleo familiar, o que seu responsável pode fazer? Aqui estão alguns sinais a serem observados para proteger seu filho (a), assim como dicas do que fazer se você suspeitar que a criança esteja sofrendo abuso ou esteja em risco de ser abusada. Segundo estudos psicológicos devemos observar o seguinte:

Quais são os sinais de alerta de abuso sexual?

Pode ser que a criança não consiga se abrir sobre o abuso que sofreu, mas é comum que ela manifeste possíveis indicadores. Isso pode incluir um ou mais dos seguintes itens:

    Mudanças significativas no comportamento (como fazer cocô na calça ou xixi na cama, ou ter um declínio no desempenho escolar);

    Comportamento sexual ou conhecimento sobre sexo que está além da idade da criança;

    Medos súbitos ou medo de estar com uma pessoa específica;

    Mudanças inexplicáveis no estado emocional;

    Tornar-se extraordinariamente reservada;

    Dor na área genital ou anal.

Esteja alerta, mas não seja alarmista – esses são indicadores possíveis, não sinais indiscutíveis. Só porque uma criança mais velha molha a cama não significa que ela seja (ou tenha sido) vítima de abuso sexual.

As crianças demonstram uma grande variedade de comportamentos enquanto crescem, mas a mensagem a ser levada para casa é estar alerta para mudanças nas emoções e comportamentos que parecem fora do comum em seu filho (a).

O que eu faço ao suspeitar que meu filho está sendo abusado sexualmente?

Se você está preocupado com uma criança, pode fazer perguntas como: “Há alguma coisa que te preocupa?”, “Você está bem?” e “Há alguma coisa que você gostaria que eu fizesse para te apoiar?”.

A revelação de abuso sexual de uma criança pode ser intencional ou não intencional, completa ou incompleta, verbal ou não verbal. A criança pode tirar uma foto ou usar brinquedos para encenar a situação. É importante ressaltar que a maneira como você reage à criança pode afetar sua recuperação desse trauma.

Se uma criança revelar a você que está sendo abusada sexualmente, dê a ela atenção total. Acreditar nela é crucial para o seu bem-estar psicológico. Permita que a criança use suas próprias palavras e leve o tempo que precisar. Faça com que a criança tenha certeza de que fez a coisa certa ao lhe contar.

Evite encher a criança de perguntas, pois isso pode aumentar desnecessariamente a pressão e interferir nos procedimentos legais (que podem ser considerados como direcionadores da revelação da criança). O importante nesse estágio é ser um ouvinte encorajador e garantir que a criança esteja segura.

Você pode denunciar o abuso a uma delegacia especializa em proteção da criança ou ao conselho tutelar de sua cidade. Esses organismos contam com profissionais especificamente treinados em obter os relatos das crianças. Além disso, mesmo que a criança não revele o abuso, você pode relatar suas preocupações e suspeitas.

Como agir então perante possíveis situações?

Incentive a conversa aberta

A melhor arma que qualquer responsável tem para proteger seu filho é se envolver de forma proativa na comunicação aberta sobre segurança pessoal com seu filho desde cedo. Ajudar uma criança a construir seu conhecimento de segurança pessoal é uma forma de prevenção primária do abuso sexual infantil.

Isso pode incluir ensinar a seus filhos os nomes corretos para suas partes íntimas, criando uma linguagem compartilhada em torno de sinais de aviso e regras básicas sobre segurança pessoal. Ter essas conversas abertas desde o início aumentará o conhecimento da criança e poderá incentivar a criança a ser mais aberta sobre experiências desconfortáveis que possa ter.

Por que as crianças podem não contar?

Existem muitas razões pelas quais as crianças podem não relatar o abuso imediatamente, que incluem sentimentos de culpa, constrangimento, vergonha, impotência ou medo do agressor.

Algumas crianças podem simplesmente não saber como falar sobre o abuso. A probabilidade de manter o segredo pode ser ainda maior quando o transgressor for um membro da família ou conhecido da família. Aqui, a criança pode se sentir em conflito, pois deseja que o abuso pare, mas está preocupada com o bem-estar do agressor após a denúncia, e pode ainda temer as consequências da revelação, como separação ou perturbações no núcleo familiar.

O grooming é outro fator que pode impedir a criança de se abrir. Nesses casos, o abusador manipula a criança usando pressão psicológica, recompensas concretas (como brinquedos e dinheiro) e atenção.

Uma vez que o abuso ocorre, o silêncio da criança pode ser mantido pelo agressor, insinuando que ninguém acreditará nela, usando ameaças e suscitando sentimentos de culpa (“você arruinará a família se contar a alguém”) e distorcendo a realidade do abuso (como sugerir que isso faz parte de um “jogo”).

Pesquisas sugerem que as crianças são mais propensas a contar sobre casos de abuso sexual se achar que têm pelo menos um adulto de confiança a quem possam recorrer que as ouvirão e acreditarão nelas.

As vítimas do sexo masculino são menos propensas a se abrir do que as vítimas do sexo feminino. Pode ser que isso acontece pelo estereótipo de que pedir ajuda é algo não masculino ou pelo medo de ser visto como homossexual, se o abusador for do sexo masculino. Pode acontecer também que a criança ou adolescente se sinta desconfortável sobre a experiência devido às respostas fisiológicas visíveis que pode ter – como uma ereção.

A gravidade do abuso também está ligada à probabilidade de a criança falar sobre o tema. Pesquisas descobriram que quanto mais grave o abuso, maior a probabilidade de a criança divulgá-lo. Os pesquisadores sugeriram que, nesses casos, o medo da criança de ser abusada novamente pode anular quaisquer consequências negativas associadas à divulgação do abuso.

Enfim, vamos procurar observar mais o comportamento de nossas crianças, saber quem são seus amiguinhos, o que elas assistem nos canais do youtube, com quem se conectam e se relacionam nas redes sociais. O adulto é o maior espelho para uma criança, quer ele apresente boas ações ou não.

Por favor, não deixe que seu filho seja educado pelo mundo virtual. Eduque-o com a realidade e para a realidade. Afinal, é nela que ele terá de viver quando adulto!


*Dr. Wevilling Fontoura: possui graduação em Direito pelo Centro Universitário Euripedes de Marília/SP, tendo colado grau no mês de fevereiro de (2015); Pós graduação – Especialização em Direito Empresarial (2019) pelo Centro Universitário Euripedes de Marília/SP. Atualmente é advogado autônomo – Fontoura Advocacia. Tem experiência na área de Direito, com ênfase em Direito do Processual do Trabalho. Possui experiência nas áreas do Direito de Família, Empresarial/Trabalhista e Previdenciária. Passou no XV Exame da Ordem dos Advogados do Brasil sem fazer qualquer tipo de cursinho preparatório, tendo obtido nota máxima na peça prática da segunda fase antes de colar grau. Passou em 2º lugar na classificação geral no concurso de estagiário de nível Superior no Curso de Ciências Jurídicas, tendo concorrido com Bacharéis de todo o Estado de SP, para atuar junto ao Plantão da Policia Judiciária de São Paulo. No mesmo período passou em 1º lugar no vestibular para o curso de Segurança do Trabalho no Centro de Tecnologia de São Paulo. Foi monitor do Profº. Dr. Lafayette Pozzoli currículo lattes: (http://lattes.cnpq.br/8694816798386054) durante todo o período de 2012 na disciplina: Filosofia do Direito, do Curso de Ciências Jurídicas no Centro Universitário Eurípedes da Rocha. Como advogado: Atua nas áreas consultiva/contenciosa, com a elaboração de peças processuais, inclusive recursos em 2ª e 3ª instâncias. Realização de audiências iniciais e de instrução. Desenvolvimento de argumentações e teses. Realização de reuniões com clientes. Contratações de correspondentes e orientação. Acompanhamento processual e elaboração de relatórios gerenciais. Atualização do sistema de processos CPJ. Emissão de pareceres legais, atuação com preventivo, entre outras atividades pertinentes a função da advocacia.


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